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Francisco José Magallón Barreiro.kiko
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Blog Enrico Picciotto
Wikipédia
Enrico Ferri
Enrico Ferri (1856 – 1929) foi um criminologista e polĂtico socialista italiano. Juntamente com Cesare Lombroso e Raffaele Garofalo, Ă© considerado um dos fundadores da Escola Italiana de Criminologia Positivista. Estes pesquisadores causaram uma ruptura epistemolĂłgica nas CiĂŞncias JurĂdicas ao propor que estas tambĂ©m deveriam utilizar o mĂ©todo positivo experimental prĂłprio das ciĂŞncias naturais. Ferri abordou o direito e ordem jurĂdica como uma ciĂŞncia social que deveria ser estudada pela observação da sociedade. Concluiu com suas pesquisas que o objetivo do sistema penal deveria ser a neutralização dos criminosos atravĂ©s da prevenção dos delitos1 . Foi autor de obras clássicas de criminologia como Sociologia Criminal de 1884 nas quais estudou os fatores econĂ´micos e sociais que propiciavam o comportamento criminoso. Sua obra influenciou o cĂłdigo penal de diversos paĂses europeus e latino-americanos. Foi tambĂ©m polĂtico filiado ao Partido Socialista Italiano e editor do jornal Avanti!, ĂłrgĂŁo oficial do partido1 . Embora tenha inicialmente rejeitado o fascismo, apĂłs a subida ao poder do ditador italiano Benito Mussolini, tornou-se um dos seus mais famosos apoiadores fora do Partido Facista.
Biografia
Nasceu em San Benedetto Po, perto de Mântua, Lombardia, em 25 fevereiro de 18561 2 . De origens modestas, era filho de Eraclio Ferri e da Colomba Amadei3 .
Frequentou o ensino médio no Liceo Classico Virgilio em Mântua, onde foi aluno do filósofo Roberto Ardigò3 , o maior expoente do positivismo italiano, que exerceu grande influência na sua formação1 .
Portici di Via Zamboni na Universidade de Bolonha
Estudou Direito na Universidade de Bolonha em um ambiente acadĂŞmico onde predominavam as ideias positivistas3 . Formou-se em 1877, sendo orientado por Pietro Ellero na tese de láurea denominada A Teoria da Imputabilidade e a Negação do Livre-arbĂtrio (La Teorica dell'ImputabilitĂ e la Negazione del Libero Arbitrio) publicada em 1878. Completou sua educação com um curso de especialização em direito penal na Universidade de Pisa no qual teve aulas com o famoso jurista da escola clássica de criminologia Francesco Carrara1 . Em 1879 foi complementar seus estudos na Universidade de Paris-Sorbonne3 . Teve aulas de medicina legal com Cesare Lombroso1 .
Após obter a livre docência na Universidade de Turim em 1880, Ferri foi indicado por Pietro Ellero para ocupar a cátedra de direito penal que deixara vaga na Universidade de Bolonha1 . A sua palestra inaugural feita em Bolonha em 6 de dezembro de 1880 (I Nuovi Orizzonti del Diritto e della Procedura Penale, publicado em 1881) expôs os fundamentos da criação da escola positiva de criminologia, os quais foram anunciados formalmente ao assumir uma outra cátedra na Universidade de Siena em 18 de novembro 18821 .
Em 1881 juntou-se à equipe editorial da revista fundada por Cesare Lombroso e outros denominada "Archivio di Psichiatria, Scienze Penali ed Antropologia Criminale per servire allo Studio dell’Uomo Alienato e Delinquente" (Arquivo de Psiquiatria, Ciências Penais e Antropologia Criminal para servir ao Estudo do Homem Alienado e Criminoso"1 ).
Por indicação de Filippo Serafini, foi convidado para ocupar a cátedra anteriormente ocupada por Francesco Carrara na Universidade de Pisa1 4 .
Foi livre docente de direito penal e depois de direito civil na Universidade de Roma “La Sapienza”, onde em 1912 fundou a Escola de Aplicação JurĂdico-Criminal (Scuola di Applicazione Giuridico–Criminale). De 1895 a 1905, ministrou cursos na Universidade Livre de Bruxelas e Universidade de Paris-Sorbonne1 .
Igreja de Sant' Ivo no Palazzo della Sapienza, sede da Universidade de Roma “La Sapienza” até 1935
Atuou como advogado de defesa em vários processos famosos, tais como o de Tullio Murri (advogado socialista acusado de homicĂdio em 19055 ), o de Violet Gibson (que tentou matar Benito Mussolini6 ), atĂ© o seu Ăşltimo caso, o julgamento de Vincenzo Saponaro (padre acusado de parricĂdio em 1928)1 7 .
Foi atravĂ©s da reputação obtida como advogado de defesa que Ferri entrou na polĂtica. Os lĂderes da revolta de camponeses assalariados conhecida como La Boje foram levados a julgamento em Veneza em 1886. Contra todas as expectativas, Ferri conseguiu a absolvição dos camponeses de Mântua8 expondo a condição social dos rĂ©us como motivante do crime. Com isto angariou fama de socialista e prestĂgio polĂtico entre operários e camponeses1 3 .
Foi eleito deputado para o parlamento italiano em 1886 pelo distrito eleitoral de Gonzaga em Mântua3 como radical sem partido.
Em 1893, Ferri uniu-se ao recĂ©m-formado Partido Socialista Italiano1 2 . Assumiu em 1898 provisoriamente o cargo de editor do jornal Avanti!, ĂłrgĂŁo oficial do Partido Socialista Italiano, atuando com coragem em um momento de grande repressĂŁo polĂtica aos socialistas. Posteriormente foi editor definitivo do Avanti! de 1903 a 1908, aumentando a influĂŞncia e circulação deste diário de notĂcias. Em 1908, seu prestĂgio polĂtico no Partido Socialista Italiano tinha diminuĂdo, mas ainda tinha muito prestĂgio como jurista1 . Renunciou entĂŁo ao cargo de editor do Avanti! e partiu para realizar uma sĂ©rie de conferĂŞncias sobre criminologia e Direito na AmĂ©rica Latina.
