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Rio São Domingos, acima da Cachoeira da Farofa!
Parque Nacional do Caparaó, Alto Caparaó MG - Brasil
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Na foto acima, vemos o rio Tibre em Roma, com a ponte que conduz ao castelo de Sant´Angelo. Ao longo dessa ponte monumental, construída para resistir aos séculos, encontram-se imagens de anjos, os fiéis que transpõem lentamente a ponte, rezando diante dessas imagens certas orações prescritas pela Igreja, ganham indulgência plenária, desde que depois visitem o castelo. Os antigos imperadores romanos pagãos tinham o hábito de construir para si monumentos nos quais se faziam sepultar. E este, inserido na cidade de Roma, que serviu de base para o futuro castelo de Sant'Angelo, foi mandado construir pelo Imperador Adriano (78 – 138), a partir do ano de 135. Na época dos romanos, chamava-se Mole Adriana (Mole significa algo com grande massa). Apresenta um diâmetro colossal e é uma afirmação do poder romano. Na Idade Média, devido às contínuas guerras, este monumento passou a ter diversas finalidades.
Quem olha de fora o palácio do Vaticano percebe que, em determinada altura, parte um corredor construído sobre arcadas, que atravessa o Tibre e atinge o castelo. Qual a finalidade desse corredor? Quando havia perigo iminente de um Papa ser aprisionado, ele utilizava-o para atingir o castelo. Era a suprema defesa do Pontífice. Não era simpático um Papa morar numa fortaleza, mas era muito cômodo ele ter uma à sua disposição para escapar de seus inimigos.
Com o seu contorno inconfundível cilíndrico e posição particularmente cênica ao longo da costa do Rio Tibre, o Castelo Sant'Angelo é um dos mais famosos marcos da cidade de Roma. A sua aparência atual é o resultado de uma longa série de transformações que, na realidade, não deixaram vestígios da gloriosa Roma "Hadrianeum", o mausoléu que o imperador Adriano construiu para si e os seus sucessores. No centro, na cúpula da torre central, houve provavelmente uma estátua de bronze do imperador sob o disfarce do Sol, a comandar uma quadriga. Mas, nos tempos medievais, o mausoléu mudou a sua função de túmulo imperial. Torres e muralhas foram erguidas durante o reinado do imperador Aureliano e um bastião defensivo foi aqui construído durante as invasões bárbaras.
Na Idade Média, o Castelo Sant'Angelo tinha-se transformado numa fortaleza praticamente inexpugnável numa posição particularmente estratégica que defendeu a entrada norte da cidade. O Vaticano encomendou a construção de um corredor coberto e fortificado que ligava ao Palácio do Vaticano, com a finalidade de ser usado em caso de perigo, como uma rota de fuga extrema. O Castelo Sant'Angelo também serviu para guardar a riqueza dos papas: a sala do tesouro no centro do forte foi uma espécie de seguro para Roma durante o Renascimento. O castelo também foi usado para armazenar enormes reservas de alimentos, que eram para ser utilizados em caso de um ataque ou cerco prolongado. Havia conjuntos de odres nas paredes, caixas d'água enormes, celeiros e até um moinho.
No entanto, no passado, Sant'Angelo foi tristemente usado para funções de natureza muito mais graves, os seus pátios foram palco de execuções por decapitação e os chefes dos condenados foram então tristemente pendurados um por dia ao longo da ponte como uma terrível advertência. Nas pequenas, celas húmidas e escuras, os prisioneiros morreram de fome e sede ou devido a terríveis torturas. Foi aqui que Benvenuto Cellini, Cagliostro e Giordano Bruno foram presos antes de serem queimados na fogueira na praça Campo dei Fiori. Mais tarde, após o estabelecimento do Estado italiano, a estrutura foi transformada num quartel militar.
Hoje é visitado por turistas de todo o mundo e é o lar do Museu Nacional de Castelo Sant'Angelo. Um marco muito querido da cidade é a estátua do Arcanjo São Miguel, erguida no enorme terraço, da qual o castelo tem o seu nome. Foi criado em memória de uma antiga lenda que fala da terrível praga que atingiu Roma em 590 a.C. e que terminou graças à aparição de um anjo por cima do castelo concedendo este, a graça à cidade quando embainhou a sua espada. Terá sido uma lenda?
A lendo do Castelo de Sant'Angelo …Ou não será lenda?
No início da Idade Média disseminou-se uma epidemia muito grave em Roma. O Papa São Gregório Magno (590 – 604) ordenou missas e procissões na cidade em louvor a São Miguel Arcanjo, para afugentar a peste. Pouco depois, no ano de 590 o Arcanjo São Miguel apareceu ao Papa anunciando o fim da epidemia. E viu-se também o Arcanjo em cima da Mole Adriana, transformando assim a suprema glória de um Papa. É por isso que foi colocada no alto do edifício a imagem de São Miguel. Na história da Igreja são mencionadas duas aparições de S. Miguel: Uma ao Papa Gelásio I no monte Gargano embora a mais conhecida seja esta, de que foi dignado o Papa S. Gregório, o Grande. S. Miguel apareceu ao Papa no Castelo de Sant'Angelo e em sinal do fim da epidemia, meteu a espada na bainha. Realmente a epidemia sessou imediatamente de fazer vítimas.
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O marco de Hanôver é sem dúvida alguma a New Town Hall na foto acima. Dentro do prédio estão quatro modelos em escala real da cidade. Este edifício tem um elevador que se movimenta na diagonal, é um exemplar único a nível Europeu, que sobe à grande cúpula do edifício dando acesso a uma plataforma de observação que abrange praticamente toda a cidade, que grande privilégio é poder contemplar tal paisagem…
O New Town Hall ou New City Hall é a sede da Câmara Municipal e foi inaugurado a 20 de Julho de 1913, depois de ter demorado 12 anos a construir. É um magnífico edifício da era de Guilherme II junto a um lago na parte Sul do centro da cidade, já fora do centro histórico. O prédio ocupa uma área de 10 hectares. Foram autores deste projeto, os arquitetos Hermann Eggert e Gustav Halmhuber, no seu tempo, o edifício custou 10 milhões de marcos. "Dez milhões de marcos, Sua Majestade - e tudo pago em dinheiro", anunciou o diretor da cidade Heinrich Tramm quando a nova Câmara Municipal foi inaugurado pelo imperador Guilherme II. A praça em frente foi nomeada em sua honra com o nome de Trammplatz.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o edifício ficou muito danificado com os bombardeamentos Americanos no interior da cidade de Hanôver. O estado Alemão de Niedersachsen foi proclamado em 1946 no salão nobre deste majestoso edifício. A cúpula da Nova Prefeitura, com a sua plataforma de observação, tem quase 100 m de altura. O elevador para a cúpula é único na Europa, com o seu curso arqueado (parabólica, seguindo a forma da cúpula). É muitas vezes erradamente descrito como um elevador inclinado e comparado com os elevadores da Torre Eiffel, que na verdade só viajam na diagonal, sem alterar seu ângulo de inclinação. O elevador sobe o eixo de 50 metros num ângulo de até 17 ° para a galeria da cúpula, neste processo, o elevador move-se ao longo de 10 m. Durante a viagem, os dois cabos que suportam todo o peso acabam nos três rolos duplos que se encontram na parede do poço, sem dúvida uma obra de engenharia notável.
O elevador foi construído em 1913. Por causa do tempo, o elevador original não podia ser utilizado com o frio, estando portanto, parado durante metade do ano. Há no entanto uma escada em espiral, que conduz desde a saída do elevador até au nível do miradouro. Em 2005, mais de 90.000 pessoas visitaram a torre da Nova Camara. Um novo elevador foi instalado no inverno de 2007-08. A última viagem do antigo elevador foi feita com o Lord Mayor Stephan Weil a 4 de Novembro de 2007. Naquele fim-de-semana, 1200 pessoas tiveram uma última oportunidade de andar no elevador antigo.
Naquele que hoje, mais precisamente o ano de 2012, é considerado um elevador moderno, felizmente já tivemos o privilégio de viajar e é sem dúvida uma experiencia extraordinária, não só a viagem, mas a possibilidade de ver aquilo que a altura nos proporciona em termos paisagísticos, eis um belo exemplo na foto acima…
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San Giorgio Maggiore (vista na foto acima) é uma das ilhas de Veneza, que fica a leste da ilha Giudecca e a sul do principal grupo de ilhas. Está rodeada pelos Canais - Canale della Grazia, Canale della Giudecca, Canale di San Marco e pela Laguna de Veneza meridional. E faz parte do sestiere de San Marco.
A ilha foi provavelmente ocupada no período romano; depois da fundação de Veneza e foi chamada Insula Memmia pela família Memmo que era a sua proprietária. No ano 829 tinha uma igreja consagrada a São Jorge, daí que fosse chamada San Giorgio Maggiore (São Jorge Maior) para a distinguir de San Giorgio in Alga. O mosteiro beneditino de San Giorgio foi fundado em 982, quando o Doge Tribuno Memmo doou toda a ilha a um monge, Giovanni Morosini. Os monges secaram os pântanos da ilha próximos da igreja para conseguir terreno sobre o qual edificar.
San Giorgio é actualmente conhecida sobretudo pela sua Basílica de San Giorgio Maggiore, desenhada por Andrea Palladio que foi iniciada em 1566. Nesta ilha realizou-se o último conclave fora de Roma, o conclave de 1799-1800. No início do século XIX, depois da queda da República, o mosteiro foi quase suprimido e a ilha converteu-se num porto livre com uma nova baía construída em 1812. Nessa altura foi convertida na sede da artilharia de Veneza. Actualmente tem o quartel geral de um centro de arte da Fundação Cini, conhecida pela sua biblioteca e também a sede do teatro ao ar livre chamado Teatro Verde.
Na série de anime Negima! o desenho da Ilha Biblioteca é baseado em San Giorgio Maggiore, e a ilha é praticamente idêntica à real. A Igreja de San Giorgio Maggiore situa-se na Ilha homónima mesmo em frente à Praça de São Marcos. Além da magnífica fachada destaca-se o interior com dois quadros de Tintoretto, a Última Ceia e A Recolha do Maná. Do campanário é possível desfrutar de vistas deslumbrantes sobre toda a cidade. Aos domingos de manhã têm lugar na igreja os cânticos gregorianos dos monges.
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Numa caminhada de 40 minutos em uma trilha montanha acima da rampa de salto de asa delta, temos a Pedra Bonita, que para ir basta um pouco de disposição e uma boa vontade numa caminhada mediana.
Sabado de tarde tive a oportunidade de voltar neste lugar fantástico e mesmo com a chegada de uma frente fria que cobriu de nuvens baixas ate a onde a vista alcançava, o visual ficou diferente, mas não menos belo.
* Na sequencia as fotos estão abertas, pois já foram publicadas anteriormente, nelas podemos ver o que esta escondido debaixo das nuvens.
Fotos: Por do Sol acima das Nuvens na Pedra Bonita - Rio de Janeiro - Brasil
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Estátua dos dois libertadores no Malecón 2000, às margens do Rio Guayas. Acima, as bandeiras das dez atuais nações libertadas por eles do domínio espanhol. Guayaquil.
Acima - Eu e Cássia
Uma baiana linda que gostei muito de conhecer!
Embaixo - Eu e Ceres
Ceres é de uma tranquilidade incrível!!!
Esta capela (na foto acima) fica situada no Largo de São Silvestre. É uma capela de fundação muito antiga, tendo no início da sua formação um só altar, o do orago, passando depois a possuir mais dois, o de Nossa Senhora do Socorro e o de Santa Eufémia. Provavelmente edificada no séc. XVI, no arrabalde da vila, junto às Portas do Sol. Apresenta características maneiristas vernaculares, de planta longitudinal, composta por uma nave única e uma capela-mor mais estreita com cobertura de madeira. A fachada principal surge com um portal de verga reta. Sofreu em 1728 obras de restauro, durante as quais foi reparado o altar-mor onde se podia admirar a imagem do orago ladeada pelas imagens se S. Lopo e Nossa Senhora do Socorro. Em 1956, foi doada à Misericórdia para funcionar como capela mortuária; em 1967 reabriu novamente ao público unicamente como altar-mor.
