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Mirarlo tomar la cámara con esa naturalidad, encuadrar pacientemente y disparar con seguridad nos llena el pecho de una cosita linda que no se puede explicar...
Pequeño talento
Art Michele
foto by Enzo Farina
technique:
Fabriano paper size 33x24
pencils faber castell 9h-10b
about hours running 30
Merely a SWB Ducato, the Talento was created to fill the void after the other small Fiat vans were taken out of production, after the 900 was discontinued. A bit odd looking, but no doubt incredibly useful given their higher roof than other vans of the same length. I bet the handling is go kart like...
Minha querida amiga Rovena teve alguns dos seus lindos trabalhos
publicados na revista Fuxico Passo a Passo - Ed. Casa Dois nº 7 e
gentilmente, me enviou um exemplar, com dedicatória e tudo mais, que
vou guardar com o maior carinho!!!
E isso é só o começoooo!!!
Parabéns Ro, que seu sucesso só cresça, cada vez mais!
Beijooo
O Projeto Talentos do Brasil foi criado para estimular a troca de conhecimentos entre cooperativas e grupos de artesãs Norte Sul, Leste a Oeste, gerando emprego e agregando valor ao talento artesanal de cada grupo.
Em Coxim, trabalhei em parceria com artesão para criar as peças Pele de Peixe.
Egresado de Economía que esta desarrollando el legado familiar del tejido hacia una empresa que está innovando en el turismo del Cusco.
O que vem à mente quando falamos em um bibliófilo? Seria aquela pessoa que ama os livros, um colecionador de obras raras e preciosas, de boas edições e também leitor contumaz? Essa clássica conceituação é deixada de lado quando se conhece José Alisson Pinheiro de Araújo, técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL). Além de um bibliófilo e leitor voraz, é um leitor qualificado; uma pessoa que vive, literalmente, entre livros.
Dono de uma biblioteca particular com um acervo de três mil títulos, só este ano ele já leu 41 e fez resenhas de quase todas as obras. Dizer que ele caminha passo a passo com os livros não é uma hipérbole: é uma realidade que pode ser constatada ao encontrá-lo, pois leva consigo um exemplar, até mesmo numa caminhada à beira-mar.
Para ele, colecionar livros tem valor formativo e científico. Livros, autores, crítica literária, ficção, realismo e outros, fazem parte, de forma corriqueira, de seus bate-papos. Paraibano de nascença, formado em Direito e radicado em Alagoas há mais de vinte anos, Alisson foi classificado pelo site Estante Virtual como o maior comprador individual de livros no Estado. No dia em que nosso personagem completa mais um ano de vida, vai ao ar essa inspiradora edição do Tribunal Regional de Talentos. Boa leitura!
- Qual foi o seu primeiro contato com os livros?
- Minha avó gostava de ler e transmitiu esse hábito para minha mãe. Na minha infância, existiam em minha casa muitos livros dentro de uma imensa caixa e eu gostava de limpá-los e de folheá-los. Antes gostava demais de gibis do Tex, do Bolinha e dos personagens da Disney. Em um momento comecei a ler livros didáticos de ciência humanas que meus irmãos tinham utilizado e fui tomando gosto por leituras mais densas que culminaram com o abandono dos gibis por volta dos treze, quatorze anos.
- O que caracteriza um texto literário?
- Um texto literário registra a trajetória do homem no mundo, muitas vezes, mais fiel do que a própria história oficial, que se ocupa em atender interesses e vaidades. Um texto de jornal, escrito ou digital, é rapidamente substituído em horas, enquanto que um texto literário torna-se perene, devido à preocupação estética que lhe é inerente. Vê-se que um texto científico utiliza as palavras com sentido objetivo e conciso, enquanto que o texto artístico utiliza metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. É algo mais profundo e humano, pois exige reflexão e as percepções adquiridas em outras experiências. Vejam que um escritor pode ser permitido imaginar uma fábula sem saber que é a moral: a moral fica por conta do leitor ou do tempo. Este é o “barato” de texto literário, que pode divertir, ensinar e agregar experiências que serão úteis um dia.
- Ainda precisa sentir o papel, o cheiro da tinta, ou já está hiperconectado?
- Ainda prefiro o livro tradicional, por questão de hábito. Ainda não senti necessidade de livros digitais, pois tenho muitos livros (de papel) em casa aguardando sua vez de serem folheados e lidos.
- Prefere os livros clássicos ou contemporâneos?
- Qualquer leitura de um bom livro é válida. Contudo, sempre dou preferência aos clássicos, que foram aprovados pelos leitores ao longo das décadas e séculos, sem chances de desapontamento. Mas também não esqueço os autores contemporâneos geniais, como José Saramago, o sul africano J.M. Coetzee, o americano Philip Roth e o nosso compatriota Rubem Fonseca. A questão que surge é no sentido de que uma vida leitora produtiva de cem anos não seria suficiente para ler todos os clássicos que já foram escritos. Assim, a leitura de uma obra nova medíocre pode significar abdicar a leitura de um grande livro para sempre. Para mim, é sempre um dilema ler uma obra contemporânea por esse motivo temporal. Mas há situações inusitadas como a de uma amiga que me deu “A cabana” de presente e ficou cobrando a leitura. Desse não pude escapar (risos). Vale frisar que “clássico” em grego significa “perfeito”. Assim, um clássico não é um livro difícil como muitos acham, mas apenas muito melhor escrito do que a maioria. O argentino Jorge Luis Borges foi sutil ao afirmar que clássico “É um livro que lemos de certo modo. Não é um livro escrito de certo modo, mas lido de certo modo. Uma leitura feita com um respeito que faz com que esse texto mude”.
- Por meio da leitura alcançamos um rico vocabulário, uma grande percepção e o que mais?
- Por meio da leitura, dialogamos com pessoas que, em geral, são mais sábias do que nós, que viveram com mais intensidade do que nós. E esse contato fatalmente melhora nosso vocabulário e nos ajuda a acrescer nossa percepção da vida e do mundo. O que podemos constatar é que o que é relevante em literatura torna-se um bem coletivo e que as grandes invenções do escritor tornam-se patrimônio da língua. Veja o caso do termo “sósia”, que significa pessoa extremamente parecida com outra. Ele tornou-se corrente a partir de um personagem com esse nome que era idêntico a outro, existente numa das comédias do grego Plauto, escrita há 2.200 anos.
- Que livro mais te impressionou ou marcou sua vida?