Ferri declarou-se a favor da guerra na LĂbia em 1912, o que causou a sua renĂşncia ao mandato de deputado e desfiliação do Partido Socialista Italiano. Posteriormente voltou a ser eleito deputado como socialista independente. Defendeu de maneira dĂşbia a neutralidade italiana durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1919 foi reeleito deputado e, em 1921, filiou-se ao Partido Socialista Unitário2 .
Em 1919, o Ministro da Justiça Lodovico Mortara nomeou-o presidente da comissão para a reforma do Código Zanardelli, o código penal italiano de 1899, em vigor no Reino da Itália desde 18901 .
Em março de 1927, Ferri voltou Ă s manchetes como defensor de Violet Gibson, inglesa de famĂlia nobre que tentou matar Benito Mussolini. O processo terminou com a absolvição da rĂ© por razões de insanidade3 , embora o prĂłprio Ferri considerasse que as suas tendĂŞncias ao suicĂdio e criminalidade a tornassem perigosa o suficiente para ser privada de sua liberdade pessoal6 .
Com a ascensĂŁo do fascismo, passou a apoiar o regime de Benito Mussolini2 . NĂŁo se filiou ao Partido Nacional Fascista3 , mas redigiu obras em louvor do fascismo e de Benito Mussolini6 .
Seu prestĂgio perante os fascistas italianos era tanto que foi nomeado para o cargo honorário de senador6 em 2 de março de 1929. Entretanto morreu em Roma em 12 de abril de 1929 antes de tomar posse1 .
Pensamento JurĂdico
Ferri, juntamente com Cesare Lombroso e Rafaele Garofalo, Ă© considerado um dos fundadores das escola positivista de criminologia.
Os estudos de Ferri levaram-no a postular teorias de que os métodos de prevenção de crimes deveriam ser o pilar para o cumprimento da lei, em oposição à punição de criminosos após haverem cometido seus crimes.
Compartilhou com Lombroso a crença nas caracterĂsticas fisiolĂłgicas de criminosos, contudo, concentrou-se no estudo das suas caracterĂsticas psicolĂłgicas, as quais acreditava contribuĂrem para o desenvolvimento do crime em um indivĂduo. Essas caracterĂsticas incluĂam gĂrias, grafia, sĂmbolos secretos, literatura e arte, assim como a insensibilidade moral e "uma certa falta de repugnância Ă ideia de execução da ofensa, antes de cometĂŞ-la, e a falta de remorso apĂłs realizá-la"9 .
Ferri argumentou que religião, amor, honra e lealdade não contribuem para evitar o comportamento criminoso, pois são ideias muito complexas para terem um impacto definitivo no senso moral básico de uma pessoa. Ferri argumentou que outros sentimentos, tais com ódio, busca do amor e vaidade têm maior influência, pois têm maior poder sobre o senso de moral da pessoa[carece de fontes].
Ferri resumiu sua teoria definindo a psicologia dos criminosos como uma "resistência defeituosa às tendências e pecados criminais, devido a essa impulsividade mal controlada que caracteriza crianças e animais"9 .
Quanto Ă s escolas de criminologia, Ferri se colocava entre Francesco Carrara, que foi "o ponto de chegada, embora altĂssimo, de uma tradição agora esgotada"10 (a escola clássica de criminologia), e o avanço tecnicista de Arturo Rocco, segundo o qual "a tarefa principal (se nĂŁo exclusiva) da ciĂŞncia do direito penal deveria ser elaboração tĂ©cnico-jurĂdica de um direito penal positivo e vigente, o conhecimento cientĂfico, e nĂŁo meramente empĂrico, do sistema de direito penal como Ă© em virtude das leis que nos governam"11 .
Formação do Pensamento JurĂdico de Ferri
As aulas que teve ainda jovem no Liceo Classico Virgilio com o filósofo Roberto Ardigò foram uma grande influência para que aderisse desde a juventude à corrente de pensamento positivista1 . A outra grande influência inicial foram as aulas de Pietro Ellero no curso de Direito da Universidade de Bolonha. o qual defendia que a pena aplicada na condenação de criminosos tinha como o objetivo de prevenção de novos crimes, e não a expiação destes.
A tese de láurea de Ferri denominada La Teorica dell'ImputabilitĂ e la Negazione del Libero Arbitrio (A teoria da Imputabilidade e a Negação do Livre-ArbĂtrio) já esboçava as linhas principais que orientariam seu pensamento posterior, começando com a negação do livre-arbĂtrio12 . A escola clássica de criminologia considerava que o ser humano tinha livre arbĂtrio, portanto que havia responsabilidade moral do indivĂduo que escolhia conscientemente cometer - ou nĂŁo - um delito. Ferri sustentou o contrário: o crime seria consequĂŞncia de fenĂ´menos antropolĂłgicos, fĂsicos e culturais fora do controle do indivĂduo, portanto o livre-arbĂtrio nĂŁo poderia ser a base da imputabilidade penal, ou seja, da decisĂŁo de que a pessoa deveria ou nĂŁo receber uma sanção legal, uma pena. Rejeitou assim o conceito de responsabilidade moral da escola clássica e criou o conceito de responsabilidade social9 13 .
Foi na Universidade de Paris-Sorbonne que Ferri teve contato com as mais novas doutrinas sobre o fundamentos teĂłricos da pena aplicada nos crimes, assim como com a utilização de mĂ©todos estatĂsticos na pesquisa sociolĂłgica.