Patrono, orago ou padroeiro é um santo ou anjo a quem é dedicada uma localidade, povoado, templo, capela ou igreja etc… A palavra orago deriva de oráculo. Na legislação que estabelece a simbologia associada às freguesias portuguesas, surgem frequentemente menções aos oragos dessas freguesias. Este facto tem dois significados: por um lado, tem o significado religioso de estender a proteção do santo para lá do templo, a toda a freguesia; por outro lado é um arcaísmo que reflete nos nossos dias as origens antigas das freguesias. Com efeito, embora hoje uma freguesia seja uma instituição de carácter político e administrativo, exclusivamente subordinada aos poderes civis, a sua origem é a paróquia católica, que constituiu em tempos a malha mais fina da administração em Portugal.
O topónimo da Covilhã estará relacionado com uma lenda. Segundo esta, o Conde Julião, governador de Ceuta, teria permitido a passagem dos mouros, por vingança, pelo facto da sua filha, Florinda, se ter enamorado por Rodrigo, o último rei dos Godos. Após a morte deste, numa batalha contra Tariq, esta ter-se-á refugiado nos Montes Hermínios e, pela sua astúcia e formosura, mereceu o respeito dos mouros e o nome de Cova. Seria o lugar da Cova Juliana ou Covaliana, a origem do nome da Covilhã. Há ainda quem conte que foram as condições em que a Covilhã se insere, com zonas de pastagens e refúgio do gado na Serra da Estrela que lhe deram o nome. Inicialmente conhecida como o Covil da Lã, hoje denomina-se Covilhã.
Esta linda cidade está situada na vertente sudeste da Serra da Estrela e é um dos centros urbanos de maior relevo da região juntamente com Coimbra, Aveiro, Viseu e Figueira da Foz. O seu núcleo urbano estende-se entre os 450 e os 800 m de altitude. O ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre 1 993 m, pertence às freguesias de Unhais da Serra (Covilhã), São Pedro (Manteigas), Loriga (Seia) e Alvoco da Serra (Seia), sendo, por isso, pertença de três municípios: Covilhã, Manteigas e Seia, mas dista cerca de 20 km do núcleo urbano da Covilhã, sendo a Covilhã, por isso, a cidade portuguesa mais próxima do ponto mais alto de Portugal Continental. É uma cidade de características próprias desde há séculos, conjugando em simultâneo factos interessantes da realidade portuguesa. Num estudo elaborado pelo jornal Expresso, sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas, a Covilhã ocupa a 14ª posição, situando-se à frente das restantes cidades do interior do país. O passado da Covilhã remonta aos tempos da romanização da Península Ibérica, quando foi castro proto-histórico, abrigo de pastores lusitanos e fortaleza romana conhecida por Cava Juliana ou Silia Hermínia. Quem mandou erguer as muralhas do seu primitivo castelo foi D. Sancho I que em 1186 concedeu foral de vila à Covilhã e mais tarde, foi D. Dinis quem mandou construir as muralhas do admirável bairro medieval das Portas do Sol. Era já na Idade Média uma das principais "vilas do reino", situação em seguida confirmada pelo facto de grandes figuras naturais da cidade ou dos arredores se terem tornado determinantes em todos os grandes Descobrimentos dos séculos XV e XVI: o avanço no Oceano Atlântico, o caminho marítimo para a Índia, as descobertas da América e do Brasil e a primeira viagem de circum-navegação da Terra. A expansão para além-mar iniciou-se com a conquista de Ceuta em 1415. Personalidades da Covilhã como Frei Diogo Alves da Cunha, que se encontra sepultado na Igreja da Conceição, participaram no acontecimento. A presença de Covilhanenses em todo o processo prolonga-se com Pêro da Covilhã (primeiro português a pisar terras de Moçambique e que enviou notícias a D. João II sobre o modo de atingir os locais onde se produziam as especiarias, preparando o Caminho Marítimo para a Índia) João Ramalho, Fernão Penteado e outros. Em plena expansão populacional quando surge o Renascimento, o sector económico tinha particular relevo na agricultura, pastorícia, fruticultura e floresta. O comércio e a indústria estavam em franco progresso. O Infante D. Henrique, conhecendo bem esta realidade, passou a ser "senhor" da Covilhã. A gesta dos Descobrimentos exigia verbas avultadas e as gentes da vila e o seu concelho colaboraram não apenas através dos impostos, mas também com o potencial humano.
Infelizmente nos dias que correm não temos responsáveis políticos com essa visão, e o resultado negativo da politica atual ou da falta dela, bem mostra que nem tudo são rosas, aliás nos tempos que correm são certamente mais os espinhos a encravar a já difícil vida do povo que vive no interior do Pais e que cada vez mais, tende a cair no esquecimento dos nossos governantes que mal se apanham no poleiro logo tratam de encher os bolsos desrespeitando de forma sistemática as obrigações para as quais foram eleitos. Que pena que eu sinto de viver num tempo onde os responsáveis políticos tao miseravelmente tratam o seu povo e o seu próprio Pais sem nunca serem responsabilizados ou punidos por os graves erros que cometem durante os seus mandatos, portajando de uma forma maciça a única estrada digna desse nome que dá acesso ao interior e que ainda por sima foi paga com fundos comunitários mas que agora serve para poder roubar mais um pouco um Pais que por si só já tem muito pouco para dar, e desta forma privar não só o povo Português mas também o povo de Espanha de visitar e poder contemplar toda a beleza das cidades e aldeias do interior, que pena que sinto e ao mesmo tempo até vergonha de ser governado por um grupo de burocratas incompetentes, egoístas e não raras vezes corruptos que teimam em engordar-se a si próprios e a meia dúzia de amigos roubando o pouco que resta aos que já muito pouco têm para dar, tudo isto em seu próprio beneficio, esquecendo-se muito rapidamente do verdadeiro motivo pelo qual o povo os elegeu e lhes paga ordenados chorudos e reformas ainda mais gordas ao fim de meia dúzia de anos em que a única coisa que fizeram foi engordar e nada fazer, deixando assim a nação cada vez mais pobre e um interior que podia muito bem aproveitar os seus recursos naturais em beneficio do seu crescimento e desenvolvimento mas que desta forma se sente cada vez mais abandonado e mais desprezado no seu próprio Pais…
Mais uma vez gostaria de dizer que toda esta importância corre um grave risco de se perder num curto espaço de tempo se a administração central não tomar medidas que contrariem a decadência e a desertificação a que todo o interior do pais está sujeito com tão graves medidas que estão a ser tomadas todos os dias por quem tao pouco conhece da realidade desta região e que corta com régua e esquadro sem qualquer critério os poucos benefícios que tão bem estavam atribuídos a este povo que tanto deles precisam para poderem subsistir a estes tempos difíceis que se avizinham…Um grande bem-haja para o povo da Covilhã…
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♫ Os grandes Deuses do Olímpo Chegaram na nossa cidade
O Rio continua lindo , um Pantheon de verdade.
Apolo adorou o som, o pôr do sol e a tarde
Poseidon olhou o mar e disse: É isso que é felicidade
Hermes mensageiro falou pro pessoal, Que o Rio de Janeiro é sempre carnaval
Até o Dionísio caiu na bateria, Afrodite é rainha da folia
Hera se encantou com a lua do arpoador, Atena se encantou com a vista lá do redentor
Ôooo O Rio de Janeiro continua lindo
Ôooo todo mundo sambando, todo mundo curtindo, alô Vila Isabel
Ôooo Rainha da folia é Afrodite
Ôooo.
Hércules falou povão trabalhador , Artemis na floresta se enche de amor
Efesus disse a Ares: O Rio é de paz
E todos responderam: O Rio é demais
Zeus mandou dizer que os jogos estão pra chegar
O Baile ta uma uva,
Os deuses vão ficar por aqui, não vão querer voltar para Olimpo não
De jeito nenhum, Ôooo
Ficaram até de perna bamba, De tanto sambar
Ôooo ♫
A Pedra Gávea nesta imagem me lembrou o Monte Olimpo, por isto a escolha desta canção.
A foto principal foi feita no final da tarde de sábado quando uma frente fria começou a chegar na cidade cobrindo de nuvens ate onde a vista alcançava, deixando de fora como ilhas num mar de espuma apenas as montanhas mais altas.
A Pedra Bonita local onde foi tirada as fotos fica 176 metros acima da rampa de salto de Asa Delta, para subir bastar tem pelo menos um pouco de disposição e boa vontade para subir um trilha mediana por cerca de 30 a 40 minutos, mas a visão lá de cima compensa qualquer esforço físico, mesmo que encontre o tempo assim coberto por este Mar de Nuvens.
* Todas as fotos abaixo foram tiradas da Pedra Bonita em uma outra ocasião que la estive e nelas podemos ver o que há por debaixo das nuvens da foto principal, a praia que vemos na 3ª e 4ª fotos é a Praia de São Conrado e na ultima foto vemos ao fundo a Praia de Ipanema.
* Apenas a primeira foto da sequencia esta aberta, pois já foi publicada anteriormente.
Foto: Pedra da Gávea vista da Pedra Bonita - Rio de Janeiro - Brasil
Conforme a Lei 9.610/98, é proibida a reprodução total ou parcial ou divulgação comercial ou não sem a autorização prévia e expressa do autor (artigo 29). ® Todos os direitos reservados.
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A Pedra da Gávea é um monólito de gnaisse cujo ponto culminante situa-se na Barra da Tijuca, estendendo-se pelos bairros do Joá, do Itanhangá e de São Conrado, Rio de Janeiro, Brasil. Com topo de granito subindo 842 metros acima do nível do mar, é o maior bloco de pedra a beira mar do planeta.
O batismo da Pedra da Gávea remonta à épica expedição do capitão Gaspar de Lemos, iniciada em 1501, de que participou igualmente Américo Vespúcio, e na qual também o Rio de Janeiro recebeu sua denominação. Foi a primeira montanha carioca a ser batizada com um nome em português, após ter sido avistada, no primeiro dia de janeiro de 1502 pelos seus marujos, que reconheceram em sua silhueta o formato de um cesto de gávea, dando origem ao termo usado para toda a região da Gávea Pequena e para o atual bairro da Gávea (wikipedia)
Esta foto foi tirada na Pedra Bonita no Sabado Passado quando uma frente fria chegou a cidade do Rio cobrindo de nuvens ate onde a vista alcançava, deixando apenas os picos das montanhas mais altas da cidade acima das nuvens, mas o que me chamou mais atenção nesta foto foi a sombra que a Pedra da Gávea fazia acima das nuvens
Diferente da Pedra da Gávea que o Grau de dificuldade é bem maior, para subir a Pedra Bonita não há muita diculdade, basta apenas um pouco de disposição e boa vontade de subir por um trilha que comeca proxima a rampa de salto de Asa Delta.
Erroneamente muitas pessoas acham que a Rampa de Salto esta na Pedra Bonita, talvez pela proximidade dela, mas a Rampa fica 176 metros abaixo e fora do Monólito, como podemos ver perfeitamente na captura de tela que esta na sequencia.
Foto: Pedra da Gávea vista da Pedra Bonita - Rio de Janeiro - Brasil
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Como mostra a foto acima, as corujas conseguem girar a cabeça a 180°, virando a cabeça toda para trás. Virando o pescoço para um lado de cada vez, elas conseguem olhar para todo o espaço ao redor sem mexer o corpo. A coruja virando a cabeça impressiona porque seu pescoço parece grosso, em razão da plumagem. Por baixo das penas, porém, ele é mais fino e flexível.
Essa habilidade integra a sensível visão à audição apurada, ou seja, ao virar a cabeça, visão e audição estão apontadas para mesma direção. Além disso, o disco facial, sempre bem destacado pela plumagem, funciona como uma antena parabólica, que capta e amplia os menores ruídos. Para completar, os ouvidos são desalinhados e assim permitem a esse predador da noite a localização precisa do alvo.
fonte de consulta: revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT625292-1716-2,...
ou coruja-da-igreja, ou coruja-branca, ou coruja católica, ou rasga-mortalha.
A crista de penas acima do bico parece um nariz.
Vê 100 vezes melhor que o homen
Um pouco mais acima da Cascatinha de Taunay e no meio da Floresta da Tijuca surge ao visitantes um linda Capela cor de Rosa.
Foi atraves da minha foto do interior da capela que acabei conhecendo o Tri Neto de Antonio Jose Alves Souto, o Visconde de Souto que foi o responsavel pela construçao da mesma.