- Quase todos, mas dois tem destaque especial. Um deles são os “Ensaios” do francês Michel de Montaigne, onde ele fala sobre quase tudo, dando sua opinião sensata enquanto aplica aos temas comentados toda a sabedoria das obras da Antiguidade, numa síntese genial. Outro livro marcante foi o “É isto um homem?”, do italiano Primo Levi que sobreviveu ao pior dos campos de concentração (Auschwitz) e teve forças para contar o seu cotidiano, onde a vida ou a morte dependia, às vezes, de migalhas de pães que caíam no chão; neste livro é possível penetrar fundo no âmago da natureza humana, através de uma experiência terrível.
- Há vida inteligente fora da literatura?
- Sim, claro, mas a literatura é especial porque para ela converge a identidade cultural de um povo e até de civilizações. Observem a importância de Shakespeare, de Dante, de Camões e de Goethe para a identidade dos seus países respectivos.
- Qual a fronteira entre o leitor e o possível escritor?
- É bem tênue. Porém, gênios como Graciliano ou Jorge de Lima não nascem todo dia. Há livros e livros, mas os grandes textos são mais raros do que ouro. Veja que dos milhares de obras escritas na Europa entre 1500 e 1700, só uns quatro ou cinco chegaram até nós. O restante foi esquecido. E esse “peneirão” continua existindo.
- A breve narrativa ou um romance?
- Se a história é bem contada, não importa a sua extensão.
- Você teria uma espécie de manual de como se forma um leitor?
- É mais fácil ser leitor se tivermos a sorte de nascer em um lar que o favoreça. Contudo, acho que é possível aprender a gostar de ler por meio da força de vontade, da consciência de que a leitura é essencial para nosso espírito. Muitos dos nossos colegas estão na metade da vida. Já é hora dos que não gostam de ler adquirir esse hábito, para ninguém sentir saudades do trabalho depois da aposentadoria, pois o tédio aflige menos aos que se dedicam à cultura. Uma forma ideal para isso é ler diariamente por vinte ou trinta minutos e, em três ou quatro meses, forma-se o hábito. Só assim poderemos perceber que a leitura afasta o tédio, instrui, humaniza e diverte ao mesmo tempo.
- A leitura continua imprescindível?
- Sim, pois ela nos mostra um mundo maravilhoso, que deslumbra os seus iniciados. A cultura nos separa do mundo irracional. Michel de Montaigne (no que concordo plenamente) afirmou em um dos seus ensaios que fazer amor, uma boa conversa com nossos amigos e uma infinidade de outras coisas são experiências mais prazerosas do que a leitura. Porem, tais alegrias não são duradouras ou acontecem raramente, enquanto que os livros estão à nossa disposição a qualquer hora, sem reclamar ou fazer cara feia. Se o prazer não é tão intenso como nos outros citados, ele é mais constante e demorado. Por isso é que eles sempre serão necessários para nos transmitir novas experiências, conhecimentos e nos afastar do abismo que é o vazio interior, primo irmão do tédio.
- E os filósofos?
- A diferença entre um escrito do filósofo Arthur Schopenhauer e um clássico da literatura é de estilos apenas. Tanto a grande literatura quanto a filosofia trazem um salto de qualidade em nossas percepções; ambas divertem, distraem e instruem com igual intensidade.
- E a poesia?
- A boa poesia, de um Drummond, de um Augusto dos Anjos, tem uma complexidade que se reflete no número menor de seus leitores, se comparados aos que leem prosa. Isso é explicado porque a poesia depende das conotações, do ambiente e da cadência das palavras; a inspiração aqui tem seu reino. Por isso que Castro Alves, morto aos 24 anos, tornou-se imortal. Já a prosa é diferente, exige experiência, disciplina, tanto que são raríssimos os autores de prosa que conquistaram fama muito cedo. José Saramago mesmo começou a ser reconhecido depois dos cinqüenta anos.
- O que você tem a dizer para os colegas que ainda não incorporaram a leitura em suas vidas?
- Repensem essa postura. Lembrem-se que o que nos diferencia dos animais é o pensamento e a cultura. Não esqueçam que tudo o que somos, em termos técnicos e de civilização, é fruto da reflexão e do esforço de uma minoria que leu e estudou muito. Observem que as ideias movem o mundo e que devemos obter mais conhecimento para não sermos ludibriados por ‘falsos profetas’ e picaretas de todos os tipos.
At Repsol, our vision is to be an innovative company that is building a better future through the
development of smart energy solutions. We are working together with talent and enthusiasm.
To learn more about our commitment to social responsibility, visit www.repsolusa.com.
En Repsol, nuestra visión es ser una empresa innovadora que está construyendo un futuro mejor a través del desarrollo de soluciones energeticas inteligentes. Estamos trabajando juntos talento y entusiasmo .
Para conocer más sobre nuestro compromiso con la responsabilidad social , visite www.repsolusa.com
O que vem à mente quando falamos em um bibliófilo? Seria aquela pessoa que ama os livros, um colecionador de obras raras e preciosas, de boas edições e também leitor contumaz? Essa clássica conceituação é deixada de lado quando se conhece José Alisson Pinheiro de Araújo, técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL). Além de um bibliófilo e leitor voraz, é um leitor qualificado; uma pessoa que vive, literalmente, entre livros.
Dono de uma biblioteca particular com um acervo de três mil títulos, só este ano ele já leu 41 e fez resenhas de quase todas as obras. Dizer que ele caminha passo a passo com os livros não é uma hipérbole: é uma realidade que pode ser constatada ao encontrá-lo, pois leva consigo um exemplar, até mesmo numa caminhada à beira-mar.
Para ele, colecionar livros tem valor formativo e científico. Livros, autores, crítica literária, ficção, realismo e outros, fazem parte, de forma corriqueira, de seus bate-papos. Paraibano de nascença, formado em Direito e radicado em Alagoas há mais de vinte anos, Alisson foi classificado pelo site Estante Virtual como o maior comprador individual de livros no Estado. No dia em que nosso personagem completa mais um ano de vida, vai ao ar essa inspiradora edição do Tribunal Regional de Talentos. Boa leitura!
- Qual foi o seu primeiro contato com os livros?
- Minha avó gostava de ler e transmitiu esse hábito para minha mãe. Na minha infância, existiam em minha casa muitos livros dentro de uma imensa caixa e eu gostava de limpá-los e de folheá-los. Antes gostava demais de gibis do Tex, do Bolinha e dos personagens da Disney. Em um momento comecei a ler livros didáticos de ciência humanas que meus irmãos tinham utilizado e fui tomando gosto por leituras mais densas que culminaram com o abandono dos gibis por volta dos treze, quatorze anos.
- O que caracteriza um texto literário?