Ferri foi aluno de Cesare Lombroso, fundador da criminologia antropolĂłgica, que se dedicou a pesquisar os fatores fisiolĂłgicos que caracterizavam um criminoso ainda antes deste cometer crimes2 . Ferri e Lombroso formaram uma parceria que nunca esmoreceu, embora Ferri tenha muitas vezes criticado as ideias de Lombroso. Ferri admirava especialmente a tentativa de Lombroso em fundamentar cientificamente um novo conceito de responsabilidade social do crime1 . Contudo, seguindo seu prĂłprio caminho, Ferri nĂŁo se interessou pelos fatores fisiolĂłgicos e concentrou-se no estudo que as influĂŞncias sociais e econĂ´micas tinham sobre os criminosos e sobre os Ăndices de criminalidade. Ferri propunha o estudo cientĂfico, positivista, dos aspectos psicolĂłgicos e sociais dos criminosos em oposição ao positivismo biolĂłgico de Lombroso2 .
Foi na revista Archivio di Psichiatria, Scienze Penali ed Antropologia Criminale, criada e publicada por Lombroso, onde Ferri publicou os primeiros artigos que aprofundaram a sua negação do livre arbĂtrio, pedra fundamental da escola clássica de criminologia. As suas conclusões foram que o objetivo do direito penal deveria ser a prevenção dos delitos atravĂ©s de substitutos penais ou reformas de caráter social14 . O seu conceito de prevenção criminal foi influenciado pela leitura da obra do jurista e filĂłsofo italiano Gian Domenico Romagnosi; a partir do qual proporá um "reformismo moderado e pragmático visando uma evolução sem saltos, traço caracterĂstico do cânone eclĂ©tico15 .
DifusĂŁo da Nova Escola Positiva
Enrico Ferri c. 1902
Ferri pretendeu fundar uma nova linha de pensamento dentro da tradição jurĂdica italiana considerando que chegara ao fim o "glorioso ciclo cientĂfico" da escola clássica. A nova linha de pensamento teĂłrico deveria ser o estudo do delito como ente jurĂdico abstrato16 . Ferri propĂ´s que esta nova escola deveria aplicar o mĂ©todo experimental no estudo dos delitos e das penas. O crime deveria ser estudado como um fenĂ´meno natural e uma ação concreta. Isto levava a privilegiar a prática do direito e a formação de juĂzes, os quais devendo julgar um homem tinham pouco apoio nos conceitos entĂŁo utilizados "sobre a qualidade jurĂdica da infração"17 .
Ferri apoiou a iniciativa de Giulio Fioretti de criar a revista La Scuola Positiva della Giurisprudenza Pernale para fins de propaganda do método positivista1 18 . Por algum tempo parou de publicar nesta revista a fim de revisar a terceira edição de sua obra seminal I nuovi orizzonti del diritto e della procedura penale, que tinha sido publicada em 1881, e que foi publicada após 1892 com o nome de Sociologia Criminale tornando-se um dos grandes clássicos da Criminologia e do Direito Penal1 .
A partir de 1895 tornou-se o único responsável pela edicção da revista La Scuola Positiva della Giurisprudenza Pernale, que foi utilizada para propaganda da utilização de métodos experimentais em matérias de direito penal1 .
ApĂłs a promulgação do CĂłdigo Penal Zanardelli (cĂłdigo penal italiano de 1899), Ferri concentrou-se em divulgar os princĂpios positivistas entre os operadores do direito que podiam fazer a aplicação da teoria na prática1 . AlĂ©m disso, subordinava as estratĂ©gias de sua vida polĂtica Ă propaganda do mĂ©todo positivista com o objetivo de realizar reformas que correspondessem a sua ideia de justiça social1 .
Em 1912, Ferri criou a Scuola di Applicazione Giuridico-criminale na Universidade de Roma “La Sapienza”, a fim de concretizar a ideia original dos positivistas da necessária "contaminação sócio-antropológica", bem como da necessidade de realizar reformas judiciais e prisionais19 .
A nova Escola Positivista deixou marcas importantes no Direito Penal. Primeiro, passou-se a considerar que o mĂ©todo experimental poderia ser aplicado no Direito causando o surgimento de uma nova ciĂŞncia: a criminologia. Em segundo lugar passou a haver uma melhor individualização das penas e houve a criação de institutos jurĂdicos penais novos como as medidas de segurança, suspensĂŁo condicional da pena e o livramento condicional.
PrincĂpios Básicos da Sociologia Criminal
O ponto inicial do pensamento de Ferri Ă© a negação do livre-arbĂtrio. Segundo ele, o homem nĂŁo Ă© livre, as suas liberdades sĂŁo restritas ao marco jurĂdico estabelecido pelo Estado. O sistema legal, segundo Ferri, poderia ser comparado a um conjunto de poliedros, cada um sendo um dos indivĂduos que compõem o Estado, ou atĂ© a Humanidade. Assim como as cĂ©lulas de favos de mel, que as abelhas constroem na forma de cilindros tornam-se prismas de base hexagonal devido Ă pressĂŁo mĂştua entre si, do mesmo modo os indivĂduos que nascem livres podem ser comparados a esferas que se tornam poliedros devido Ă s restrições recĂprocas e necessárias para a vida comum na sociedade civil. O conceito de direito Ă© uma liberdade “fĂsica” limitada, baseado, nĂŁo no livre-arbĂtrio, mas na necessidade de relações externas individuais e sociais20 .
A sociologia criminal de Enrico Ferri nĂŁo se concentra no estudo do do crime em si. O mais importante Ă© estudar a relação que existe entre o autor do delito e a sociedade. A criminologĂa Ă© proposta como uma ciĂŞncia positiva de observação e modificação da realidade. O crime, o infrator e a punição sĂŁo reunidos no estudo e na prática9 .
O mĂ©todo indutivo experimental e a estatĂstica foram os principais instrumentos propostos por Ferri para o estudo de criminologia. Deste modo, as suas teorias baseiam-se em fatos apreendidos da realidade concreta9 .
O crime ocorre como resultado de fatores sociais que determinam que os indivĂduos ultrapassem os limites legalmente estabelecidos. Deste modo, Ferri coloca o crime como responsabilidade social, e nĂŁo como a responsabilidade moral decorrente do livre arbĂtrio. Os infratores sĂŁo infratores porque recebem da sociedade um conjunto de modos de agir que determina suas ações futuras ou porque, seguindo Lombroso, possuem uma anormalidade congĂŞnita. Portanto, o criminoso Ă© resultado de uma anormalidade congĂŞnita ou adquirida por fatores sociais9 .