Ele me pediu a autorizaçao de usar esta foto do interior da capela ( na sequencia) na Biografia que ele e sua prima estao fazendo sobre a vida do Visconde de Souto.
Na epoca ate me espantei, pois essa foto foi feita atraves do vidro da porta da capela que estava fechada.
Abaixo segue o texto que ja publiquei no passado, e que foi escrito por Francisco Souto Neto exclusivamente para postar no meu flickr.
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No transcorrer do século XX a história da Capela Mayrink vinha sendo contada com grandes erros. Até mesmo Raymundo Ottoni de Castro Maya, que foi diretor da Floresta da Tijuca no biênio 1943-1944, afirmava no seu livro “A Floresta da Tijuca”, publicado em 1967, que a Capela Mayrink teria sido erguida na segunda metade do século XX, “no sítio da Baronesa de Rouhan”. A informação era errada. Autores como Carlos Manes Bandeira (em “Parque Nacional da Tijuca”), Francisco de Paula Mayrink Lessa (em “Vida e Obra do Conselheiro Mayrink”) e Brasil Gerson (no apêndice do livro “O ouro, o café e o Rio”), dentre inúmeros outros, afirmam que seu construtor foi o Visconde de Souto.
Diz Souto Neto que uma das primeiras pesquisadoras a divulgar pela imprensa contemporânea que o oratório hoje conhecido como Capela Mayrink fora mandado construir pelo Visconde de Souto, foi a jornalista Maria Therezinha C. L. de Oliveira, na página 8 da edição de 12 de outubro de 1968, do jornal O Globo.
Em prol da verdade histórica e da exatidão dos fatos, informa Francisco Souto Neto que a Fazenda Bela (ou Boa) Vista foi propriedade, respectivamente, do Conde de Gestas, Visconde de Souto (que mandou construir a capela) Conde de Bonfim, Barão de Mesquita, Francisca Elisa de Mesquita e conselheiro Mayrink. Em 1897 a propriedade foi a última a ser desapropriada, para compor o Parque Nacional da Tijuca. Quando o Visconde de Souto era dono da Fazenda Bela Vista, a região chamava-se "Serra da Tijuca" e era uma área cafeeira. Depois do reflorestamento ordenado por D. Pedro II, os cafezais desapareceram e nasceu a atual Floresta da Tijuca. Somente a Capela Mayrink foi poupada, e hoje deve a sua existência ao IPHAN.
A data da construção da capela vinha constando em diversos livros como se fosse 1860. Graças às pesquisas efetuadas no IPHAN por Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini, e também com base em Francisco de Paula Mayrink Lessa, neto do Conselheiro Mayrink, descobriu-se que a data correta era 1850. Ao mesmo tempo, a museóloga Ana Cristina P. Vieira, atual Coordenadora de Cultura do Parque Nacional da Tijuca, também pesquisava a história da Capela Mayrink e descobriu que não era correta a data que estava inscrita na estrela branca de oito pontas que existe no centro do frontão da capela. E teve a feliz iniciativa de corrigir o erro, alterando a data do frontão para 1850.
O livro que Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini estão escrevendo chama-se:
“Visconde de Souto – Ascensão e ‘Quebra’ no Rio de Janeiro Imperial”.
Francisco Souto Neto
Foto: Capela Mayrink - Floresta da Tijuca - Rio de Janeiro - Brasil
As fotos da segunda sequencia estão abertas pois ja foram postadas anteriormente e na ultima foto ha o gentil comentario do Tri Neto do Visconde de Souto
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(...) Mas acima de tudo eu só queria ser uma coisa. Eu queria ser a pessoa em quem você pensa antes de dormir.
A intenção da foto era aparecer só essa frase, mas acabei gostando mais dessa foto que não mostra o que estou escrevendo hehe Não é um diário, é apenas uma agenda (onde eu anoto um monte de coisa) mas deu vontade de escrever um textinho (mesmo não tendo talento para tal).
Ainda estou sem muitas idéias. Quer dizer, idéias eu tenho mas não tenho ânimo para tentar colocá-las em prática. Eu só ando estudando e daqui duas semanas já começam as provas. Alguém me salva?
Estou com mais duas fotos novas no explore, estou tão feliz!!! Valeu gente :)))
Estórias de Mário Costa Santos -
uma grande poça que se enchia de água no inverno e primavera.
Durante o tempo que morei em Leça da Palmeira na Rua Brito Pais logo acima da Rua Sacadura Cabral da Lininha da escola pré-infantil, do Tony dos Carvalhos, do garageiro da Amorosa, do Tó Neves dos Mouras, dos Ratinhos, da Amélinha dos Gatos, da ilha da Bruxa e da "loja do Sr. António Trafulha", mais tarde "Adega da Bruxa" várias foram as vezes que lá me desloquei só ou acompanhado. Eu, por altura da minha infancia, pertencia à seita da Aldeia Nova era bastante conhecido e popular com muitos amigos e vizinhos que vou agora recordar, sabendo,desde já, que nem todos vão aqui ser registados.
Na Rua General Carmona hoje em dia Rua General Humberto Delgado , ao começar a rua no cruzamento com a Av. dos Combatentes da Grande Guerra moravam :
O Venâncio, (cujo pai Sr. Venâncio era Construtor Naval e até tinha um estaleiro à beira , expressão típica de Leça, da Ponte Tavares, mais ou menos no enfiamento da intersecção da Quinta de Santiago com a Quinta da Conceição, terminava aqui o porto a nascente da ponte móvel , com as obras de ampliação do Porto de Leixões teve que mudar para a Telegrafia, tendo os Fèrrinhas mudado para a Rua Hintze Ribeiro), junto à loja da Milheira e da ilha do Lima, sobrinho da velha glória do Basket de Leça , da "Adega dos Paivas" dos armazéns de vinho , o Manuel Faustino , mais acima o Nelson filho do Sr. António, da Fábrica das Cordas do Quintas & Quintas, que uma vez me apanhou sentado a comer morangos na Quinta do Rangel pegada à Fabrica e que ele guardava,o Carlose o Mário Foma e irmão mais velho banheiro, o Quim da Birra e irmão, o Zézinho das pombas, os Rabumbas ( 2 rapazes e uma rapariga) que pertenciam ao Rabumba o "Aveiro" com busto no jardim junto à Capela de Ruas dos Franciscanos , o Zé Manel dos Jeovás, a Sãozinha que o pai estava para a Venezuela, a Alzirinha Cardona catequista, o Manel da Guida dos Caetanos sendo que dois deles o Zé António e o irmão o Xico Caetano jogaram nos Leões da Agra,o Zé Quitolas e o irmão Adriano das Gagas, peixeiras, o Quim Farrameco, das Pichorras :o Zeca Taira e o Berto fundadores dos Santistas clube de futebol amador e que depois de terem regressado do Ultramar emigraram para o Luxemburgo, o Berto Choiças, filho do Monteiro dos Táxis, O Zé Henrique e irmão Zé Fim filhos do Sr. João Sá Pereira que chegou a ter uma Confeitaria na Rua Fresca em frente à loja do Manel Sem Pila, , todos eles me conheciam bem e carinhosamente me tratavam pelo nosso Mário "Gato" ou Mário Brazuca, que nunca foi ao Brasil mas tinha lá o pai e o irmão Nélinho Gato .
Todos nós nos conhecíamos pelas alcunhas próprias ou das familias.
Na minha Rua de Brito Pais residiam ainda, o Fernando Garcia filho da Ireninha, enfermeira, o Desidério Rato, O Jesus Cambey, cunhado do Té, morava, com o "papi" o Sr. Eugénio da Fábrica Ramirez e "mani"em frente à minha casa naquela que fora a casa da Dona Zaida e prof. Dona Beatriz de Portugal do Externato Avé Maria à beira da Capela de Ruas, dos Pissas Rotas : o Manel Reis , a Ana e o irmão Tone Cholas, o Edgar Lima " Shalouza",filho do Sub chefe da Policia o Sr. Lima, o meu senhorio que morava por cima de mim o Sr. António das Flores e que foi jardineiro em casa do Conde de Leça Nogueira Pinto que fez uma estufa toda em vidro e tinha sempre, gladíolos, avenca, crisantemos, dálias rosas, tulipas e todo o tipo de flores que vendia para o mercado Municipal de Matosinhos para a loja do florista do Sr. Joaquim das Flores,que podia observar do meu quintal e tinha tambem um cão chamado LULU, o Zé Luis " o Vaca espantada" que era neto da Gracindinha mãe do nosso Zé Luis dos Leões, o Sr. Constantino,sapateiro, (dono de um cão o JOLIE que levávamos - o Mário, o Zé Luis, o Tone Larangeira, o Xico Caetano - na caça aos gatos até à Rua Nogueira Pinto no Corpo Santo) e que naquele tempo tratava das chuteiras colocando-lhes as travessas a oficina era pegada à loja do Sr. Alexandre,(junto à casa do Sr. Arquitecto Bruno Reis que projectou a Residência Paroquial e o Salão para a Igreja do Padre Alcino como nós dizíamos), no lado oposto um talho de esquina em frente na que foi casa de arquitecto nasceu a que foi mais tarde a sede da Portuguesa de Leça na Rua Direita ( a mais torta de Leça) esquina com a Congosta do Abade.
No Constantino sapateiro trabalhou também o Zé da Padeirinha que morava na Rua Humberto Cruz em frente da casa do Fernando, da Maria Aurora, que vendia hortaliça na loja de esquina com Rua Sarmento Beires e, que chegou a correr ciclismo na Ambar, o pai era marmorista e tinha estabelecimento já na subida para Santana mas próximo à porta de baixo do cemitério, nesta rua mais abaixo ficava a loja do Sr. Alfredo e mais acima no mesmo passeio e depois de passar a loja e "Mercearia do Sr. Francisco" ficava a do irmão " "Mercearia do Sr. Artur",a loja de electrodomésticos do Fernando Santos, " o bóia", pai do Fernando Santos do CAL,ficava em frente à loja " Mercearia da Emilinha" esposa do Sr. Alfredo.
Na Rua Sarmento Beires morava a D. Mariazinha do Edgar (sogra do Venãncio) e irmão, havia uma carpintaria de limpos,a loja do Sr. José , " Adega do Policia " cunhado do Sr. Alexandre que tinha uma loja no Monte," Adega do Alexandre", o Fernando Chanana,o Quim do Monte,do outro lado depois de atravessar a Rua General Carmona ,o Lúcio, que foi guarda redes dos Magiares e do Leixões,o Carlos Vinhal, o ZéZé, os Bentos,os Maganinhos : o Tone e o Quim que foi dos leões, o irmão adoptivo Zé Maria e o Corsário , o Josué Maravalhas dos Magiares que foi trabalhar para a Facar, o Artur Lopes, ao virar para o largo do monte logo a seguir à quinta da Rangel e ao quintal do Sr. Alexandre da loja tinhamos para um lado a casa dos Barquinhos junto à cabine da luz, para poente a casa do sapateiro e o campo dos arames para a seca do bacalhau em frente a casa do Miguel e Edison Mota e do Manel e Zé Henriques dos "Casquinhas" .
Na Rua Manuel Gouveia o Zé Viana e os sobrinhos Manuel João e o irmão Albano cujo pai trabalhava na APDL, o Américo "Vai-Sempre", os " grilos" Quim , Tone e Candido Grilo, o José Tatarita que era cunhado do Malhão casado com a Arminda Araca e que moravam todos na ilha dos Grilos e na esquina o dono da Tipografia Arteal depois de passar a General Carmona para o outro lado residiam o Joaquim Viana e na mesma casa os Ritas em frente a Ção Pichorra casada mais tarde com o Fernando Monteiro que chegou a Presidente do Leça Futebol Clube e assim chegados à Rua Humberto Cruz íamos encontrar a casa dos Chaves, Américo Belém, Zé do Carmo, Zé Pimpim, o Pepe carpinteiro que era guarda redes, o Quim Marrassol, o Joãozinho, jogou nos Leões de Leça e da Agra e no Leça F C.