- Um texto literário registra a trajetória do homem no mundo, muitas vezes, mais fiel do que a própria história oficial, que se ocupa em atender interesses e vaidades. Um texto de jornal, escrito ou digital, é rapidamente substituído em horas, enquanto que um texto literário torna-se perene, devido à preocupação estética que lhe é inerente. Vê-se que um texto científico utiliza as palavras com sentido objetivo e conciso, enquanto que o texto artístico utiliza metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. É algo mais profundo e humano, pois exige reflexão e as percepções adquiridas em outras experiências. Vejam que um escritor pode ser permitido imaginar uma fábula sem saber que é a moral: a moral fica por conta do leitor ou do tempo. Este é o “barato” de texto literário, que pode divertir, ensinar e agregar experiências que serão úteis um dia.
- Ainda precisa sentir o papel, o cheiro da tinta, ou já está hiperconectado?
- Ainda prefiro o livro tradicional, por questão de hábito. Ainda não senti necessidade de livros digitais, pois tenho muitos livros (de papel) em casa aguardando sua vez de serem folheados e lidos.
- Prefere os livros clássicos ou contemporâneos?
- Qualquer leitura de um bom livro é válida. Contudo, sempre dou preferência aos clássicos, que foram aprovados pelos leitores ao longo das décadas e séculos, sem chances de desapontamento. Mas também não esqueço os autores contemporâneos geniais, como José Saramago, o sul africano J.M. Coetzee, o americano Philip Roth e o nosso compatriota Rubem Fonseca. A questão que surge é no sentido de que uma vida leitora produtiva de cem anos não seria suficiente para ler todos os clássicos que já foram escritos. Assim, a leitura de uma obra nova medíocre pode significar abdicar a leitura de um grande livro para sempre. Para mim, é sempre um dilema ler uma obra contemporânea por esse motivo temporal. Mas há situações inusitadas como a de uma amiga que me deu “A cabana” de presente e ficou cobrando a leitura. Desse não pude escapar (risos). Vale frisar que “clássico” em grego significa “perfeito”. Assim, um clássico não é um livro difícil como muitos acham, mas apenas muito melhor escrito do que a maioria. O argentino Jorge Luis Borges foi sutil ao afirmar que clássico “É um livro que lemos de certo modo. Não é um livro escrito de certo modo, mas lido de certo modo. Uma leitura feita com um respeito que faz com que esse texto mude”.
- Por meio da leitura alcançamos um rico vocabulário, uma grande percepção e o que mais?
- Por meio da leitura, dialogamos com pessoas que, em geral, são mais sábias do que nós, que viveram com mais intensidade do que nós. E esse contato fatalmente melhora nosso vocabulário e nos ajuda a acrescer nossa percepção da vida e do mundo. O que podemos constatar é que o que é relevante em literatura torna-se um bem coletivo e que as grandes invenções do escritor tornam-se patrimônio da língua. Veja o caso do termo “sósia”, que significa pessoa extremamente parecida com outra. Ele tornou-se corrente a partir de um personagem com esse nome que era idêntico a outro, existente numa das comédias do grego Plauto, escrita há 2.200 anos.
- Que livro mais te impressionou ou marcou sua vida?
- Quase todos, mas dois tem destaque especial. Um deles são os “Ensaios” do francês Michel de Montaigne, onde ele fala sobre quase tudo, dando sua opinião sensata enquanto aplica aos temas comentados toda a sabedoria das obras da Antiguidade, numa síntese genial. Outro livro marcante foi o “É isto um homem?”, do italiano Primo Levi que sobreviveu ao pior dos campos de concentração (Auschwitz) e teve forças para contar o seu cotidiano, onde a vida ou a morte dependia, às vezes, de migalhas de pães que caíam no chão; neste livro é possível penetrar fundo no âmago da natureza humana, através de uma experiência terrível.
- Há vida inteligente fora da literatura?
- Sim, claro, mas a literatura é especial porque para ela converge a identidade cultural de um povo e até de civilizações. Observem a importância de Shakespeare, de Dante, de Camões e de Goethe para a identidade dos seus países respectivos.
- Qual a fronteira entre o leitor e o possível escritor?
- É bem tênue. Porém, gênios como Graciliano ou Jorge de Lima não nascem todo dia. Há livros e livros, mas os grandes textos são mais raros do que ouro. Veja que dos milhares de obras escritas na Europa entre 1500 e 1700, só uns quatro ou cinco chegaram até nós. O restante foi esquecido. E esse “peneirão” continua existindo.
- A breve narrativa ou um romance?
- Se a história é bem contada, não importa a sua extensão.
- Você teria uma espécie de manual de como se forma um leitor?
- É mais fácil ser leitor se tivermos a sorte de nascer em um lar que o favoreça. Contudo, acho que é possível aprender a gostar de ler por meio da força de vontade, da consciência de que a leitura é essencial para nosso espírito. Muitos dos nossos colegas estão na metade da vida. Já é hora dos que não gostam de ler adquirir esse hábito, para ninguém sentir saudades do trabalho depois da aposentadoria, pois o tédio aflige menos aos que se dedicam à cultura. Uma forma ideal para isso é ler diariamente por vinte ou trinta minutos e, em três ou quatro meses, forma-se o hábito. Só assim poderemos perceber que a leitura afasta o tédio, instrui, humaniza e diverte ao mesmo tempo.
- A leitura continua imprescindível?
- Sim, pois ela nos mostra um mundo maravilhoso, que deslumbra os seus iniciados. A cultura nos separa do mundo irracional. Michel de Montaigne (no que concordo plenamente) afirmou em um dos seus ensaios que fazer amor, uma boa conversa com nossos amigos e uma infinidade de outras coisas são experiências mais prazerosas do que a leitura. Porem, tais alegrias não são duradouras ou acontecem raramente, enquanto que os livros estão à nossa disposição a qualquer hora, sem reclamar ou fazer cara feia. Se o prazer não é tão intenso como nos outros citados, ele é mais constante e demorado. Por isso é que eles sempre serão necessários para nos transmitir novas experiências, conhecimentos e nos afastar do abismo que é o vazio interior, primo irmão do tédio.
- E os filósofos?
- A diferença entre um escrito do filósofo Arthur Schopenhauer e um clássico da literatura é de estilos apenas. Tanto a grande literatura quanto a filosofia trazem um salto de qualidade em nossas percepções; ambas divertem, distraem e instruem com igual intensidade.
- E a poesia?