A classificação dos criminosos de Ferri9 é a seguinte:
•Criminosos natos: aqueles que apresentam os estigmas de degeneração descoberto por Lombroso têm a moral atrofiada. A expressão "criminoso nato" certamente foi de autoria de Ferri e não de Lombroso;
•Criminosos loucos: aqueles alienados nos manicômios ou prestes a irem para lá, também os semiloucos ou fronteiriços;
•Criminosos ocasionais: aqueles que eventualmente cometem crimes, pois "o delito procura o indivĂduo".
•Criminosos habituais: aqueles reincidentes na ação criminosa a ponto de considerá-lo sua profissão. São a grande maioria dos criminosos. Na verdade, há uma degeneração do criminoso ocasional em habitual.
•Criminosos passionais: aqueles que agem pelo Ămpeto. Em geral cometem um crime na crime na mocidade. SĂŁo prĂłximoa do loucos pois dĂŁo dominados por tempestades psĂquicas.
A Teoria dos Motivos proposta por Ferri considera que existem fatores que serĂŁo determinantes do delito9 21 . Estes fatores criminĂłgenos podem ser agrupados em:
•Fatores Antropológicos
oConstituição Orgânica do Crime: Refere-se a caracterĂsticas somáticas dos indivĂduos: crânio, vĂsceras, cĂ©rebro.
oConstituição PsĂquica: Inteligencia, sentimento, senso moral.
oCaracterĂsticas Pessoais: Raça, idade, sexo, estado civil.
•Fatores Sociais: Densidade de população, opinião pública, Moral, religião.
•Fatores FĂsicos : Clima, solo, estações, temperatura.
A partir daĂ, Ferri elabora a sua Lei da Saturação: em um meio socialmente determinado com condições individuais e psĂquicas dadas, comete-se um determinado nĂşmero de delitos9 .
Outra consequência importante é a Teoria da Periculosidade: em uma determinada situação individual e por diferentes circunstâncias sociais, uma pessoa terá maior ou menor tendência a cometer crimes. A periculosidade não depende do ato criminoso cometido pelo sujeito, mas da sua qualidade de ser mais ou menos antissocial9 . A função da pena aplicada não seria mais, com queria a escola clássica, a expiação do crime, mas a Defesa Social através da prevenção de crimes.
Apesar de tudo, Ferri critica as instituições penais como incapazes de ressocializar os criminosos depois destes cumprirem as penas. Para ele, a ressocialização de alguĂ©m acostumado ao ar da prisĂŁo Ă© impossĂvel ou difĂcil, pois os indivĂduos saem das prisões ainda mais ressentidos e cometem crimes maiores como vingança contra a sociedade. O mais importante Ă© que crime deve ser combatido antes que aconteça, pois a prevenção geral Ă© mais eficaz do que repressĂŁo. Com este objetivo o Estado deve aplicar Substitutivos Penais, medidas de carácter econĂ´mico, polĂtico, administrativo, educativo, familiar que atuem nas causas originadoras dos delitos diminuindo a sua incidĂŞncia9 .
Entretanto os Substitutivos Penais não serão suficientes para conter os criminosos natos, loucos e passionais. A razão de punir é a defesa social, portanto para estes tipos de criminosos são necessárias Medidas de Segurança, formas de contê-los enquanto manifestem seu carácter perigoso para a sociedade9 . Se por um lado as Medidas de Segurança aumentavam as penas dos criminosos perigosos além do que a escola clássica considerava necessário para expiação da culpa, por outro lado a avaliação da periculosidade permitiu que condenados considerados pouco perigosos fossem libertados antes do término da pena por meio de mecanismos como, por exemplo, livramento condicional.
A Reforma do CĂłdigo Zanardelli
A oportunidade de demonstrar a aplicação prática do positivismo jurĂdico no Direito Penal ocorreu em 1919, quando, o Ministro da Justiça Ludovico Mortara nomeou Ferri presidente da ComissĂŁo para a Reforma do CĂłdigo Zanardelli3 , o cĂłdigo penal italiano em vigor desde 1890.
O Comitê para a Reforma do Código Zanardelli teve polêmicas raivosas que reproduziam os debates então existentes no ambiente acadêmico entre as diversas escolas de Direito Penal. O clima de combate também era parte do estilo de discussão da época. O enfrentamento principal ocorreu entre os defensores da escola clássica de criminologia com os que, como Ferri, propunham uma nova ciência do direito penal22 23 . Entretanto não se deve simplificar porque o quadro foi mais complexo do que a mera justaposição destas duas diferentes linhas de pensamento24 .
O resultado do trabalho foi o Progetto Preliminare di Codice Penale Italiano per i Delitti, publicado em MilĂŁo, 1921. Este projeto foi acompanhado de um relatĂłrio, ditado pelo prĂłprio Ferri, que tratava da parte geral do cĂłdigo na qual os postulados da escola positiva foram todos vigorosamente afirmados. Nele foi afastado o critĂ©rio da imputabilidade com a abolição da distinção entre imputáveis e nĂŁo imputáveis, e a infração seria avaliada principalmente em função da periculosidade de seu autor. A substituição do conceito de pena como castigo moral pelo conceito da pena como prevenção individual do crime representava um endurecimento das medidas coercivas previstas no CĂłdigo Zanardelli. A adequação da pena Ă periculosidade do infrator tendia em muitos casos Ă duração indefinida de detenção, pois nĂŁo cessando o risco de recorrĂŞncia, nĂŁo havia um limite para a expiação do crime. Ainda de acordo com o princĂpio da periculosidade do sujeito, Ferri propunha a necessidade de igualar alguns crimes abolindo a distinção - que o cĂłdigo Zanardelli tinha introduzido - entre crimes consumados e crimes tentados. Os novos critĂ©rios de concurso de agentes na execução de crimes previam igual responsabilidade para todos partĂcipes e uma nova disciplina das circunstâncias avaliada de acordo com a periculosidade do agente3 .