Na Rua Coronel Sarsfield, os "Grulhas" : Benjamim, Jaime e Tone e mais tarde aqui abriu a "Adega do David", na Travessa da Agra havia a " Adega do Barriguinha", o " Talho do Senhor José" e mais tarde abriu o " Tone das Francesinhas ", o Rafael Carvalho e o irmão Fernando Fufas, que era padeiro na Padaria Luanda, onde de madrugada íamos ao pão, o Manel Gavina "Poveirinho", que morava na ilha da Chica à Nora, o Manuel Silvério da "Francesa", os Neivas, o Tone e o Manel, o Heitor, barbeiro e do Teia e o irmão Rogério e dando a volta para baixo, ao passar pela "Adega do Avelino" onde se cantava o Fado.
Aí ficava o larguinho da Aldeia Nova local onde o Teia tocava nas rifas de S. João, tinhamos o "Café Laika" do Sr. António onde jogávamos aos matraquilhos, snooker, ao 31 com 3 bolas de bilhar, à sueca , ao dominó ao belga, à bisca de seis neste jogo era frequente o Inocêncio Rato pegar-se com o Artur ( eram os dois estivadores), o Marta, o Quim Grilo, o João Frasco e o irmão Manel Frasco, o Zé Viana formavam a equipa mais apreciada, o Sr. Páscoa da GNR, que nos perdoava as multas ao jogar à bola na Rua, morava aqui bem como o António Lima "Brites", o Madalena e o irmão Nélinho "Toydd", que gostava muito de filmes de Karaté quando os 1ºs foram exibidos no Salão Paroquial, na ilha dos Larotes, logo abaixo do Café Laika morava o Quim Mascote quase em frente à loja do Sr. Ribeiro que tinha na montra uma lousa de escola onde escrito a giz se podia ler : "Adega o Ribeiro é Aqui " . Todos os dias à tarde, com ordens de ir para bordo às 10 da noite,os camaradas, contra mestres e mestres de traineiras, arrastões de pesca ou rebocadores da APDL vizinhos reuniam-se aqui para jogar ao "Twist", "Sueca", "Damas" e "Domino" quase sempre quem perdia e teria que pagar para todos uma receita de vinho e cerveja,cheguei a comer lá uma " caldeirada de lulas pequeninas" preparada por pescadores amigos, foi comer e chorar por mais.Clientes: João Tatarita, Malhão,mestre João Algarvio ( pai do Helder de Cabanas e tio do Varinho ), que viviam junto ao José Rato das pombas de concurso, o Valente ,o Tone Norinha irmão do Zé Nora e pai do Norinha que foi do Teia e eis que chegamos de novo à Rua Manuel Gouveia onde iniciamos o caminho para o rio.
Começa na Travessa do Monte flanqueamos a casa do Zé Viana entramos na Quelha, por onde o lavrador Sr.Abóbora, proprietário dos campos, fazia ir e vir a carroça dos bois para transporte de tudo, à direita as hortas dos vizinhos com todo o tipo de hortaliças e mais alguma, bem tratadas até chegar ao larguinho da Aldeia Nova à esquerda o pinhal de pinheiros bravos e mansos do abóbora.Seguimos em frente e paramos junto à Nora, aproveitamos e comemos uvas americanas já maduras, amoras e com a fisga de borrachas virgens atiramos a algumas flausinhas difìceis de atingir mas que nunca fogem tornando-se um alvo de caça apetecível,Quando a terra a nascente até à viela que vai para Rodão ,outrora campo de milho, está lavrada atira-se aos pardais ou armamos com ratoeiras a fogo às chirinas o lagarto da espiga do milho era o isco, Do lado poente até à Rua da Telegrafia um grande lameiro com choupos e espaço aberto até ao Rio Quá-Quá onde nós armamos aos Pintassilgos com cardos e varetas de visgo, tinha êxito, sucesso na caça quem tivesse o canário-travesso mais cantador para chamar ao visgo os pintassilgos.
Chegados ao Quá-Quá o chilrar das rãs, as colheres de pau fazem recordar as tardes solarengas de sábado e domingo onde a seita da aldeia nova cujos nomes quase todos aqui citei confraternizava jogando ao Quino ( Bingo), ouviam relatos de futebol e combinavam encontros de futebol.A cabine de Alta tensão cercada a muros com arame farpado era ponto de referência a norte deste local.Aqui recordo uma ocasião que tendo levado comigo o cão "LULU" que não me pertencia a passear o atirei a este "Rio".Como o pensei ver atrapalhado atirei-me todo vestido á água do Rio de Quá-Quá para o salvar e o devolver direitinho ao seu legitimo dono o meu senhorio o Sr. António das Flores.
Aquele "sitio" onde socialmente tudo acontecia era o Café.
Leça fervia de movimento nos anos 60/70 .
Junto à Igreja Matriz situava-se, para alguns, o centro com a Junta de Freguesia, correios, bombas de gasolina Shell e Sacor e a paragem términus do autocarro 76 dos STCP com o quisosque onde se registava o totobola e compravam os jornais : Comércio do Porto, 1º Janeiro, JN, A Republica, o Diário Popular, Diário de Lisboa, Norte Desportivo, Bola, Record, revistas e tabaco :
SG,PORTO,RITZ,MONSERRATE,KENTUCKY,PORTUGUÊS SUAVE,AVINTES,PROVISÓRIOS, DEFINITIVOS,ETC...
As empresas de transporte de passageiros da RESENDE e CASTELO DA MAIA com carreira para norte: Perafita, Lavra, Angeiras,..também tinham aqui a sua paragem, junto à actual praça de Taxis.
A actividade laboral era intensa : Facar(fábrica de tubos metálicos, de servente na Galvanização da 1/2 noite às 06:00 H da manhã,soldador de fita para tubo na máquina R20, turno das 6 às 15 H e 15 às 24 H alternadamente por semana, a despenseiro na Cantina no turno da noite, 15 ás 24 ).
Por essa altura, deu-se início à construção, nos terrenos da "areia de same", da Refinaria da Sacor. Então, por cá, viam-se muitos estrangeiros trabalhadores qualificados das principais empresas que a construiram : Foster Wheeler (USA); Comsip (FR) ; Snamprogetti (IT) . Da participação lusa ( é o nosso destino : sempre tarefeiros dos poderosos da Europa) recordo os subempreiteiros de mão de obra pouco qualificada : a Mecanomar (Leça) e F.Mocho (Matosinhos). Por altura das paragens qualquer um de nós podia arranjar trabalho numa destas empresas. Aos rapazes, enquanto não tivessem a tropa feita era quase impossível uma colocação no mundo do trabalho.
Estaleiros Navais ( Férrinha), Conserveiras (Ramirez, Eifel,..),Fábrica de Cordas do Quintas & Quintas, APDL ( oficinas gerais), Porto de Leixões com cais de carga e descarga com os seus muitos Guindasteiros e estivadores, Madeireiros , Transitários, Pescadores ( arrasto, artesanal, traineira ) , Pilotos de Barra ( que saiam do cais do relógio ) , devido à actividade maritima os tripulantes dos navios mercantes encontravam em Leça o "STELLA MARIS" para alguns e para outros os bares de alterne: Cubata,Cervejaria Pinto,Cabana,Esporão,onde se podiam relaxar, divertir...e pôr a conversa em dia.
Os mais novos enquanto estudantes frequentavam : as escolas primárias públicas (d'Amorosa, da Praia (duas), do Corpo Santo (só para meninas), e os privados colégios Stº António e externato Avé Maria ; no ensino secundário : Liceu Nacional D.Manuel II ( secção de Matosinhos - ao jardim Basílio Teles ) e Escola Industrial e Comercial de Matosinhos os alunos, quase todos na sua maioria, deslocavam-se para as aulas a pé, atravessando a Ponte Móvel seguindo pela Rua Conde Alto Mearim até às escolas 4 vezes ao dia demorando em cada percurso cerca de 45mn ( horário para almoço 2 horas!).
No Desporto o acontecimento foi o Campeonato do Mundo de Futebol de 1966 assisti ao jogo Portugal 5 - Coreia do Norte 3 num dos poucos cafés com Televisão ( Preto/Negro ) o "Café Leça" propriedade de uma antiga glória do ciclismo o Sr. Agostinho Brás.
Outros cafés : Café Nacala,Conf. Briosa,Café da Ponte, Café Laika,Café Titã, Café Maravista,Marimanda,Café do Florival eram tambem ponto de encontro para se pôr a conversa em dia ou estudar. As horas mais procuradas eram : a) Intervalo para almoço ; b) Tardinha saída de trabalho ; c) Após jantar até 22:30 H.
O cinema começa aparecer, primeiro, com a construção do Salão Paroquial da Igreja de Leça e, mais tarde, com a inauguração do cinema Chaplin junto ao café da Ponte e confeitaria Star, à ponte móvel.
Os mais velhos, já reformados, nas salas de jogos entretinham-se jogando ao Dominó ( ao Belga e Passe ) ou cartas ( sueca, copas e bisca ) e os mais novos ao Bilhar snooker ( por vezes ao "matos" ) e bilhar livre ( ao 31 ) até à hora do jogo do Leça FC ( sempre às 15:00 H de domingo ).
Os cafés enchiam de gente que íam ver os encontros antes e depois do jogo.
Bolas de snooker
Nas noites de sábado os jovens deixavam-se estar no café até mais tarde ( quem pagasse a licença poderia fechar às 2:00 H da madrugada ) e, então, no meu caso no Café Leça, era habitual e sistemático, por volta da 1/2 noite, o pedido : " Quero um Fino, uma Francesinha e um Cimbalino, por favor" ( Menu = 300$00= 1,5€ ).Os empregados na altura eram : O gerente António (Tone das Francesinhas), ao balcão: o João, às mesas ; o Agrelos, o Manel, e o Zé ( irmão do fadista César Morgado) que muito me aturaram e que recordo com a amizade .
Há coisas que acontecem quando as palavras galgam as margens do nosso rio e correm vagarosamente até ao grande oceano da amizade .... afinal parece que o rio Quá-Quá ainda não secou. Pelos vistos continua a debitar caudais enormes de memórias e a construir pontes entre amigos que não de peito mas de vivências enormes nos mesmos lugares de infância e juventude. . . não perder os lugares, as coisas, os relatos, as memórias das pessoas que se moldaram entre si, moravam nas mesmas ruas e que conheciam as casas onde cada uma delas habitava, as suas famílias quase como numa aldeia qualquer onde todos conheciam o Rio de Quá-Quá, fonte de energia, amizade e conhecimento na antiga Leça da Palmeira.
(*****)"Fui visitar o teu Blogue, lendo com especial atenção teu Rio Quá-Quá da nossa infância. Quanta saudade.
Fiz uns acrescentos ao teu texto que levarás ou não em consideração porque te esqueceste de alguma malta, ligeiramente mais velha do que tu.
Por exemplo o meu primo Horácio Anselmo que morava na Rua Sarmento Beires em frente aos Maganinhos e que jogou basket no Leça apesar de não ser muito alto. Julgo que foi pupilo do Cláudio e contemporâneo do Artur que morava na Rua Coronel Sarsfield.
Esqueceste-te do António Andrade que morava na esquina de Humberto Cruz com Sarmento Beires, por cima do Manel Edgar (o pai chamava-se Hildegardo, mas era conhecido por senhor Edgar) tio dos António Caetano Soares, Zé António e Xico (o terror dos gatos).
Na Rua Humberto Cruz, quase pegado à loja do senhor Alfredo e da Emilinha, morava o Santos "morre ao sol" que jogou futebol no Leça e na APDL.
Na esquina da Rua General Carmona com Sarmento Beires, moraram dois amigos, o Manuel Bonito e o Filipe, lembras-te deles? A carpintaria na Rua Sarmento Beires, de que falas, era do senhor Bernardino casado com a Candidinha, pais de três filhas.
Não falas da tua quase vizinha Adelaide e do seu irmão ( Zé) Pedro, filhos do senhor Cardoso e da Glorinha, que moravam entre a casa da Mariazinha e a casa do senhor Monteiro, pai do Berto.
O senhor Alexandre da loja da Rua Manuel Gouveia é irmão (não cunhado) do senhor José Polícia.
Antes que me esqueça, lembro-me perfeitamente do cão que referes ( o cão preto chamado LATAGÃO ), que eu julgava ser teu, que fugia aos apanhadores de cães vadios da câmara. Era um espectáculo com vocês a ajudar a complicar a vida aos homens ajudando o cão a fugir.
....Na Rua do Sol Poente, mesmo no sítio do "falecido" Campo do Leça, assim a olho, no local onde era a tasquinha e havia uma porta de saída ( e uma cabine eléctrica ) para o Monte. Estás lembrado?