- A boa poesia, de um Drummond, de um Augusto dos Anjos, tem uma complexidade que se reflete no número menor de seus leitores, se comparados aos que leem prosa. Isso é explicado porque a poesia depende das conotações, do ambiente e da cadência das palavras; a inspiração aqui tem seu reino. Por isso que Castro Alves, morto aos 24 anos, tornou-se imortal. Já a prosa é diferente, exige experiência, disciplina, tanto que são raríssimos os autores de prosa que conquistaram fama muito cedo. José Saramago mesmo começou a ser reconhecido depois dos cinqüenta anos.
- O que você tem a dizer para os colegas que ainda não incorporaram a leitura em suas vidas?
- Repensem essa postura. Lembrem-se que o que nos diferencia dos animais é o pensamento e a cultura. Não esqueçam que tudo o que somos, em termos técnicos e de civilização, é fruto da reflexão e do esforço de uma minoria que leu e estudou muito. Observem que as ideias movem o mundo e que devemos obter mais conhecimento para não sermos ludibriados por ‘falsos profetas’ e picaretas de todos os tipos.
O que vem à mente quando falamos em um bibliófilo? Seria aquela pessoa que ama os livros, um colecionador de obras raras e preciosas, de boas edições e também leitor contumaz? Essa clássica conceituação é deixada de lado quando se conhece José Alisson Pinheiro de Araújo, técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL). Além de um bibliófilo e leitor voraz, é um leitor qualificado; uma pessoa que vive, literalmente, entre livros.
Dono de uma biblioteca particular com um acervo de três mil títulos, só este ano ele já leu 41 e fez resenhas de quase todas as obras. Dizer que ele caminha passo a passo com os livros não é uma hipérbole: é uma realidade que pode ser constatada ao encontrá-lo, pois leva consigo um exemplar, até mesmo numa caminhada à beira-mar.
Para ele, colecionar livros tem valor formativo e científico. Livros, autores, crítica literária, ficção, realismo e outros, fazem parte, de forma corriqueira, de seus bate-papos. Paraibano de nascença, formado em Direito e radicado em Alagoas há mais de vinte anos, Alisson foi classificado pelo site Estante Virtual como o maior comprador individual de livros no Estado. No dia em que nosso personagem completa mais um ano de vida, vai ao ar essa inspiradora edição do Tribunal Regional de Talentos. Boa leitura!
- Qual foi o seu primeiro contato com os livros?
- Minha avó gostava de ler e transmitiu esse hábito para minha mãe. Na minha infância, existiam em minha casa muitos livros dentro de uma imensa caixa e eu gostava de limpá-los e de folheá-los. Antes gostava demais de gibis do Tex, do Bolinha e dos personagens da Disney. Em um momento comecei a ler livros didáticos de ciência humanas que meus irmãos tinham utilizado e fui tomando gosto por leituras mais densas que culminaram com o abandono dos gibis por volta dos treze, quatorze anos.
- O que caracteriza um texto literário?
- Um texto literário registra a trajetória do homem no mundo, muitas vezes, mais fiel do que a própria história oficial, que se ocupa em atender interesses e vaidades. Um texto de jornal, escrito ou digital, é rapidamente substituído em horas, enquanto que um texto literário torna-se perene, devido à preocupação estética que lhe é inerente. Vê-se que um texto científico utiliza as palavras com sentido objetivo e conciso, enquanto que o texto artístico utiliza metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. É algo mais profundo e humano, pois exige reflexão e as percepções adquiridas em outras experiências. Vejam que um escritor pode ser permitido imaginar uma fábula sem saber que é a moral: a moral fica por conta do leitor ou do tempo. Este é o “barato” de texto literário, que pode divertir, ensinar e agregar experiências que serão úteis um dia.
- Ainda precisa sentir o papel, o cheiro da tinta, ou já está hiperconectado?
- Ainda prefiro o livro tradicional, por questão de hábito. Ainda não senti necessidade de livros digitais, pois tenho muitos livros (de papel) em casa aguardando sua vez de serem folheados e lidos.
- Prefere os livros clássicos ou contemporâneos?
- Qualquer leitura de um bom livro é válida. Contudo, sempre dou preferência aos clássicos, que foram aprovados pelos leitores ao longo das décadas e séculos, sem chances de desapontamento. Mas também não esqueço os autores contemporâneos geniais, como José Saramago, o sul africano J.M. Coetzee, o americano Philip Roth e o nosso compatriota Rubem Fonseca. A questão que surge é no sentido de que uma vida leitora produtiva de cem anos não seria suficiente para ler todos os clássicos que já foram escritos. Assim, a leitura de uma obra nova medíocre pode significar abdicar a leitura de um grande livro para sempre. Para mim, é sempre um dilema ler uma obra contemporânea por esse motivo temporal. Mas há situações inusitadas como a de uma amiga que me deu “A cabana” de presente e ficou cobrando a leitura. Desse não pude escapar (risos). Vale frisar que “clássico” em grego significa “perfeito”. Assim, um clássico não é um livro difícil como muitos acham, mas apenas muito melhor escrito do que a maioria. O argentino Jorge Luis Borges foi sutil ao afirmar que clássico “É um livro que lemos de certo modo. Não é um livro escrito de certo modo, mas lido de certo modo. Uma leitura feita com um respeito que faz com que esse texto mude”.
- Por meio da leitura alcançamos um rico vocabulário, uma grande percepção e o que mais?
- Por meio da leitura, dialogamos com pessoas que, em geral, são mais sábias do que nós, que viveram com mais intensidade do que nós. E esse contato fatalmente melhora nosso vocabulário e nos ajuda a acrescer nossa percepção da vida e do mundo. O que podemos constatar é que o que é relevante em literatura torna-se um bem coletivo e que as grandes invenções do escritor tornam-se patrimônio da língua. Veja o caso do termo “sósia”, que significa pessoa extremamente parecida com outra. Ele tornou-se corrente a partir de um personagem com esse nome que era idêntico a outro, existente numa das comédias do grego Plauto, escrita há 2.200 anos.
- Que livro mais te impressionou ou marcou sua vida?
- Quase todos, mas dois tem destaque especial. Um deles são os “Ensaios” do francês Michel de Montaigne, onde ele fala sobre quase tudo, dando sua opinião sensata enquanto aplica aos temas comentados toda a sabedoria das obras da Antiguidade, numa síntese genial. Outro livro marcante foi o “É isto um homem?”, do italiano Primo Levi que sobreviveu ao pior dos campos de concentração (Auschwitz) e teve forças para contar o seu cotidiano, onde a vida ou a morte dependia, às vezes, de migalhas de pães que caíam no chão; neste livro é possível penetrar fundo no âmago da natureza humana, através de uma experiência terrível.
- Há vida inteligente fora da literatura?