Entretanto, segundo pelo menos um autor, a nova orientação positivista da qual Ferri era defensor mostrou "capacidade de interpretar os tempos [...] pela visĂŁo integrada das ciĂŞncias criminais" e como a "atualização histĂłrica da penalĂstica civil italiana e europeia"25 26 .
As soluções do projeto resguardavam os fundamentos essenciais da ordem jurĂdica liberal-burguesa legal: a dimensĂŁo individualista, a centralidade da legislador, a exclusividade da fonte da legislativa, o papel da ciĂŞncia jurĂdica e do juiz-intĂ©rprete da lei. Apesar disto, Ferri afirmava querer finalizar sua "vida cientĂfica demonstrando a aplicação jurĂdica de uma doutrina original e genuinamente italiana"27 .
Ferri tambĂ©m participou dos trabalhos da comissĂŁo nomeada pelo Ministro da Justiça Alfredo Rocco para examinar o projeto do CĂłdigo Penal. Os postulados da escola positiva foram menos centrais nesta revisĂŁo de projeto do que na tentativa anterior de codificação. Houve uma influĂŞncia considerável de Ferri na introdução do novo TĂtulo VIII do Livro I, Delle Misure Amministrative di Sicurezza. O princĂpio do valor sintomático do crime e da periculosidade do agente do crime foi aplicado na nova disciplina da tentativa, da responsabilidade subjetiva, do concurso de agentes e da existĂŞncia de imputabilidade atĂ© no estado de embriaguez3 .
Mais do que os outros institutos previstos no projeto de cĂłdigo, a matĂ©ria das medidas de segurança foi utilizada para conciliar os princĂpios do positivismo jurĂdico e as acentuadas exigĂŞncias repressivas do regime totalitário, especialmente por prever a indeterminação da duração máxima da pena. Os codificadores de 1930 conciliaram os conceitos de pena da escola clássica e da escola positivista: uma medida privativa de liberdade poderia ser aplicada apĂłs a execução da pena nos infratores habituais, profissionais ou por tendĂŞncia, o que representava a uniĂŁo entre o conceito clássico da punição como expiação e o postulado positivista da pena como defesa e prevenção3 .
Os projetos de cĂłdigo penal italianos foram traduzidos em várias lĂnguas e influenciaram a doutrina jurĂdica e a legislação em diversos paĂses na Europa e na AmĂ©rica Latina1 . A obra de Ferri em geral foi fundamental na elaboração do cĂłdigo penal de 1921 da Argentina[carece de fontes].
O Problema do Jurista-intérprete
Ferri nĂŁo confiava no sistema de sanções fixas definidas por um juiz autĂ´mato e propunha uma sĂ©rie de medidas penais variáveis a serem aplicadas por juĂzes especializados em disciplinas criminolĂłgicas1 . Quando se dá ao juiz o Ă´nus de avaliar a gravidade da infração em relação Ă personalidade do agressor para determinar a quantidade da pena a ser aplicada, misturam-se princĂpios que diferem do postulado central da escola positiva que Ă© a gravidade objetiva do ato criminoso3 .
Considerando o perigo da discricionariedade dos juĂzes, Ferri concluiu que nĂŁo era admissĂvel que estes interpretassem a lei sem limites, pois as "regras de procedimento sĂŁo a garantia suprema dos direitos do homem e do cidadĂŁo que [...], seja como um criminoso seja como um condenado, ainda conserva para sempre os intangĂveis e fundamentais direitos da pessoa humana". Para Ferri, o juiz nĂŁo pode exceder os limites da lei, mas dentro dos limites legais nĂŁo será "possĂvel impedir o juiz de ter uma determinada quantidade de poderes, porque senĂŁo ele seria reduzido a um contador mecânico da dosimetria da pena"27 .
Ferri ansiava por juĂzes capazes de avaliar social e legalmente a periculosidade do agente do crime, mas, para serem contidos os riscos de discricionariedade, os juĂzes deveriam se "comprometer com as irrevogáveis garantias de direitos individuais conquistados pela escola clássica de criminologia". Portanto, considerava muito importante a formação dos juristas, e foi com este objetivo que criou a Scuola d'Applicazione Giuridico-Criminale (Escola de Aplicação JurĂdico-Criminal) e, em 1913, a sua revista La scuola positiva - organo della scuola d'applicazione giuridico-criminale na Universidade de Roma “La Sapienza”1 .
TrajetĂłria e Pensamento PolĂtico
Como polĂtico, Ferri caracterizou-se por "reversões surpreendentes de posição, atĂ© cair no elogio do fascismo"28 .
InĂcio da Vida PolĂtica
Cartaz do Partido Socialista Italiano em 1897
A fama nacional que adquiriu com a defesa dos lĂderes da revolta de camponeses La Boje foi decisiva para a entrada de Ferri na vida polĂtica ativa3 . No inĂcio de 1885, os trabalhadores camponeses das provĂncias de Rovigo, Pádua, Mântua, Cremona e Treviso se rebelaram contra os baixos salários. Em março de 1885, depois de meses de luta, o exĂ©rcito italiano conseguiu controlar a rebeliĂŁo. Foram presas 160 pessoas, das quais 22, consideradas como lĂderes, foram levadas a julgamento sob a acusação de incitar uma guerra civil29 . O julgamento muito divulgado na imprensa ocorreu em Veneza de 19 de fevereiro atĂ© 27 de março de 18863 . Contra todas as expectativas de condenação, os defensores, entre os quais Ettore Sacchi e Enrico Ferri, conseguiram a absolvição29 . A sua magnĂfica defesa dos lĂderes camponeses fez com que Ferri passasse a ter a reputação de "socialista” e grande prestĂgio entre as associações polĂticas democráticas. Sua fama tornou-se nacional e os movimentos sindicais do norte da Itália colocavam seu nome, entre outros, na canção em dialeto vĂŞneto "L'Italia l'è Malada".