A propósito, julgo que no Monte nunca se secou bacalhau, mas sim redes de pesca."
Joguei à bola no Campo das Varas
Leça da Palmeira. Anos 60. A paixão do Futebol. Jogo de onze contra onze. Acordo entre as equipes. Muda aos 6 acaba aos 12. Os adolescentes e jovens que o praticavam adoptavam regras muito simples. Não havia árbitro , nem marcação de campo. As balizas eram duas pedras. O jogo era interrompido, maioria das vezes por consenso, quando a bola ía fora ou então se havia mão na bola. O
" corner " era assinalado mas o " Off side " não. Se algum jogador se magoava também se interrompia a contenda para o assistir . Não se utilizavam equipamentos a diferenciar as equipes. Nada de camisolas, calções, meias, caneleiras, joelheiras ou chuteiras. Havia até quem jogasse descalço. Geralmente estes jogos realizavam se nos vários campos pelados existentes à época.
No Corpo Santo, logo a seguir à Quinta dos Ingleses, na Rua Nogueira Pinto havia o chamado " Campo dos Trolhas ". Era ocupado pelos rapazes que frequentavam a Marimanda ou a Capela de Ruas. Terminou quando lá construíram um prédio a que puseram o nome do "Hospital" por ser forrado a azulejo branco. Próximo o " Campo das Varas ", o mais importante, a catedral do futebol, onde as diversas seitas apresentavam as suas melhores equipes. Os proprietários a seita de Fuselhas e da " Ilha da Cona Bicanca". Em disputa estava sempre uma quantidade volumosa de figurinhas, cromos da bola. Cada equipe apresentaria uma certa quantidade. O vencedor do jogo acabaria por levar todas que estavam à guarda de um fiel depositário. Deste campo, no fim dos jogos, ía-se directamente à "praia da freiras" tomar banho era só atravessar a rua da praia. A " Praia das freiras " fica na margem esquerda da Piscina das Marés, do arquitecto Siza Vieira, na margem direita fica a " Praia da Meia Laranja ". Nesta, no paredão de suporte à rua, existia o buraco que indicava uma conduta de água que vinha do " Campo Vadio " . Como adolescente e rapaz da rua, da seita da Aldeia Nova, atravesseis-o muitas vezes e não tive medo dos grandes ratos de àgua que por lá apareciam. Era todo coragem. Este campo sendo relvado, diferente do da terra preta e dura do das Varas, era macio e húmido. Tinha dono. A seita do Sardoal e dos da Boa Nova. Saía daqui para casa atravessando as bouças do Sardoal, passava , com curiosidade e medo, pelo abrigo da " Reclame " que aí dedicando-se há mais velha profissão do mundo recebia : criança, jovem, menos jovem e velho. A todos acenava. Passando a Rua do Sardoal, subia os quintais arrendados, também
Ao meu tio Zeca, Guarda Republicana, lavrador nas horas livres. Entrava no Monte da Seca do Bacalhau, com esteios e arames. Lá em cima ao chegar à casa do sapateiro , mas antes da casa dos Barquinhos havia outro campo - " 0 Bordeiro " . Ficava no topo norte do antigo Campo do Leça Futebol Clube nos terrenos do seu proprietário o Sr. Joaquim Abóbora. Nos Sábados à tarde disputavam se os principais jogos, o jogo dos mais velhos, a modos de 1* Categoria, era vê-los. O Zeca Taira, o Bierre ( irmão do Domingos ) , o Marta, o Quím Grilo, o Eduardo, o João e o irmão , que moravam na Ilha do Larote, junto ao Café Laika, e tantos outros , todos eles da seita da Aldeia Nova.
Estes eram os Campos...a formação em todas as ruas até que chegasse o grito da mãe a chamar pelo filho para ir jantar.....
Bem acima de tudo eu queria pedir milhões de desculpas pro maycon, eu viajei, depois eu fiquei lotada com o colégio (período integral é TERRÍVEL) enfim, só hoje consegui terminar mesmo a blend..
- Curiosidades sobre mim -
01. Eu sou bv porque eu dou fora em todos os caras que chegam em mim.
02. Eu detesto preconceito, qualquer mesmo(cor, sexo, religião..), já briguei com várias pessoas defendendo outras
03. Eu tenho mais amigos virtuais que ao vivo.
04. Meu maior sonho é dar um abraço na Drew B. ela é minha maior diva
05. Eu coleciono etiquetas de roupas, já encontrei algumas tão fodas, aiai.
Eu indico Manux3, Gui ea Dary '
Proponho a blendarem a Drew Barrymore
*só eu e o hugo blendamos ela poxa*
O trabalho apresentado acima é de autoria ATELIER BELLY by Raquel M. Belloli com todos os direitos
autorais reservados, por isso, fica proibido qualquer divulgação ou cópia do mesmo.
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Raquel E. Marcatto Belloli
(19) 3807-1749
Acima de Nós só Deus, porque aqui somos todos iguais meu irmão, Ninguém é mais que ninguém, Absolutamente!
The only reference I could find about Near-Death Experiences in A Course in Miracles. Photo is PUBLIC DOMAIN from www.SpiritualCosmicAwakening.Net.
'
' Acima de tudo, persevera na Fé, porque tudo o mais envelhece, se desfaz, mas ela, abençoada pelo tempo, só cresce, só se solidifica.
Que neste dia, ela nos motive, nos console, nos preencha.
E graças a ela, possamos enxergar Deus caminhando conosco, enxugando nossas lágrimas, aliviando nossas cargas.
Fé é isso, ver o impossível com cores reais... ''
Acima: “O Transe” acrílica s/ tela de JAIME PRADES.
Abaixo: texto escrito pelo artista JAIME PRADES
Divulgo porque concordo. Se você também concorda, divulgue!
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A legitimidade das ruas
A história que ainda não foi contada sobre o grafite de São Paulo.
de Jaime Prades*
Estavamos no começo da década de 80. As sirenes dos camburões da polícia militar rasgavam as avenidas da cidade. Quem viveu esses anos lembra-se da cena típica de criação de pânico - assustadoramente estudada - com os “meganhas” pendurados para fora dos furgões Chevrolet armados até os dentes e batendo na lataria das portas de forma insana como cães raivosos, no melhor estilo dos quadrinhos do Luis Gê.
As ruas eram um território dominado pela brutalidade e ignorância das forças armadas que sistematicamente alimentavam o medo nos espaços públicos e davam o tom de pavor no palco urbano. Mais de uma vez esse teatro patético de última categoria terminava em tragédia e gerando vítimas reais. Era o Brasil do final da ditadura e as ruas, as de São Paulo.
Da janela do ônibus lotado, voltando para casa carregando minhas coisas e meus 23 anos nas costas, em 1981 vi pela primeira vez um grafite do Alex Vallauri. Não estou falando de frases escritas que sempre existiram e existirão, imagino. Refiro-me a desenhos e bem gráficos: uma acrobata dando uma pirueta, quase um carimbo, uma bota sexy, um telefone estampado na parede...para falar com quem? Comigo?...
Anos depois descobri que essa acrobata é um detalhe de um quadro de Georges Seurat "O circo" de 1891 hoje no Musée d’Orsay de Paris. Alex, com o seu olhar erudito de gravador, indo além da releitura arrancou esse detalhe e o estampou por São Paulo e Nova York. Só essa citação nos permite criar associações e perceber a poética e a consciência da atitude do artista quando foi para a rua.
Alex Vallauri (1949/1987) foi o primeiro artista de rua do Brasil. Dessa nova arte urbana que hoje domina o cenário internacional e traz oxigênio para as artes plásticas.
Ele ultrapassou a fronteira invisível que separa o público do privado; o instituido do libertário; o templo da rua. E enfrentou o poder de exclusão do sistema de arte exercitando o poder de criar seu próprio espaço. Alex foi o primeiro a ter um trabalho público sistemático e a nos surpreender com seus comentários visuais.
Qualquer país que valorize sua própria cultura e se orgulhe de seus artistas nunca deixaria que um artista com o seu valor tivesse sua obra canibalizada e seu trabalho à beira do esquecimento.
Até hoje não temos sequer um livro e uma grande exposição sobre a sua obra.
Aqui no Brasil, como em muitas culturas que foram dominadas e sofreram isolamento, ainda há muito desprezo pelo que é original. Esse traço colonial ainda sobrevive escondido, embora
perceptível, no abandono do que não é avalizado pela Europa ou pelos EUA. Em outras palavras: o que tem valor é o que faz sucesso lá fora. Até hoje não foi escrito um texto crítico decente
sobre o grafite na década de 80. A instalação do MIS mostra mais uma vez o descaso e incompreensão do que fizemos.
Voltando para a nossa história, que é a que deve ser contada aqui. Na linha de frente Alex abriu a arte urbana e como o rastro de um cometa uma geração de artistas seguiu e expandiu o seu caminho mudando definitivamente a arte brasileira.
A distância do tempo permite-nos visualizar alguns momentos mais definidos dessa história. A partir de Alex a arte de máscara (papel recortado) com spray (stencil art) foi a que predominou nessa primeira fase. A rapidez para realizá-los e o grande efeito dos “carimbos” possibilitaram que esses pioneiros driblassem a polícia, o que não era brincadeira.
Carlos Matuck, Waldemar Zaidler, Maurício Villaça, Hudinilson Jr., Vado do Cachimbo, Ozéas Duarte e Julio Barreto são os representantes legítimos dessa linguagem.
Eu entro nessa história em 1983, quando atendo o telefonema que o Alex mandou naquele seu grafite:
-alô, quem fala?
-oi, aqui é o Tupinãodá...
-Tupinãodá?
Pois é, Tupinãodá... o que que é isso?
Um grupo de artistas pensando o espaço público.
A primeira formação dos seus fundadores: Zé Carratü, César Teixeira, Eduardo Duar e Milton Sogabe que com os geógrafos Antonio Robert de Moraes e Armando Correia da Silva da USP pensavam o espaço urbano e formas de interferências públicas.
O nome Tupinãodá é de um poema de Antonio Robert de Moraes que diz:
“Você é Tupi daqui
Ou Tupi de lá,
Você é Tupiniquim
ou Tupinãodá?”
A partir desse momento até 1989, apesar do grupo contar com muitos colaboradores, participantes esporádicos e convidados, a dupla que se manteve como eixo central foi
Zé Carratü e Jaime Prades, que nos últimos anos contaram com a presença permanente de Carlos Delfino. Fomos nós 3 que fizemos a histórica exposição do Tupinãodá na galeria Subdistrito em 1988 convidados por Rubem Breitman e João Satamini e no Museu de Arte Contemporânea MAC/USP em 1989.
O Tupinãodá foi o primeiro coletivo de artistas de rua do Brasil.
Em 1987, unidos por Alex Vallauri e Maurício Villaça no evento “A trama do gosto” da Fundação Bienal de São Paulo eu, Zé Carratü, Carlos Delfino, Rui Amaral, Alberto Lima e Claudia Reis saímos de lá decididos a conquistar as paredes públicas dos túneis que ligam a Av. Paulista às Avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo, quando fizemos os primeiros mega grafites da história contemporânea brasileira, e à luz do dia.
Máquinas, seres, labirintos, estruturas, cidades, dragões surgiram do nada e até hoje estão na memória de todos os que pássaram por lá. Crianças que hoje tem 30 anos ou mais lembram delas. O impacto dessas pinturas feitas na raça com a cara e a coragem trouxeram para a nossa comunidade uma arte até esse momento numa dimensão desconhecida até por nós que as realizamos.
A rua foi um catalizador, nossa experiência ao fazê-las era aberta, não sabíamos onde chegaríamos. Criamos um repertório de símbolos e signos que se replicavam e ocupavam o espaço arquitetônico modelando-se sobre as paredes.
Jean Dubuffet - o grande artista francês fundador da “art brut” - é na minha opinião a referência essencial e precursor da arte urbana de grande escala. Ele conceituou o processo criativo de continuidade como “fluxo de consciência”. Esse fenômeno de permitir que a mente canalize a expressão como um fluxo tendo ao mesmo tempo consciência sobre isso é um processo criativo que de certa forma atemoriza algumas correntes artísticas que têm muita dificuldade em lidar com tudo que não deve ser controlado totalmente.
