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(this would appear impossible to tally with the content of the next image's statement. it is. what happened is that i felt for a time i couldn't extend work in that direction so i cast about. in 2013 i determined to return to that central former vector to either extend or reject it.)

Porque poderá haver quem os queira ler.

 

Uma pedra quando se incendeia

transforma-se numa ideia.

Deixa de se ver.

Uma ideia é uma labareda

mas labareda íntima

invisível.

O nosso cérebro é um céu

onde estalam

pétalas de estrelas.

O céu é um tecto de ideias.

O cérebro uma abóbada de estrelas.

As ideias vão até ao húmus.

As estrelas até ao sangue.

Lembrar é estar cego

e imaginar o mundo.

Lembrar é amar.

E amar é compreender

as coisas que se imaginam.

Viver é ter luz.

Amar é tornar sensível

o invisível.

Esquecer é ver.

De noite nada vejo

porque nada existe.

Que dizer de Andrómeda?

Na escuridão

os olhos são inúteis.

De dia nada imagino.

Tudo é opaco.

À noite

só restam memórias.

Trajectos abstractos.

Rastilhos brancos.

Suores translatos.

Imaginações.

Estrelas.

Sonhos.

Tudo é transparente.

Não vejo por isso.

Visiono.

Ver é só receber imagens.

Visionar é já criá-las.

De noite

quando as coisas são memória

uma pedra afIora aos lábios.

Já não é pedra

mas só imagem.

Imagem interior.

No negrume da noite

a pedra perdeu matéria.

Côa-se nas margens.

Deposita-se na minha boca.

É só lembrança.

Só saudade.

Saudade branca.

Luz humana.

Humana luz de um nome.

   

António Cândido Franco

This is a shot from a couple of years ago that I was never quite happy with so I re-processed it and I think that this is an improvement.

 

Klopperfontein

Kruger National Park

Limpopo

South Africa

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