L'Italia l'è malada (A Itália está doente)
E Ferri l'è il dutur (E Ferri é o doutor)
Per far guarì l'Italia (Para curar a Itália)
Tajem la testa ai sciur29 (Cortem a cabeça dos senhores)
Partido Radical
Devido ao seu grande prestĂgio, Ferri foi convidado - e aceitou – ser candidato a deputado do parlamento italiano concorrendo pela Sociedade Democrática Radical de Mântua com o apoio de um amplo espectro polĂtico. Entretanto, neste momento, sua adesĂŁo ao socialismo deve ser considerada muito frágil3 . Em seu discurso de nomeação de candidatura, Ferri apoiou o ideal de "harmonia entre todas as classes sociais", a fim de realizar a "verdadeira democracia, que Ă© a fraternidade entre os homens"30 . Em seu primeiro discurso de campanha definiu-se como "sociĂłlogo evolucionista", um "sociĂłlogo, porque nĂŁo sĂł como cientista, mas acima de tudo como homem polĂtico estudo a sociedade, organismo natural que tem as suas prĂłprias leis do desenvolvimento natural ... Evolucionista porque acredito que a lei da evolução natural domina as coisas na ordem cientĂfica assim como na ordem polĂtica"31 . Rejeitando o princĂpio socialista da luta de classes, Ferri dizia perseguir "o ideal de harmonia entre todas as classes da sociedade"31 . Os conceitos expressos neste discurso polĂtico estĂŁo presentes na sua obra Socialismo e CriminalitĂ na qual procura demonstrar que há uma estreita ligação entre a esfera cientĂfica e a polĂtica3 .
ApĂłs a defesa dos lĂderes camponeses da revolta La Boje, Ferri "apontava o caminho da cooperação como uma evolução natural dos movimentos de resistĂŞncia"32 . Em várias ocasiões apoiou e promoveu iniciativas da sociedade civil, especialmente na forma cooperação, para pacificação social, porque, dizia, "os trabalhadores sĂŁo como as abelhas; pacĂficas e fecundas de bem quando tĂŞm de trabalhar, inquieto e talvez atĂ© perigosas quando condenados a ociosidade forçada"33 . Ferri utilizava frequentemente metáforas de abelhas e colmeia para descrever os diferentes sujeitos de direito34 . Em 1891, fez parte da SubcomissĂŁo para a Cooperação presidida pelo Secretário do Tesouro Luigi Luzzatti1 .
Ferri conseguiu fazer com que os socialistas acreditassem que seu pensamento polĂtico nĂŁo era incompatĂvel com a ideologia socialista, apesar de que, segundo pelo menos um autor, deva ser considerado um polĂtico legalista democrata timidamente reformador e progressista"35 .
No Parlamento, Ferrri quis se juntar ao grupo de deputados radicais nĂŁo hostis Ă propriedade privada e Ă monarquia - que ele sempre considerou como um um mal menor. Ressaltava a importância das questões sociais, mas pedia que as reformas que melhorassem as condições do povo fossem feitas em pequenas doses3 . NĂŁo encontrou um partido que realmente fosse compatĂvel com suas crenças. Sonhava com um novo partido radical em que pudesse pĂ´r em prática seu pensamento positivista. Sem submeter-se aos lĂderes de esquerda moderada, manteve-se isolado em uma posição equidistante dos extremos. O polĂtico que se autodefinia como "radical com reservas" mostrava uma "propensĂŁo Ă s reviravoltas polĂticas que serĂŁo repetidas no curso de sua longa carreira polĂtica"36 .
Por outro lado, no Congresso Democrático que resultou no Pacto de Roma de 13 de maio de 1890, Ferri empenhou-se e conseguiu que o programa do Partido Radical enfatizasse o lado social. Ao mesmo tempo contribuĂa para a organização do movimento de camponeses e o cooperativismo em Mântua3 .
Socialismo Reformista
Cartão de filiação ao Partido Socialista Italiano em 1905
Cartão de filiação ao Partido Socialista Italiano em 1906
Em 1892, as organizações de operários de Mântua foram chamadas para aderir a um novo partido denominado Partido dos Trabalhadores Italianos (Partito dei Lavoratori Italiani, a partir de 1893 chamado Partito Socialista Italiano: PSI). Ferri posicionou-se contra a adesĂŁo por nĂŁo concordar com o mĂ©todo da luta de classes, o que nĂŁo impediu que associações de operários de Mântua aderissem ao novo partido socialista. Somente alguns meses depois Ferri anunciou sua adesĂŁo ao novo partido e a aceitação do coletivismo e da luta de classes, ressaltando, entretanto, a preferĂŞncia pela "abordagem gradual" e a formação de alianças eleitorais com outras forças democráticas3 . Definiu-se entĂŁo como um crente do evolucionismo de Darwin e um discĂpulo de Karl Marx, mas somente entĂŁo começou a estudar as teorias marxistas. Entretanto propunha uma evolução que beneficiasse as gerações futuras em vez da solução rápida da questĂŁo social dos tempos em que vivia37 .
Devido a sua adesão ao socialismo, perdeu em 1894 a cátedra de professor da Universidade de Bolonha. Além de sua "adesão" ao socialismo, Ferri era considerado uma ameaça devido a sua "mensagem antiformalistica, antilegalistica e antiindividualistica"37 .