Quando o fazer artístico se atreve a soltar as amarras do intelecto e a aventurar-se nos planos da experiência unificando-se num estado de integração plena em uma espécie de meditação ativa, não pode haver controle total. Esses artístas são os que têm a coragem de pular do abismo sabendo que depois de pular não tem volta.
Estou aqui contando essa história porque, hoje mais de 20 anos depois, na exposição “i/legítimo: dentro e fora do circuíto” que inaugurou no sábado dia 18 de outubro passado e ficará aberta a visitação até dia 11 de Janeiro de 2009 no Museu da Imagem e do Som de São Paulo/MIS (www.mis-sp.org.br), o espaço dedicado a todo esse movimento vital na transformação da arte urbana brasileira, é um retângulo de 3 x 1,5 m.
Diante de tamanho desafio o curador convidado pelo museu, Marcos Mello, tentou fazer o impossível além de arrancar os cabelos. Como reduzir o projeto inicial, acordado com o museu de uma mega exposição sobre a história do grafite da década de 80 que ocuparia todo o MIS, para um espaço com menos de 5 m²?
Apesar de toda sua boa vontade e esforço a maneira como a pequena instalação está colocada diante do resto da mostra dá a impressão que está ali porque não deu para nos por para fora. Tentando explicar melhor a situação, se o museu fosse uma mansão gigante, um duplex último modelo, o espaço destinado à nós - quero dizer do Alex até o final que ainda não contei, mais de 10 anos de arte urbana - seria do tamanho do quarto de empregada. Mas aquele quarto de empregada minúsculo, cruel, para ela dormir em pé.
Mais uma vez a ironia apresenta-se neste artigo: como nós que conquistamos espaços enormes nas ruas da cidade, totalmente expostos, vulneráveis, sujeitos a violência, ataques, prisões, estamos alí num cubículo claustofóbico, humilhante, injusto, ilegítimo?
Que tipo de análise e visão pode atrever-se a nos espremer numa espécie de esquife, de caixão mortuário, ainda vivos? Vivíssimos, diga-se de passagem, já que muitos de nós estamos mais ativos do que nunca como artistas urbanos e plásticos.
Será que nosso trabalho ainda tem o poder de incomodar tanto uma certa elite do sistema de arte que até agora não entendeu nada do que fizemos, ou não quer reconhecer, ou, pior, trabalha para desacreditar nossas conquistas?
Seja lá o que for é uma injustiça com o público. É eticamente condenável impedir que as novas gerações saibam a importância do que aconteceu e tenham acesso à verdadeira história.
Que estas palavras tenham repercussão e cheguem a mentes mais generosas e inteligentes é a intenção deste texto. Todos aqueles que participaram desse momento e guardam na sua memória a experiência dos nossos grafites sabem que, naquele momento, traduzimos em imagens a transformação que vivíamos na nossa sociedade após anos de repressão.
Para concluir, a partir de 1990, como uma espécie de fermento descontrolado as gangues da periferia, que também experimentavam o processo democrático, começaram a pixar tudo. Nossos trabalhos foram os primeiros a tombar...e a cidade foi tomada pelos pixadores. Só anos depois que uma nova geração tomou conta da arte de rua.
E essa história está só começando.
*Jaime Prades é pintor, escultor, artista de rua, designer gráfico e inventor de coisas variadas.
Este texto está disponível no seu site assim como fotos dos grafites da década de 80 e atuais.
As opiniões expressas neste texto são de total e única responsabilidade do autor.
Viaduto Santa Ifigênia.
Acima, o Mirante do Vale; abaixo, o terminal de ônibus Paissandú (ou Correio).
São Paulo - São Paulo - Brasil.
Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, um pouco acima da Praia do Tupé, há uma comunidade cabocla, composta por 2 famílias de índios Dessanas (oriundos do alto Rio Negro), além de alguns representantes das etnias Tucano e Tuiúca. Na maloca indígena, organizam uma demonstração de seus ritos ancestrais, numa cerimônia realmente autêntica, que dá uma boa noção de suas músicas, cantos e danças. No final, vendem seus produtos artesanais. Cuidamos de retirar fotos não apenas das malocas cerimoniais, mas também das casas das tribos, para atentar quanto a sua humilde simplicidade.
Dessana-Tukana
Na mitologia Desana – Kehíripõrã a mulher ocupa um lugar privilegiado na criação do mundo. Enquanto na mitologia cristã destaca-se um ser do sexo masculino como fazedor do mundo ou como o Grande Criador, na mitologia dos índios Desana –Kehíripõrã aparece resplandecente uma figura feminina como a Grande Criadora – Yebá Buró.
Criação do Mundo para os Índios Dessana.
Deus criou o mundo em 7 dias...do Caos grego saíram os cinco primeiros deuses...Bhrama tudo criou...Estas são todas referências da criação mais ou menos conhecidas para a maioria de nós. A história bíblica é a mais conhecida no mundo cristão, a mitologia grega nos vem a partir de todo o legado cultural do Ocidente e já a mitologia hindu nos chega a partir do resgate mais recente da religiosidade e cultura orientais. Mas, e o que dizer dos mitos da criação dos índios brasileiros?
Enquanto o distante e exótico da cultura celta ou hindu nos desperta fascínio, pouco sabemos a respeito dos mitos de nossos próprios (e distantes) ancestrais. A alma brasileira, além da influência européia e africana, tem um importante componente indígena que precisa ser resgatado e melhor conhecido. Dizia Micea Eliade (1978) que o sagrado é parte da estrutura da consciência humana e a mitologia, neste caso, seria a expressão mais evidente desta nossa relação com o sagrado, manifestando-se em todos os povos conhecidos. Assim, o olhar para a mitologia dos índios brasileiros pode representar mais um importante caminho de conexão com o sagrado e lançar luz sobre a nossa busca por padrões e semelhanças que nos revelem um pouco mais sobre os mistérios da “criação”, formação humana e da natureza, entre outros.
O mito da criação dos índios Dessana, traz-nos, por exemplo, um pouco dessa inspiração e revela muitas semelhanças com outros mitos mais explorados.
“A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma a partir de seis coisas invisíveis: bancos, suportes de panela, cuias, cuias de ipadu (coca), pés de maniva (muda de mandioca) e cigarros. Na sua morada de quartzo, enquanto mascava ipadu e fumava cigarro, começou a pensar em como deveria ser feito o mundo. Seu pensamento começou a tomar forma de uma esfera, culminando com uma torre. A esfera incorporou a escuridão. Ainda não havia luz, a não ser no compartimento onde estava a mulher, que era todo branco, de quartzo. Depois criou cinco trovões imortais, e deu a cada um deles um compartimento da esfera. Na extremidade da torre ficava um morcego de asas enormes. Esses compartimentos tornaram-se casas, e só neles havia luz, como no compartimento de Yebá bëló. Esta encarregou os trovões de fazerem o mundo, criarem a luz, os rios e a futura humanidade.
A casa do primeiro trovão ficava no sul. A do segundo, no leste, na cachoeira Tunuí, no rio Içana. A do terceiro ficava no alto; nesta é que ficavam as riquezas, os enfeites de dança mágicos para formar a futura humanidade. A casa do quarto trovão ficava a oeste, no rio Apaporis. A do quinto, no norte, na cabeceira. Yebá bëló, por sua vez, criou um ser invisível, Ëmëko sulãn Palãmin, e deu-lhe a ordem de fazer as camadas do universo e a futura humanidade. Ëmëko criou o sol. Os trovões ficaram enciumados com o poder de Ëmëko Sulãn Palãmin, mas ele posteriormente os apaziguou. Yebá bëló formou a terra a partir de sementes de tabaco tirados de seu seio esquerdo e a adubou com o leite do seio direito. Ëmëko sulãn Palãmin então, dirigiu-se para a casa do terceiro trovão e lá encontrou com o chefe dos Dessana e com o terceiro trovão. Este deu a eles riquezas e cada par de enfeites representava um homem e uma mulher. O trovão ensinou o rito para transformá-los em seres humanos. O trovão recomendou então, que cada um colhesse uma folha nova de ipadu de um pé que havia no pátio e a engolisse. Quando sentissem dor na barriga, deveriam acender o turi (madeira produtora de fogo), molhá-lo numa cuia d'água e beberem o conteúdo, em seguida vomitarem em um só buraco do rio. Assim fizeram os dois heróis e apareceram duas mulheres muito bonitas. Feito isso, o terceiro trovão decidiu acompanhá-los para ajudá-los a formar a futura humanidade.”
A história dos índios Dessana traz vários elementos recorrentes na mitologia de vários povos. “A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma” – Os mitos sempre falam das águas primordiais e do nada de onde tudo surge, ou seja, a figura do Caos grego e que depois gera Gaia ou Bhrama que nascem deles mesmos. Yebá bëló depois que se cria, pensa em como deveria ser feito o mundo. O antigo Caibalion egípcio tem como um de seus aforismos a natureza mental do mundo – primeiro vem o pensamento, depois a manifestação. O próprio I Ching, no seu ciclo, tem o hexagrama Ch´ien, o criativo que representa a concepção ou a criação anterior a Chên que seria o impulso inicial da manifestação. Este início da história já revela um razoável nível de complexidade teológica que parece em desacordo com a nossa usual imagem dos índios brasileiros como povos altamente primitivos.
O pensamento de Yebá bëló começa a tomar a forma de uma esfera que culmina numa torre. Na ciência dos números, este movimento de criação é normalmente representado por um círculo inicial e logo após pelo surgimento de um ponto que seria análogo ao cone que Yebá bëló cria com o próprio pensamento. Depois disso, ela cria os cinco trovões imortais que estariam associados aos cinco elementos (terra, água, ar, fogo e éter) ou às quatro direções (norte, sul, leste e oeste) e à ponta do cone (centro). O número 5 é normalmente associado ao homem, são os quatro elementos que o compõe mais o elemento espiritual da consciência. O cone, neste caso, seria uma combinação entre o mundo manifestado e o mundo espiritual.
Quando Yebá bëló cria Ëmëko sulãn Palãmin, este se encarrega de criar o sistema solar. Os trovões sentem ciúme, assim como os Titãs, simbolizando a sucessão de forças da natureza que vão sendo substituídas na sequência da manifestação. O universo se expande passo a passo, assim como os elementos vão surgindo e os filhos vão destronando os pais, assim como Zeus faz com Cronos.
Na sequência da história, Yebá bëló cria a terra e a fertiliza a partir do seu próprio corpo. Da mesma forma, acontece com Tiamat da tradição mesopotâmica e com Yimir (deus) da tradição escandinava ou Gaia da tradição grega, só que no caso de Tiamat e Yimir, Marduk e Odin os mata para então utilizar o seu corpo na criação. E curioso, pois o elemento do conflito não é tão claramente expresso no mito dos Dessana, não há uma ruptura clara entre os Trovões e Ëmëko sulãn Palãmin, mas antes um acordo, diferente dos outros mitos mencionados. Talvez esta seja uma diferença entre uma sociedade que projete mais a cooperação (o acordo entre as várias forças da natureza) e não uma drástica ruptura (quando acontece no momento em que um deus destrona ou mata o outro).
Ëmëko sulãn Palãmin, ao se encontrar com o chefe dos Dessana e o terceiro trovão para criar os seres humanos pode ser visto como a ancestralidade celeste que os Dessana reconhecem do seu povo, a exemplo das Dinastias tidas como Divinas no caso do Egito, Suméria, Babilônia, Japão, China e outros povos.
São muitos os paralelos entre o mito da criação dos Dessana e o mito grego relatado por Hesíodo e em distintos mitos da criação. Este são apenas alguns dos elementos explorados.
Há muito resgate a se fazer - o estudo da mitologia dos índios brasileiros pode lançar significativa luz sobre os mistérios da cosmogênese e colaborar para esta conexão mencionada inicialmente entre o homem e o sagrado. O mito de criação do mundo dos Dessana é apenas um dos muitos mitos indígenas.
Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, um pouco acima da Praia do Tupé, há uma comunidade cabocla, composta por 2 famílias de índios Dessanas (oriundos do alto Rio Negro), além de alguns representantes das etnias Tucano e Tuiúca. Na maloca indígena, organizam uma demonstração de seus ritos ancestrais, numa cerimônia realmente autêntica, que dá uma boa noção de suas músicas, cantos e danças. No final, vendem seus produtos artesanais. Cuidamos de retirar fotos não apenas das malocas cerimoniais, mas também das casas das tribos, para atentar quanto a sua humilde simplicidade.