- Sim, claro, mas a literatura é especial porque para ela converge a identidade cultural de um povo e até de civilizações. Observem a importância de Shakespeare, de Dante, de Camões e de Goethe para a identidade dos seus países respectivos.
- Qual a fronteira entre o leitor e o possível escritor?
- É bem tênue. Porém, gênios como Graciliano ou Jorge de Lima não nascem todo dia. Há livros e livros, mas os grandes textos são mais raros do que ouro. Veja que dos milhares de obras escritas na Europa entre 1500 e 1700, só uns quatro ou cinco chegaram até nós. O restante foi esquecido. E esse “peneirão” continua existindo.
- A breve narrativa ou um romance?
- Se a história é bem contada, não importa a sua extensão.
- Você teria uma espécie de manual de como se forma um leitor?
- É mais fácil ser leitor se tivermos a sorte de nascer em um lar que o favoreça. Contudo, acho que é possível aprender a gostar de ler por meio da força de vontade, da consciência de que a leitura é essencial para nosso espírito. Muitos dos nossos colegas estão na metade da vida. Já é hora dos que não gostam de ler adquirir esse hábito, para ninguém sentir saudades do trabalho depois da aposentadoria, pois o tédio aflige menos aos que se dedicam à cultura. Uma forma ideal para isso é ler diariamente por vinte ou trinta minutos e, em três ou quatro meses, forma-se o hábito. Só assim poderemos perceber que a leitura afasta o tédio, instrui, humaniza e diverte ao mesmo tempo.
- A leitura continua imprescindível?
- Sim, pois ela nos mostra um mundo maravilhoso, que deslumbra os seus iniciados. A cultura nos separa do mundo irracional. Michel de Montaigne (no que concordo plenamente) afirmou em um dos seus ensaios que fazer amor, uma boa conversa com nossos amigos e uma infinidade de outras coisas são experiências mais prazerosas do que a leitura. Porem, tais alegrias não são duradouras ou acontecem raramente, enquanto que os livros estão à nossa disposição a qualquer hora, sem reclamar ou fazer cara feia. Se o prazer não é tão intenso como nos outros citados, ele é mais constante e demorado. Por isso é que eles sempre serão necessários para nos transmitir novas experiências, conhecimentos e nos afastar do abismo que é o vazio interior, primo irmão do tédio.
- E os filósofos?
- A diferença entre um escrito do filósofo Arthur Schopenhauer e um clássico da literatura é de estilos apenas. Tanto a grande literatura quanto a filosofia trazem um salto de qualidade em nossas percepções; ambas divertem, distraem e instruem com igual intensidade.
- E a poesia?
- A boa poesia, de um Drummond, de um Augusto dos Anjos, tem uma complexidade que se reflete no número menor de seus leitores, se comparados aos que leem prosa. Isso é explicado porque a poesia depende das conotações, do ambiente e da cadência das palavras; a inspiração aqui tem seu reino. Por isso que Castro Alves, morto aos 24 anos, tornou-se imortal. Já a prosa é diferente, exige experiência, disciplina, tanto que são raríssimos os autores de prosa que conquistaram fama muito cedo. José Saramago mesmo começou a ser reconhecido depois dos cinqüenta anos.
- O que você tem a dizer para os colegas que ainda não incorporaram a leitura em suas vidas?
- Repensem essa postura. Lembrem-se que o que nos diferencia dos animais é o pensamento e a cultura. Não esqueçam que tudo o que somos, em termos técnicos e de civilização, é fruto da reflexão e do esforço de uma minoria que leu e estudou muito. Observem que as ideias movem o mundo e que devemos obter mais conhecimento para não sermos ludibriados por ‘falsos profetas’ e picaretas de todos os tipos.
Con una masiva asistencia de vecinos se realizó la semifinal de Talento Huechuraba Joven en el frontis de alcaldía. La jornada dio por finalistas a Antonia Sepúlveda, Andrea López, Valeria Costa y Javiera Maripangui, en la categoría de danza.
Mientras que en la competencia de canto se dio por finalistas a Valentina Saavedra, Maura Astudillo, Araceli Araya y Alexis Palacios
Situada em pleno Centro Histórico de Sintra, classificado Património Mundial pela UNESCO, a Quinta da Regaleira é um lugar com espírito próprio. Edificado nos primórdios do Século XX, ao sabor do ideário romântico, este fascinante conjunto de construções, nascendo abruptamente no meio da floresta luxuriante, é o resultado da concretização dos sonhos mito-mágicos do seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), aliados ao talento do arquitecto-cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936).
A imaginação destas duas personalidades invulgares concebeu, por um lado, o somatório revivalista das mais variadas correntes artísticas - com particular destaque para o gótico, o manuelino e a renascença - e, por outro, a glorificação da história nacional influenciada pelas tradições míticas e esotéricas.
A Quinta da Regaleira é um lugar para se sentir. Não basta contar-lhe a memória, a paisagem, os mistérios. Torna-se necessário conhecê-la, contemplar a cenografia dos jardins e das edificações, admirar o Palácio dos Milhões, verdadeira mansão filosofal de inspiração alquímica, percorrer o parque exótico, sentir a espiritualidade cristã na Capela da Santíssima Trindade, que nos permite descermos à cripta onde se recorda com emoção o simbolismo e a presença do além. Há ainda um fabuloso conjunto de torreões que nos oferecem paisagens deslumbrantes, recantos estranhos feitos de lenda e saudade, vivendas apalaçadas de gosto requintado, terraços dispostos para apreciação do mundo celeste.
A culminar a visita à Quinta da Regaleira, há que invocar a aventura dos cavaleiros Templários, ou os ideais dos mestres da maçonaria, para descer ao monumental poço iniciático por uma imensa escadaria em espiral. E, lá no fundo com os pés assentes numa estrela de oito pontas, é como se estivéssemos imerses no ventre da Terra-Mãe. Depois, só nos resta atravessar as trevas das grutas labirínticas, até ganharmos a luz, reflectida em lagos surpreendentes. www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2907
This is a fabulous assemblage of styles and constructions ( gardens, wells, towers, statues, mysterious grottoes, etc.), which Manini succeeded in imbuing with exceptional characteristics. Albeit having a semblance of a scene from opera, the Quinta da Regaleira has alchemical and sacred connotations.
The origins of this Quinta (palace and estate) which is currently known as the Quinta da Regaleira date back to 1697 when José Leite purchased a huge tract of land at one end of the Old Quarter of Sintra.