A sua escolha polĂtica foi fundamentada no ensaio Socialismo e Scienza Positiva no qual concluiu que o socialismo marxista era a conclusĂŁo prática na vida social da revolução cientĂfica moderna ooriginada com a aplicação do mĂ©todo experimental em todos os ramos do conhecimento humano, e das obras de Charles Darwin e Herbert Spencer38 . Ferri comparou o darwinismo e o socialismo e contestou os trabalhos de Ernst Haeckel que ressaltaram as diferenças básicas entre estas duas escolas de pensamento. Ao contrário de Ernst Haeckel, Ferri argumentava que o darwinismo com seus princĂpios cientĂficos dava base ao socialismo38 . Ferri via religiĂŁo e ciĂŞncia como sendo inversamente proporcionais de modo que quando a força de um deles aumentava, a do outro caĂa. Ferri disse que o darwinismo deu um golpe na concepção de origem do Universo pregada pela Igreja, portanto o socialismo seria uma extensĂŁo do darwinismo e da teoria da evolução. Escreveu entĂŁo que tudo na HistĂłria marchava em direção ao socialismo, enquanto os indivĂduos eram incapazes de deter ou retardar a sucessĂŁo de fases de evolução moral, polĂtica e social38 . Esta mistura de biologia darwiniana, da sociologia de Spencer e marxismo fez com que todos pensadores marxistas contemporâneos se recusassem a reconhecer Enrico Ferri como um deles39 .
Na verdade, Ferri recusava o instrumento da luta de classes, esperando uma evolução que nĂŁo forçasse as estruturas polĂticas e sociais e o progresso gradual da humanidade40 . AlĂ©m disso, subordinava as estratĂ©gias polĂticas Ă propaganda do mĂ©todo positivista a fim de realizar as reformas que correspondessem a sua ideia de justiça social1 .
No entanto Ferri foi capaz de se estabelecer rapidamente como um dos membros mais influentes do Partido Socialista Italiano. As razões para a sua popularidade foram o seu grande prestĂgio de pesquisador jurĂdico e advogado, a sua habilidade de falar em pĂşblico e, sua beleza fĂsica e timbre de voz41 . TambĂ©m deve ser lembrada a sua influĂŞncia sobre muitos jovens estudantes das ciĂŞncias jurĂdicas e antropolĂłgicas seguidores do positivismo, que proporcionaram novos recrutas qualificados para o socialismo italiano3 .
Com o aumento de seu prestĂgio dentro do Partido Socialista Italiano, Ferri passou de defensor do reformismo gradual para sustentador do grupo partidário denominado de intransigentes, que recusavam a aliança com partidos moderados. Quando uma onda de repressĂŁo assolou o socialismo italiano no final do sĂ©culo XIX, Ferri se destacará como um combativo protagonista de batalhas polĂticas, Em 1898, prenderam Leonida Bissolati, entĂŁo diretor do jornal socialista Avanti! e Ferri assumiu temporariamente o seu cargo assegurando a regularidade da publicação em um momento particularmente difĂcil3 .
Em 1899, o governo do general Luigi Pelloux (Presidente do Conselho de Ministros do Reino da Itália de 1898-1900) apresentou ao Parlamento propostas de leis com medidas restritivas de "liberdades civis", o que causou a atuação conjunta dos deputados socialistas visando a obstrução de sua votação. A capacidade de oratória de Ferri ficou famosa. Seus discursos duravam de três a cinco horas sem deixar de tratar temas relevantes para a debate parlamentar. O governo teve que dissolver o Parlamento e convocar novas eleições3 . Ferri declarou-se aliviado por constatar que os excessos das leis e os tribunais de exceção, sob o pretexto de Defesa Social, tinham ocorrido sem a cumplicidade ou a influência das doutrinas positivistas42 .
Ferri possuĂa neste momento tanto prestĂgio eleitoral que o Partido Socialista Italiano teve a ideia de nomeá-lo candidato pelo seu distrito tradicional, Gonzaga em Mântua (onde tinha sido reeleito em 1895 e em 1897), mas tambĂ©m por distritos eleitorais em Ravena e Roma3 . Ferri acabou por ser eleito tanto por Gonzaga como por Ravenna, tendo ainda obtido muito mais votos do que o esperado em Roma3 .
Socialismo Revolucionário
Manifesto do Partido Socialista Italiano em 1902
Panfleto contra Ferri
Ferri passou a ser um dos lĂderes da facção dos "intransigentes", embora esta posição estivesse enfraquecida devido ao fato da vitĂłria eleitoral do Partido Socialista Italiano ter sido alcançada por meio de alianças com partidos moderados. Em setembro de 1901, a facção intransigente conquistou a maioria na importante seção de MilĂŁo e obteve o controle do periĂłdico semanal Azione Socialista. Em fevereiro de 1902, os intransigentes criaram em Roma o periĂłdico quinzenal Il Socialismo que passou a ser dirigido por Ferri3 , e, em seguida, a revista socialista Avanguardia. Estes periĂłdicos entraram em duras polĂŞmicas contra a facções socialistas moderadas, enquanto Ferri, contrariando suas posições anteriores, batalhava dentro do seu grupo parlamentar contra as posições reformistas3 .
O Partido Socialista italiano dividiu-se em duas correntes, reformistas e revolucionários, cujo maior confronto ocorreu pela posse da linha editorial do jornal Avanti!, órgão oficial do partido. O socialista reformista [🇮🇹Leonida Bissolati|Leonida Bissolati]] renunciou ao cargo de diretor e em 1 de Abril 1903, Ferri foi nomeado em seu lugar. Reformou o diário oficial do partido socialista transformando-o em um folhetim combativo com temas contra a burguesia e a Igreja Católica e alguma tendência à demagogia. Algumas campanhas de grande repercussão conferiram ao Avanti! uma grande reputação e aumentaram a sua circulação. Este sucesso favoreceu a Ferri, que passou a ser considerado o maior expoente da corrente revolucionária, se não de todo partido, enquanto as posições reformistas gradualmente perdiam terreno3 .
Ferri pretendia uma divisão de trabalho entre as duas tendências internas do partido, atribuindo aos intransigentes revolucionários a missão de educar o proletariado politicamente e aos reformistas a tarefa de obter melhores condições para os trabalhadores3 .
A popularidade de Ferri e a eficácia dos seus mĂ©todos de luta polĂtica, no entanto, nĂŁo se baseavam em fundamentos teĂłricos sĂłlidos, nem deixavam vislumbrar uma estratĂ©gia coerente3 . O "esquerdismo ferriano" viria a ser "desprovido de conteĂşdo alternativo e incapaz de sua prĂłpria transformação"43 . O julgamento dos historiadores parece concordar sobre este ponto3 .