Dessana-Tukana
Na mitologia Desana – Kehíripõrã a mulher ocupa um lugar privilegiado na criação do mundo. Enquanto na mitologia cristã destaca-se um ser do sexo masculino como fazedor do mundo ou como o Grande Criador, na mitologia dos índios Desana –Kehíripõrã aparece resplandecente uma figura feminina como a Grande Criadora – Yebá Buró.
Criação do Mundo para os Índios Dessana.
Deus criou o mundo em 7 dias...do Caos grego saíram os cinco primeiros deuses...Bhrama tudo criou...Estas são todas referências da criação mais ou menos conhecidas para a maioria de nós. A história bíblica é a mais conhecida no mundo cristão, a mitologia grega nos vem a partir de todo o legado cultural do Ocidente e já a mitologia hindu nos chega a partir do resgate mais recente da religiosidade e cultura orientais. Mas, e o que dizer dos mitos da criação dos índios brasileiros?
Enquanto o distante e exótico da cultura celta ou hindu nos desperta fascínio, pouco sabemos a respeito dos mitos de nossos próprios (e distantes) ancestrais. A alma brasileira, além da influência européia e africana, tem um importante componente indígena que precisa ser resgatado e melhor conhecido. Dizia Micea Eliade (1978) que o sagrado é parte da estrutura da consciência humana e a mitologia, neste caso, seria a expressão mais evidente desta nossa relação com o sagrado, manifestando-se em todos os povos conhecidos. Assim, o olhar para a mitologia dos índios brasileiros pode representar mais um importante caminho de conexão com o sagrado e lançar luz sobre a nossa busca por padrões e semelhanças que nos revelem um pouco mais sobre os mistérios da “criação”, formação humana e da natureza, entre outros.
O mito da criação dos índios Dessana, traz-nos, por exemplo, um pouco dessa inspiração e revela muitas semelhanças com outros mitos mais explorados.
“A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma a partir de seis coisas invisíveis: bancos, suportes de panela, cuias, cuias de ipadu (coca), pés de maniva (muda de mandioca) e cigarros. Na sua morada de quartzo, enquanto mascava ipadu e fumava cigarro, começou a pensar em como deveria ser feito o mundo. Seu pensamento começou a tomar forma de uma esfera, culminando com uma torre. A esfera incorporou a escuridão. Ainda não havia luz, a não ser no compartimento onde estava a mulher, que era todo branco, de quartzo. Depois criou cinco trovões imortais, e deu a cada um deles um compartimento da esfera. Na extremidade da torre ficava um morcego de asas enormes. Esses compartimentos tornaram-se casas, e só neles havia luz, como no compartimento de Yebá bëló. Esta encarregou os trovões de fazerem o mundo, criarem a luz, os rios e a futura humanidade.
A casa do primeiro trovão ficava no sul. A do segundo, no leste, na cachoeira Tunuí, no rio Içana. A do terceiro ficava no alto; nesta é que ficavam as riquezas, os enfeites de dança mágicos para formar a futura humanidade. A casa do quarto trovão ficava a oeste, no rio Apaporis. A do quinto, no norte, na cabeceira. Yebá bëló, por sua vez, criou um ser invisível, Ëmëko sulãn Palãmin, e deu-lhe a ordem de fazer as camadas do universo e a futura humanidade. Ëmëko criou o sol. Os trovões ficaram enciumados com o poder de Ëmëko Sulãn Palãmin, mas ele posteriormente os apaziguou. Yebá bëló formou a terra a partir de sementes de tabaco tirados de seu seio esquerdo e a adubou com o leite do seio direito. Ëmëko sulãn Palãmin então, dirigiu-se para a casa do terceiro trovão e lá encontrou com o chefe dos Dessana e com o terceiro trovão. Este deu a eles riquezas e cada par de enfeites representava um homem e uma mulher. O trovão ensinou o rito para transformá-los em seres humanos. O trovão recomendou então, que cada um colhesse uma folha nova de ipadu de um pé que havia no pátio e a engolisse. Quando sentissem dor na barriga, deveriam acender o turi (madeira produtora de fogo), molhá-lo numa cuia d'água e beberem o conteúdo, em seguida vomitarem em um só buraco do rio. Assim fizeram os dois heróis e apareceram duas mulheres muito bonitas. Feito isso, o terceiro trovão decidiu acompanhá-los para ajudá-los a formar a futura humanidade.”
A história dos índios Dessana traz vários elementos recorrentes na mitologia de vários povos. “A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma” – Os mitos sempre falam das águas primordiais e do nada de onde tudo surge, ou seja, a figura do Caos grego e que depois gera Gaia ou Bhrama que nascem deles mesmos. Yebá bëló depois que se cria, pensa em como deveria ser feito o mundo. O antigo Caibalion egípcio tem como um de seus aforismos a natureza mental do mundo – primeiro vem o pensamento, depois a manifestação. O próprio I Ching, no seu ciclo, tem o hexagrama Ch´ien, o criativo que representa a concepção ou a criação anterior a Chên que seria o impulso inicial da manifestação. Este início da história já revela um razoável nível de complexidade teológica que parece em desacordo com a nossa usual imagem dos índios brasileiros como povos altamente primitivos.
O pensamento de Yebá bëló começa a tomar a forma de uma esfera que culmina numa torre. Na ciência dos números, este movimento de criação é normalmente representado por um círculo inicial e logo após pelo surgimento de um ponto que seria análogo ao cone que Yebá bëló cria com o próprio pensamento. Depois disso, ela cria os cinco trovões imortais que estariam associados aos cinco elementos (terra, água, ar, fogo e éter) ou às quatro direções (norte, sul, leste e oeste) e à ponta do cone (centro). O número 5 é normalmente associado ao homem, são os quatro elementos que o compõe mais o elemento espiritual da consciência. O cone, neste caso, seria uma combinação entre o mundo manifestado e o mundo espiritual.
Quando Yebá bëló cria Ëmëko sulãn Palãmin, este se encarrega de criar o sistema solar. Os trovões sentem ciúme, assim como os Titãs, simbolizando a sucessão de forças da natureza que vão sendo substituídas na sequência da manifestação. O universo se expande passo a passo, assim como os elementos vão surgindo e os filhos vão destronando os pais, assim como Zeus faz com Cronos.
Na sequência da história, Yebá bëló cria a terra e a fertiliza a partir do seu próprio corpo. Da mesma forma, acontece com Tiamat da tradição mesopotâmica e com Yimir (deus) da tradição escandinava ou Gaia da tradição grega, só que no caso de Tiamat e Yimir, Marduk e Odin os mata para então utilizar o seu corpo na criação. E curioso, pois o elemento do conflito não é tão claramente expresso no mito dos Dessana, não há uma ruptura clara entre os Trovões e Ëmëko sulãn Palãmin, mas antes um acordo, diferente dos outros mitos mencionados. Talvez esta seja uma diferença entre uma sociedade que projete mais a cooperação (o acordo entre as várias forças da natureza) e não uma drástica ruptura (quando acontece no momento em que um deus destrona ou mata o outro).
Ëmëko sulãn Palãmin, ao se encontrar com o chefe dos Dessana e o terceiro trovão para criar os seres humanos pode ser visto como a ancestralidade celeste que os Dessana reconhecem do seu povo, a exemplo das Dinastias tidas como Divinas no caso do Egito, Suméria, Babilônia, Japão, China e outros povos.
São muitos os paralelos entre o mito da criação dos Dessana e o mito grego relatado por Hesíodo e em distintos mitos da criação. Este são apenas alguns dos elementos explorados.
Há muito resgate a se fazer - o estudo da mitologia dos índios brasileiros pode lançar significativa luz sobre os mistérios da cosmogênese e colaborar para esta conexão mencionada inicialmente entre o homem e o sagrado. O mito de criação do mundo dos Dessana é apenas um dos muitos mitos indígenas.
Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, um pouco acima da Praia do Tupé, há uma comunidade cabocla, composta por 2 famílias de índios Dessanas (oriundos do alto Rio Negro), além de alguns representantes das etnias Tucano e Tuiúca. Na maloca indígena, organizam uma demonstração de seus ritos ancestrais, numa cerimônia realmente autêntica, que dá uma boa noção de suas músicas, cantos e danças. No final, vendem seus produtos artesanais. Cuidamos de retirar fotos não apenas das malocas cerimoniais, mas também das casas das tribos, para atentar quanto a sua humilde simplicidade.
Dessana-Tukana
Na mitologia Desana – Kehíripõrã a mulher ocupa um lugar privilegiado na criação do mundo. Enquanto na mitologia cristã destaca-se um ser do sexo masculino como fazedor do mundo ou como o Grande Criador, na mitologia dos índios Desana –Kehíripõrã aparece resplandecente uma figura feminina como a Grande Criadora – Yebá Buró.
Criação do Mundo para os Índios Dessana.
Deus criou o mundo em 7 dias...do Caos grego saíram os cinco primeiros deuses...Bhrama tudo criou...Estas são todas referências da criação mais ou menos conhecidas para a maioria de nós. A história bíblica é a mais conhecida no mundo cristão, a mitologia grega nos vem a partir de todo o legado cultural do Ocidente e já a mitologia hindu nos chega a partir do resgate mais recente da religiosidade e cultura orientais. Mas, e o que dizer dos mitos da criação dos índios brasileiros?
Enquanto o distante e exótico da cultura celta ou hindu nos desperta fascínio, pouco sabemos a respeito dos mitos de nossos próprios (e distantes) ancestrais. A alma brasileira, além da influência européia e africana, tem um importante componente indígena que precisa ser resgatado e melhor conhecido. Dizia Micea Eliade (1978) que o sagrado é parte da estrutura da consciência humana e a mitologia, neste caso, seria a expressão mais evidente desta nossa relação com o sagrado, manifestando-se em todos os povos conhecidos. Assim, o olhar para a mitologia dos índios brasileiros pode representar mais um importante caminho de conexão com o sagrado e lançar luz sobre a nossa busca por padrões e semelhanças que nos revelem um pouco mais sobre os mistérios da “criação”, formação humana e da natureza, entre outros.
O mito da criação dos índios Dessana, traz-nos, por exemplo, um pouco dessa inspiração e revela muitas semelhanças com outros mitos mais explorados.
“A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma a partir de seis coisas invisíveis: bancos, suportes de panela, cuias, cuias de ipadu (coca), pés de maniva (muda de mandioca) e cigarros. Na sua morada de quartzo, enquanto mascava ipadu e fumava cigarro, começou a pensar em como deveria ser feito o mundo. Seu pensamento começou a tomar forma de uma esfera, culminando com uma torre. A esfera incorporou a escuridão. Ainda não havia luz, a não ser no compartimento onde estava a mulher, que era todo branco, de quartzo. Depois criou cinco trovões imortais, e deu a cada um deles um compartimento da esfera. Na extremidade da torre ficava um morcego de asas enormes. Esses compartimentos tornaram-se casas, e só neles havia luz, como no compartimento de Yebá bëló. Esta encarregou os trovões de fazerem o mundo, criarem a luz, os rios e a futura humanidade.
A casa do primeiro trovão ficava no sul. A do segundo, no leste, na cachoeira Tunuí, no rio Içana. A do terceiro ficava no alto; nesta é que ficavam as riquezas, os enfeites de dança mágicos para formar a futura humanidade. A casa do quarto trovão ficava a oeste, no rio Apaporis. A do quinto, no norte, na cabeceira. Yebá bëló, por sua vez, criou um ser invisível, Ëmëko sulãn Palãmin, e deu-lhe a ordem de fazer as camadas do universo e a futura humanidade. Ëmëko criou o sol. Os trovões ficaram enciumados com o poder de Ëmëko Sulãn Palãmin, mas ele posteriormente os apaziguou. Yebá bëló formou a terra a partir de sementes de tabaco tirados de seu seio esquerdo e a adubou com o leite do seio direito. Ëmëko sulãn Palãmin então, dirigiu-se para a casa do terceiro trovão e lá encontrou com o chefe dos Dessana e com o terceiro trovão. Este deu a eles riquezas e cada par de enfeites representava um homem e uma mulher. O trovão ensinou o rito para transformá-los em seres humanos. O trovão recomendou então, que cada um colhesse uma folha nova de ipadu de um pé que havia no pátio e a engolisse. Quando sentissem dor na barriga, deveriam acender o turi (madeira produtora de fogo), molhá-lo numa cuia d'água e beberem o conteúdo, em seguida vomitarem em um só buraco do rio. Assim fizeram os dois heróis e apareceram duas mulheres muito bonitas. Feito isso, o terceiro trovão decidiu acompanhá-los para ajudá-los a formar a futura humanidade.”