The property was bought at a public auction in 1715 by Francisco Alberto Guimarães de Castro who diverted water from the mountain to supply a fountain on the property. In the possession of João António Lopes Fernandes in 1800 it appears some thirty years later in the possession of Manuel Bernardo from whence it derived its current name, having formerly been known as the Quinta da Torre or the Quinta do Castro. It was then purchased by the daughter of Allen in 1840 (a wealthy trader from Oporto) who was later given the title of the Baroness of Regaleira.
At the beginning of this century, however, the Quinta da Regaleira was purchased by the capitalist António Augusto de Carvalho Monteiro, a man of enormous culture with a degree in Law from the University of Coimbra who had amassed a fortune in Brazil. Carvalho Monteiro, who was profoundly inspired by the glorious national epic poem, whose expression at the time was found in the "revivalist" taste of neo manueline architecture, took inspiration for the construction of the manor house and its respective chapel both from the structural and decorative eclecticism of the Pena Palace and the neo-manueline style of the Hotel Palácio do Buçaco, designed by Luigi Manini. It was Carvalho Monteiro who invited Manini to design and build the house at Regaleira . The project was completed in 1910.
This is a fabulous assemblage of styles and constructions (gardens, wells, towers, statues, mysterious grottoes, etc.), which Manini succeeded in imbuing with exceptional characteristics. Albeit having a semblance of a scene from opera, the Quinta da Regaleira has alchemical and sacred connotations.
The Quinta da Regaleira, which was purchased in March 1997 by the Sintra Town Council is currently used as the head office of the CulturSintra Foundation which is undertaking a vast conservation and rehabilitation programme for promoting the palace in tourist terms. It is also organising a series of cultural events. www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=3168
Menudas ganas me entraron de tener un caballete,lienzo y óleos a mano para ponerme a pintar. Eso sí que era arte.
O que vem à mente quando falamos em um bibliófilo? Seria aquela pessoa que ama os livros, um colecionador de obras raras e preciosas, de boas edições e também leitor contumaz? Essa clássica conceituação é deixada de lado quando se conhece José Alisson Pinheiro de Araújo, técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL). Além de um bibliófilo e leitor voraz, é um leitor qualificado; uma pessoa que vive, literalmente, entre livros.
Dono de uma biblioteca particular com um acervo de três mil títulos, só este ano ele já leu 41 e fez resenhas de quase todas as obras. Dizer que ele caminha passo a passo com os livros não é uma hipérbole: é uma realidade que pode ser constatada ao encontrá-lo, pois leva consigo um exemplar, até mesmo numa caminhada à beira-mar.
Para ele, colecionar livros tem valor formativo e científico. Livros, autores, crítica literária, ficção, realismo e outros, fazem parte, de forma corriqueira, de seus bate-papos. Paraibano de nascença, formado em Direito e radicado em Alagoas há mais de vinte anos, Alisson foi classificado pelo site Estante Virtual como o maior comprador individual de livros no Estado. No dia em que nosso personagem completa mais um ano de vida, vai ao ar essa inspiradora edição do Tribunal Regional de Talentos. Boa leitura!
- Qual foi o seu primeiro contato com os livros?
- Minha avó gostava de ler e transmitiu esse hábito para minha mãe. Na minha infância, existiam em minha casa muitos livros dentro de uma imensa caixa e eu gostava de limpá-los e de folheá-los. Antes gostava demais de gibis do Tex, do Bolinha e dos personagens da Disney. Em um momento comecei a ler livros didáticos de ciência humanas que meus irmãos tinham utilizado e fui tomando gosto por leituras mais densas que culminaram com o abandono dos gibis por volta dos treze, quatorze anos.
- O que caracteriza um texto literário?
- Um texto literário registra a trajetória do homem no mundo, muitas vezes, mais fiel do que a própria história oficial, que se ocupa em atender interesses e vaidades. Um texto de jornal, escrito ou digital, é rapidamente substituído em horas, enquanto que um texto literário torna-se perene, devido à preocupação estética que lhe é inerente. Vê-se que um texto científico utiliza as palavras com sentido objetivo e conciso, enquanto que o texto artístico utiliza metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. É algo mais profundo e humano, pois exige reflexão e as percepções adquiridas em outras experiências. Vejam que um escritor pode ser permitido imaginar uma fábula sem saber que é a moral: a moral fica por conta do leitor ou do tempo. Este é o “barato” de texto literário, que pode divertir, ensinar e agregar experiências que serão úteis um dia.
- Ainda precisa sentir o papel, o cheiro da tinta, ou já está hiperconectado?
- Ainda prefiro o livro tradicional, por questão de hábito. Ainda não senti necessidade de livros digitais, pois tenho muitos livros (de papel) em casa aguardando sua vez de serem folheados e lidos.
- Prefere os livros clássicos ou contemporâneos?
- Qualquer leitura de um bom livro é válida. Contudo, sempre dou preferência aos clássicos, que foram aprovados pelos leitores ao longo das décadas e séculos, sem chances de desapontamento. Mas também não esqueço os autores contemporâneos geniais, como José Saramago, o sul africano J.M. Coetzee, o americano Philip Roth e o nosso compatriota Rubem Fonseca. A questão que surge é no sentido de que uma vida leitora produtiva de cem anos não seria suficiente para ler todos os clássicos que já foram escritos. Assim, a leitura de uma obra nova medíocre pode significar abdicar a leitura de um grande livro para sempre. Para mim, é sempre um dilema ler uma obra contemporânea por esse motivo temporal. Mas há situações inusitadas como a de uma amiga que me deu “A cabana” de presente e ficou cobrando a leitura. Desse não pude escapar (risos). Vale frisar que “clássico” em grego significa “perfeito”. Assim, um clássico não é um livro difícil como muitos acham, mas apenas muito melhor escrito do que a maioria. O argentino Jorge Luis Borges foi sutil ao afirmar que clássico “É um livro que lemos de certo modo. Não é um livro escrito de certo modo, mas lido de certo modo. Uma leitura feita com um respeito que faz com que esse texto mude”.
- Por meio da leitura alcançamos um rico vocabulário, uma grande percepção e o que mais?
- Por meio da leitura, dialogamos com pessoas que, em geral, são mais sábias do que nós, que viveram com mais intensidade do que nós. E esse contato fatalmente melhora nosso vocabulário e nos ajuda a acrescer nossa percepção da vida e do mundo. O que podemos constatar é que o que é relevante em literatura torna-se um bem coletivo e que as grandes invenções do escritor tornam-se patrimônio da língua. Veja o caso do termo “sósia”, que significa pessoa extremamente parecida com outra. Ele tornou-se corrente a partir de um personagem com esse nome que era idêntico a outro, existente numa das comédias do grego Plauto, escrita há 2.200 anos.
- Que livro mais te impressionou ou marcou sua vida?