Blog Enrico Picciotto
Retorno ao Socialismo Reformista
SĂmbolo do Partido Socialista Italiano em 1919
A aliança de Ferri com os revolucionários entrou logo em crise e dissolveu-se no decorrer de 1905. Ele então revelou sua tendência reformista e imprudência tática, convencendo o grupo parlamentar socialista a apoiar o governo com o propósito de julgá-lo a prova dos fatos44 .
Em 1906 Ferri criou a corrente chamada integralista, que se propunha a ser a sĂntese de todas as tendĂŞncias dentro do Partido Socialista Italiano. Conseguiu prevalecer com o apoio dos reformistas, enquanto que os revolucionários foram para a oposição3 . Esta aliança com os reformistas nĂŁo perdurou, e seu espaço tinha-se tornado restrito pois as muitas mudanças tinham afetado o seu prestĂgio. Em janeiro de 1908, renunciou ao cargo de diretor do Avanti! e embarcou para uma viagem para a AmĂ©rica Latina, onde tinha sido convidado para dar uma sĂ©rie de palestras sobre criminologia e Direito. Quando voltou Ă Itália a sua influĂŞncia no partido era pequena3 .
Em fevereiro de 1911, Ferri juntou-se Ă Democrazia Rurale, uma associação fundada em 1910 em Mântua com objetivo de compreender as necessidades da classe mĂ©dia agrĂcola, afastar a luta de classes e promover a cooperação entre todos os elementos da produção45 .
Por ter votado pelo consentimento da Guerra da LĂbia com argumentos nacionalistas, Ferri foi reprovado pelo Partido Socialista Italiano. Apresentou sua renĂşncia ao cargo de deputado e Ă filiação partidária em 1912, mas conseguiu se reeleger pelo distrito eleitoral de Gonzaga como "socialista independente" obtendo 4.577 dos 4.883 votos colocados na urna. Obteve o apoio dos proprietários de terras e atĂ© mesmo de catĂłlicos, enquanto os socialistas optaram por se abster. Apoiou a formação do Partido Socialista Reformista Italiano, mas nĂŁo quis fazer parte deste. Foi de novo reeleito na eleição seguinte, mas sem a esmagadora maioria da eleição anterior.
Nas vĂ©speras da Primeira Guerra Mundial Ferri demostrava desinteresse na polĂtica ativa e seu prestĂgio em Mântua estava muito desgastado46 . Tomou uma posição nĂŁo muito clara quanto Ă guerra: de um lado se dizia neutralista e por outro manifestava simpatia por França, Inglaterra e BĂ©lgica e admiração pelos jovens que, como o seu filho, partiam como voluntários3 .
ApĂłs a guerra, Ferri deixou de ser um protagonista importante da vida polĂtica italiana e nĂŁo foi candidato nas eleições de 1919. Com o inĂcio da violĂŞncia fascista, refez a sua interpretação dos fenĂ´menos sociais e polĂticos de acordo com os padrões da teoria da evolução3 . Escreveu entĂŁo que era "utĂłpico crer em acabar com o movimento socialista" aplicando "golpes de porretes ou tiros de revĂłlver", mas que o proletariado teria que esperar o rumo dos acontecimentos com "a coragem da paciĂŞncia" e que "o mundo caminhava inexoravelmente do individualismo ao socialismo", independentemente de "tudo o que façam seus adversários"47 .
Cartões de filiação ao Partido Socialista Unitario
Blog Enrico Picciotto
Apoio ao Fascismo
Em maio de 1921, voltou ao Parlamento reeleito pelo seu distrito eleitoral de Mântua. Neste mesmo ano, em um discurso na Câmara de Deputados, esboçou uma interpretação inicial do fascismo como um fenômeno de defesa da classe dominante contra a rebelião das massas trabalhadoras. Em 1922 filiou-se ao Partido Socialista Unitário. Em fevereiro de 1923, tentou convencer os deputados a assumir uma posição de colaboração aberta com Benito Mussolini. Depois manifestou o seu consentimento ao fascismo, sem formalmente aderir à sua ideologia3 .
No final de sua vida, Ferri tornou-se um dos maiores apoiadores de Benito Mussolini e passou a considerar o fascismo como uma expressão dos ideais socialistas. Escreveu uma obra elogiosa de Benito Mussolini e do governo fascista na qual disse que o fascismo era "a afirmação do Estado contra o individualismo liberal"48 .
Utilizando os modelos conceituais da ciĂŞncia positiva, Ferri considerou o fascismo como expressĂŁo de um grande projeto de renovação polĂtica e desenvolvimento econĂ´mico, atĂ© mesmo como uma forma subsidiária do socialismo. O fascismo, segundo Ferri, era "principalmente a afirmação da supremacia do Estado diante do individualismo liberal e atĂ© mesmo libertário" e representava "uma solução completa e sistemática" do conflito de classes48 . Ferri mostrou essencialmente "uma espĂ©cie de aceitação acrĂtica do fascismo que amadurecia a partir da verificação da incapacidade evidente dos partidos polĂticos tradicionais gerenciarem o estado de forma disciplinada e produtiva"35 .
Em março de 1927, Ferri deu uma palestra sobre Mussolini em que disse ter tido "a satisfação de examinar antropologicamente" o lĂder, percebendo nele os detalhes fisiolĂłgicos indicados por Lombroso como manifestação do pensamento, da ação polĂtica, de um "novo homem", de um lĂder carismático que guiaria as aspirações do povo49 . Ferri, apesar de nĂŁo se declarar fascista, acreditava que Mussolini teria a capacidade de implementar as reformas positivistas e combater o conflito de classes intenso naqueles anos com ocupações de fábricas e mortes de lĂderes sindicais50
Blog Enrico Picciotto
Photo montage d'une porte en bois, la macro d'un objectif photo et ses guides visuels, puis, pour finir, de deux fleur en proxi en noir et blanc retouchée pour donner cet effet. Travail d'essai numéro 1 sur Photoshop CC.