A história dos índios Dessana traz vários elementos recorrentes na mitologia de vários povos. “A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma” – Os mitos sempre falam das águas primordiais e do nada de onde tudo surge, ou seja, a figura do Caos grego e que depois gera Gaia ou Bhrama que nascem deles mesmos. Yebá bëló depois que se cria, pensa em como deveria ser feito o mundo. O antigo Caibalion egípcio tem como um de seus aforismos a natureza mental do mundo – primeiro vem o pensamento, depois a manifestação. O próprio I Ching, no seu ciclo, tem o hexagrama Ch´ien, o criativo que representa a concepção ou a criação anterior a Chên que seria o impulso inicial da manifestação. Este início da história já revela um razoável nível de complexidade teológica que parece em desacordo com a nossa usual imagem dos índios brasileiros como povos altamente primitivos.
O pensamento de Yebá bëló começa a tomar a forma de uma esfera que culmina numa torre. Na ciência dos números, este movimento de criação é normalmente representado por um círculo inicial e logo após pelo surgimento de um ponto que seria análogo ao cone que Yebá bëló cria com o próprio pensamento. Depois disso, ela cria os cinco trovões imortais que estariam associados aos cinco elementos (terra, água, ar, fogo e éter) ou às quatro direções (norte, sul, leste e oeste) e à ponta do cone (centro). O número 5 é normalmente associado ao homem, são os quatro elementos que o compõe mais o elemento espiritual da consciência. O cone, neste caso, seria uma combinação entre o mundo manifestado e o mundo espiritual.
Quando Yebá bëló cria Ëmëko sulãn Palãmin, este se encarrega de criar o sistema solar. Os trovões sentem ciúme, assim como os Titãs, simbolizando a sucessão de forças da natureza que vão sendo substituídas na sequência da manifestação. O universo se expande passo a passo, assim como os elementos vão surgindo e os filhos vão destronando os pais, assim como Zeus faz com Cronos.
Na sequência da história, Yebá bëló cria a terra e a fertiliza a partir do seu próprio corpo. Da mesma forma, acontece com Tiamat da tradição mesopotâmica e com Yimir (deus) da tradição escandinava ou Gaia da tradição grega, só que no caso de Tiamat e Yimir, Marduk e Odin os mata para então utilizar o seu corpo na criação. E curioso, pois o elemento do conflito não é tão claramente expresso no mito dos Dessana, não há uma ruptura clara entre os Trovões e Ëmëko sulãn Palãmin, mas antes um acordo, diferente dos outros mitos mencionados. Talvez esta seja uma diferença entre uma sociedade que projete mais a cooperação (o acordo entre as várias forças da natureza) e não uma drástica ruptura (quando acontece no momento em que um deus destrona ou mata o outro).
Ëmëko sulãn Palãmin, ao se encontrar com o chefe dos Dessana e o terceiro trovão para criar os seres humanos pode ser visto como a ancestralidade celeste que os Dessana reconhecem do seu povo, a exemplo das Dinastias tidas como Divinas no caso do Egito, Suméria, Babilônia, Japão, China e outros povos.
São muitos os paralelos entre o mito da criação dos Dessana e o mito grego relatado por Hesíodo e em distintos mitos da criação. Este são apenas alguns dos elementos explorados.
Há muito resgate a se fazer - o estudo da mitologia dos índios brasileiros pode lançar significativa luz sobre os mistérios da cosmogênese e colaborar para esta conexão mencionada inicialmente entre o homem e o sagrado. O mito de criação do mundo dos Dessana é apenas um dos muitos mitos indígenas.
Localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, um pouco acima da Praia do Tupé, há uma comunidade cabocla, composta por 2 famílias de índios Dessanas (oriundos do alto Rio Negro), além de alguns representantes das etnias Tucano e Tuiúca. Na maloca indígena, organizam uma demonstração de seus ritos ancestrais, numa cerimônia realmente autêntica, que dá uma boa noção de suas músicas, cantos e danças. No final, vendem seus produtos artesanais. Cuidamos de retirar fotos não apenas das malocas cerimoniais, mas também das casas das tribos, para atentar quanto a sua humilde simplicidade.
Dessana-Tukana
Na mitologia Desana – Kehíripõrã a mulher ocupa um lugar privilegiado na criação do mundo. Enquanto na mitologia cristã destaca-se um ser do sexo masculino como fazedor do mundo ou como o Grande Criador, na mitologia dos índios Desana –Kehíripõrã aparece resplandecente uma figura feminina como a Grande Criadora – Yebá Buró.
Criação do Mundo para os Índios Dessana.
Deus criou o mundo em 7 dias...do Caos grego saíram os cinco primeiros deuses...Bhrama tudo criou...Estas são todas referências da criação mais ou menos conhecidas para a maioria de nós. A história bíblica é a mais conhecida no mundo cristão, a mitologia grega nos vem a partir de todo o legado cultural do Ocidente e já a mitologia hindu nos chega a partir do resgate mais recente da religiosidade e cultura orientais. Mas, e o que dizer dos mitos da criação dos índios brasileiros?
Enquanto o distante e exótico da cultura celta ou hindu nos desperta fascínio, pouco sabemos a respeito dos mitos de nossos próprios (e distantes) ancestrais. A alma brasileira, além da influência européia e africana, tem um importante componente indígena que precisa ser resgatado e melhor conhecido. Dizia Micea Eliade (1978) que o sagrado é parte da estrutura da consciência humana e a mitologia, neste caso, seria a expressão mais evidente desta nossa relação com o sagrado, manifestando-se em todos os povos conhecidos. Assim, o olhar para a mitologia dos índios brasileiros pode representar mais um importante caminho de conexão com o sagrado e lançar luz sobre a nossa busca por padrões e semelhanças que nos revelem um pouco mais sobre os mistérios da “criação”, formação humana e da natureza, entre outros.
O mito da criação dos índios Dessana, traz-nos, por exemplo, um pouco dessa inspiração e revela muitas semelhanças com outros mitos mais explorados.
“A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma a partir de seis coisas invisíveis: bancos, suportes de panela, cuias, cuias de ipadu (coca), pés de maniva (muda de mandioca) e cigarros. Na sua morada de quartzo, enquanto mascava ipadu e fumava cigarro, começou a pensar em como deveria ser feito o mundo. Seu pensamento começou a tomar forma de uma esfera, culminando com uma torre. A esfera incorporou a escuridão. Ainda não havia luz, a não ser no compartimento onde estava a mulher, que era todo branco, de quartzo. Depois criou cinco trovões imortais, e deu a cada um deles um compartimento da esfera. Na extremidade da torre ficava um morcego de asas enormes. Esses compartimentos tornaram-se casas, e só neles havia luz, como no compartimento de Yebá bëló. Esta encarregou os trovões de fazerem o mundo, criarem a luz, os rios e a futura humanidade.
A casa do primeiro trovão ficava no sul. A do segundo, no leste, na cachoeira Tunuí, no rio Içana. A do terceiro ficava no alto; nesta é que ficavam as riquezas, os enfeites de dança mágicos para formar a futura humanidade. A casa do quarto trovão ficava a oeste, no rio Apaporis. A do quinto, no norte, na cabeceira. Yebá bëló, por sua vez, criou um ser invisível, Ëmëko sulãn Palãmin, e deu-lhe a ordem de fazer as camadas do universo e a futura humanidade. Ëmëko criou o sol. Os trovões ficaram enciumados com o poder de Ëmëko Sulãn Palãmin, mas ele posteriormente os apaziguou. Yebá bëló formou a terra a partir de sementes de tabaco tirados de seu seio esquerdo e a adubou com o leite do seio direito. Ëmëko sulãn Palãmin então, dirigiu-se para a casa do terceiro trovão e lá encontrou com o chefe dos Dessana e com o terceiro trovão. Este deu a eles riquezas e cada par de enfeites representava um homem e uma mulher. O trovão ensinou o rito para transformá-los em seres humanos. O trovão recomendou então, que cada um colhesse uma folha nova de ipadu de um pé que havia no pátio e a engolisse. Quando sentissem dor na barriga, deveriam acender o turi (madeira produtora de fogo), molhá-lo numa cuia d'água e beberem o conteúdo, em seguida vomitarem em um só buraco do rio. Assim fizeram os dois heróis e apareceram duas mulheres muito bonitas. Feito isso, o terceiro trovão decidiu acompanhá-los para ajudá-los a formar a futura humanidade.”
A história dos índios Dessana traz vários elementos recorrentes na mitologia de vários povos. “A princípio não havia nada e as trevas cobriam tudo. Uma mulher, Yebá bëló se fez a si mesma” – Os mitos sempre falam das águas primordiais e do nada de onde tudo surge, ou seja, a figura do Caos grego e que depois gera Gaia ou Bhrama que nascem deles mesmos. Yebá bëló depois que se cria, pensa em como deveria ser feito o mundo. O antigo Caibalion egípcio tem como um de seus aforismos a natureza mental do mundo – primeiro vem o pensamento, depois a manifestação. O próprio I Ching, no seu ciclo, tem o hexagrama Ch´ien, o criativo que representa a concepção ou a criação anterior a Chên que seria o impulso inicial da manifestação. Este início da história já revela um razoável nível de complexidade teológica que parece em desacordo com a nossa usual imagem dos índios brasileiros como povos altamente primitivos.
O pensamento de Yebá bëló começa a tomar a forma de uma esfera que culmina numa torre. Na ciência dos números, este movimento de criação é normalmente representado por um círculo inicial e logo após pelo surgimento de um ponto que seria análogo ao cone que Yebá bëló cria com o próprio pensamento. Depois disso, ela cria os cinco trovões imortais que estariam associados aos cinco elementos (terra, água, ar, fogo e éter) ou às quatro direções (norte, sul, leste e oeste) e à ponta do cone (centro). O número 5 é normalmente associado ao homem, são os quatro elementos que o compõe mais o elemento espiritual da consciência. O cone, neste caso, seria uma combinação entre o mundo manifestado e o mundo espiritual.
Quando Yebá bëló cria Ëmëko sulãn Palãmin, este se encarrega de criar o sistema solar. Os trovões sentem ciúme, assim como os Titãs, simbolizando a sucessão de forças da natureza que vão sendo substituídas na sequência da manifestação. O universo se expande passo a passo, assim como os elementos vão surgindo e os filhos vão destronando os pais, assim como Zeus faz com Cronos.
Na sequência da história, Yebá bëló cria a terra e a fertiliza a partir do seu próprio corpo. Da mesma forma, acontece com Tiamat da tradição mesopotâmica e com Yimir (deus) da tradição escandinava ou Gaia da tradição grega, só que no caso de Tiamat e Yimir, Marduk e Odin os mata para então utilizar o seu corpo na criação. E curioso, pois o elemento do conflito não é tão claramente expresso no mito dos Dessana, não há uma ruptura clara entre os Trovões e Ëmëko sulãn Palãmin, mas antes um acordo, diferente dos outros mitos mencionados. Talvez esta seja uma diferença entre uma sociedade que projete mais a cooperação (o acordo entre as várias forças da natureza) e não uma drástica ruptura (quando acontece no momento em que um deus destrona ou mata o outro).
Ëmëko sulãn Palãmin, ao se encontrar com o chefe dos Dessana e o terceiro trovão para criar os seres humanos pode ser visto como a ancestralidade celeste que os Dessana reconhecem do seu povo, a exemplo das Dinastias tidas como Divinas no caso do Egito, Suméria, Babilônia, Japão, China e outros povos.
São muitos os paralelos entre o mito da criação dos Dessana e o mito grego relatado por Hesíodo e em distintos mitos da criação. Este são apenas alguns dos elementos explorados.
Há muito resgate a se fazer - o estudo da mitologia dos índios brasileiros pode lançar significativa luz sobre os mistérios da cosmogênese e colaborar para esta conexão mencionada inicialmente entre o homem e o sagrado. O mito de criação do mundo dos Dessana é apenas um dos muitos mitos indígenas.