- Quase todos, mas dois tem destaque especial. Um deles são os “Ensaios” do francês Michel de Montaigne, onde ele fala sobre quase tudo, dando sua opinião sensata enquanto aplica aos temas comentados toda a sabedoria das obras da Antiguidade, numa síntese genial. Outro livro marcante foi o “É isto um homem?”, do italiano Primo Levi que sobreviveu ao pior dos campos de concentração (Auschwitz) e teve forças para contar o seu cotidiano, onde a vida ou a morte dependia, às vezes, de migalhas de pães que caíam no chão; neste livro é possível penetrar fundo no âmago da natureza humana, através de uma experiência terrível.
- Há vida inteligente fora da literatura?
- Sim, claro, mas a literatura é especial porque para ela converge a identidade cultural de um povo e até de civilizações. Observem a importância de Shakespeare, de Dante, de Camões e de Goethe para a identidade dos seus países respectivos.
- Qual a fronteira entre o leitor e o possível escritor?
- É bem tênue. Porém, gênios como Graciliano ou Jorge de Lima não nascem todo dia. Há livros e livros, mas os grandes textos são mais raros do que ouro. Veja que dos milhares de obras escritas na Europa entre 1500 e 1700, só uns quatro ou cinco chegaram até nós. O restante foi esquecido. E esse “peneirão” continua existindo.
- A breve narrativa ou um romance?
- Se a história é bem contada, não importa a sua extensão.
- Você teria uma espécie de manual de como se forma um leitor?
- É mais fácil ser leitor se tivermos a sorte de nascer em um lar que o favoreça. Contudo, acho que é possível aprender a gostar de ler por meio da força de vontade, da consciência de que a leitura é essencial para nosso espírito. Muitos dos nossos colegas estão na metade da vida. Já é hora dos que não gostam de ler adquirir esse hábito, para ninguém sentir saudades do trabalho depois da aposentadoria, pois o tédio aflige menos aos que se dedicam à cultura. Uma forma ideal para isso é ler diariamente por vinte ou trinta minutos e, em três ou quatro meses, forma-se o hábito. Só assim poderemos perceber que a leitura afasta o tédio, instrui, humaniza e diverte ao mesmo tempo.
- A leitura continua imprescindível?
- Sim, pois ela nos mostra um mundo maravilhoso, que deslumbra os seus iniciados. A cultura nos separa do mundo irracional. Michel de Montaigne (no que concordo plenamente) afirmou em um dos seus ensaios que fazer amor, uma boa conversa com nossos amigos e uma infinidade de outras coisas são experiências mais prazerosas do que a leitura. Porem, tais alegrias não são duradouras ou acontecem raramente, enquanto que os livros estão à nossa disposição a qualquer hora, sem reclamar ou fazer cara feia. Se o prazer não é tão intenso como nos outros citados, ele é mais constante e demorado. Por isso é que eles sempre serão necessários para nos transmitir novas experiências, conhecimentos e nos afastar do abismo que é o vazio interior, primo irmão do tédio.
- E os filósofos?
- A diferença entre um escrito do filósofo Arthur Schopenhauer e um clássico da literatura é de estilos apenas. Tanto a grande literatura quanto a filosofia trazem um salto de qualidade em nossas percepções; ambas divertem, distraem e instruem com igual intensidade.
- E a poesia?
- A boa poesia, de um Drummond, de um Augusto dos Anjos, tem uma complexidade que se reflete no número menor de seus leitores, se comparados aos que leem prosa. Isso é explicado porque a poesia depende das conotações, do ambiente e da cadência das palavras; a inspiração aqui tem seu reino. Por isso que Castro Alves, morto aos 24 anos, tornou-se imortal. Já a prosa é diferente, exige experiência, disciplina, tanto que são raríssimos os autores de prosa que conquistaram fama muito cedo. José Saramago mesmo começou a ser reconhecido depois dos cinqüenta anos.
- O que você tem a dizer para os colegas que ainda não incorporaram a leitura em suas vidas?
- Repensem essa postura. Lembrem-se que o que nos diferencia dos animais é o pensamento e a cultura. Não esqueçam que tudo o que somos, em termos técnicos e de civilização, é fruto da reflexão e do esforço de uma minoria que leu e estudou muito. Observem que as ideias movem o mundo e que devemos obter mais conhecimento para não sermos ludibriados por ‘falsos profetas’ e picaretas de todos os tipos.
O que vem à mente quando falamos em um bibliófilo? Seria aquela pessoa que ama os livros, um colecionador de obras raras e preciosas, de boas edições e também leitor contumaz? Essa clássica conceituação é deixada de lado quando se conhece José Alisson Pinheiro de Araújo, técnico judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT/AL). Além de um bibliófilo e leitor voraz, é um leitor qualificado; uma pessoa que vive, literalmente, entre livros.
Dono de uma biblioteca particular com um acervo de três mil títulos, só este ano ele já leu 41 e fez resenhas de quase todas as obras. Dizer que ele caminha passo a passo com os livros não é uma hipérbole: é uma realidade que pode ser constatada ao encontrá-lo, pois leva consigo um exemplar, até mesmo numa caminhada à beira-mar.
Para ele, colecionar livros tem valor formativo e científico. Livros, autores, crítica literária, ficção, realismo e outros, fazem parte, de forma corriqueira, de seus bate-papos. Paraibano de nascença, formado em Direito e radicado em Alagoas há mais de vinte anos, Alisson foi classificado pelo site Estante Virtual como o maior comprador individual de livros no Estado. No dia em que nosso personagem completa mais um ano de vida, vai ao ar essa inspiradora edição do Tribunal Regional de Talentos. Boa leitura!
- Qual foi o seu primeiro contato com os livros?
- Minha avó gostava de ler e transmitiu esse hábito para minha mãe. Na minha infância, existiam em minha casa muitos livros dentro de uma imensa caixa e eu gostava de limpá-los e de folheá-los. Antes gostava demais de gibis do Tex, do Bolinha e dos personagens da Disney. Em um momento comecei a ler livros didáticos de ciência humanas que meus irmãos tinham utilizado e fui tomando gosto por leituras mais densas que culminaram com o abandono dos gibis por volta dos treze, quatorze anos.
- O que caracteriza um texto literário?
- Um texto literário registra a trajetória do homem no mundo, muitas vezes, mais fiel do que a própria história oficial, que se ocupa em atender interesses e vaidades. Um texto de jornal, escrito ou digital, é rapidamente substituído em horas, enquanto que um texto literário torna-se perene, devido à preocupação estética que lhe é inerente. Vê-se que um texto científico utiliza as palavras com sentido objetivo e conciso, enquanto que o texto artístico utiliza metáforas para provocar reações emocionais nos receptores. É algo mais profundo e humano, pois exige reflexão e as percepções adquiridas em outras experiências. Vejam que um escritor pode ser permitido imaginar uma fábula sem saber que é a moral: a moral fica por conta do leitor ou do tempo. Este é o “barato” de texto literário, que pode divertir, ensinar e agregar experiências que serão úteis um dia.
- Ainda precisa sentir o papel, o cheiro da tinta, ou já está hiperconectado?
- Ainda prefiro o livro tradicional, por questão de hábito. Ainda não senti necessidade de livros digitais, pois tenho muitos livros (de papel) em casa aguardando sua vez de serem folheados e lidos.
- Prefere os livros clássicos ou contemporâneos?
- Qualquer leitura de um bom livro é válida. Contudo, sempre dou preferência aos clássicos, que foram aprovados pelos leitores ao longo das décadas e séculos, sem chances de desapontamento. Mas também não esqueço os autores contemporâneos geniais, como José Saramago, o sul africano J.M. Coetzee, o americano Philip Roth e o nosso compatriota Rubem Fonseca. A questão que surge é no sentido de que uma vida leitora produtiva de cem anos não seria suficiente para ler todos os clássicos que já foram escritos. Assim, a leitura de uma obra nova medíocre pode significar abdicar a leitura de um grande livro para sempre. Para mim, é sempre um dilema ler uma obra contemporânea por esse motivo temporal. Mas há situações inusitadas como a de uma amiga que me deu “A cabana” de presente e ficou cobrando a leitura. Desse não pude escapar (risos). Vale frisar que “clássico” em grego significa “perfeito”. Assim, um clássico não é um livro difícil como muitos acham, mas apenas muito melhor escrito do que a maioria. O argentino Jorge Luis Borges foi sutil ao afirmar que clássico “É um livro que lemos de certo modo. Não é um livro escrito de certo modo, mas lido de certo modo. Uma leitura feita com um respeito que faz com que esse texto mude”.
- Por meio da leitura alcançamos um rico vocabulário, uma grande percepção e o que mais?
- Por meio da leitura, dialogamos com pessoas que, em geral, são mais sábias do que nós, que viveram com mais intensidade do que nós. E esse contato fatalmente melhora nosso vocabulário e nos ajuda a acrescer nossa percepção da vida e do mundo. O que podemos constatar é que o que é relevante em literatura torna-se um bem coletivo e que as grandes invenções do escritor tornam-se patrimônio da língua. Veja o caso do termo “sósia”, que significa pessoa extremamente parecida com outra. Ele tornou-se corrente a partir de um personagem com esse nome que era idêntico a outro, existente numa das comédias do grego Plauto, escrita há 2.200 anos.
- Que livro mais te impressionou ou marcou sua vida?
- Quase todos, mas dois tem destaque especial. Um deles são os “Ensaios” do francês Michel de Montaigne, onde ele fala sobre quase tudo, dando sua opinião sensata enquanto aplica aos temas comentados toda a sabedoria das obras da Antiguidade, numa síntese genial. Outro livro marcante foi o “É isto um homem?”, do italiano Primo Levi que sobreviveu ao pior dos campos de concentração (Auschwitz) e teve forças para contar o seu cotidiano, onde a vida ou a morte dependia, às vezes, de migalhas de pães que caíam no chão; neste livro é possível penetrar fundo no âmago da natureza humana, através de uma experiência terrível.
- Há vida inteligente fora da literatura?
- Sim, claro, mas a literatura é especial porque para ela converge a identidade cultural de um povo e até de civilizações. Observem a importância de Shakespeare, de Dante, de Camões e de Goethe para a identidade dos seus países respectivos.
- Qual a fronteira entre o leitor e o possível escritor?
- É bem tênue. Porém, gênios como Graciliano ou Jorge de Lima não nascem todo dia. Há livros e livros, mas os grandes textos são mais raros do que ouro. Veja que dos milhares de obras escritas na Europa entre 1500 e 1700, só uns quatro ou cinco chegaram até nós. O restante foi esquecido. E esse “peneirão” continua existindo.
- A breve narrativa ou um romance?
- Se a história é bem contada, não importa a sua extensão.
- Você teria uma espécie de manual de como se forma um leitor?
- É mais fácil ser leitor se tivermos a sorte de nascer em um lar que o favoreça. Contudo, acho que é possível aprender a gostar de ler por meio da força de vontade, da consciência de que a leitura é essencial para nosso espírito. Muitos dos nossos colegas estão na metade da vida. Já é hora dos que não gostam de ler adquirir esse hábito, para ninguém sentir saudades do trabalho depois da aposentadoria, pois o tédio aflige menos aos que se dedicam à cultura. Uma forma ideal para isso é ler diariamente por vinte ou trinta minutos e, em três ou quatro meses, forma-se o hábito. Só assim poderemos perceber que a leitura afasta o tédio, instrui, humaniza e diverte ao mesmo tempo.
- A leitura continua imprescindível?
- Sim, pois ela nos mostra um mundo maravilhoso, que deslumbra os seus iniciados. A cultura nos separa do mundo irracional. Michel de Montaigne (no que concordo plenamente) afirmou em um dos seus ensaios que fazer amor, uma boa conversa com nossos amigos e uma infinidade de outras coisas são experiências mais prazerosas do que a leitura. Porem, tais alegrias não são duradouras ou acontecem raramente, enquanto que os livros estão à nossa disposição a qualquer hora, sem reclamar ou fazer cara feia. Se o prazer não é tão intenso como nos outros citados, ele é mais constante e demorado. Por isso é que eles sempre serão necessários para nos transmitir novas experiências, conhecimentos e nos afastar do abismo que é o vazio interior, primo irmão do tédio.
- E os filósofos?
- A diferença entre um escrito do filósofo Arthur Schopenhauer e um clássico da literatura é de estilos apenas. Tanto a grande literatura quanto a filosofia trazem um salto de qualidade em nossas percepções; ambas divertem, distraem e instruem com igual intensidade.
- E a poesia?
- A boa poesia, de um Drummond, de um Augusto dos Anjos, tem uma complexidade que se reflete no número menor de seus leitores, se comparados aos que leem prosa. Isso é explicado porque a poesia depende das conotações, do ambiente e da cadência das palavras; a inspiração aqui tem seu reino. Por isso que Castro Alves, morto aos 24 anos, tornou-se imortal. Já a prosa é diferente, exige experiência, disciplina, tanto que são raríssimos os autores de prosa que conquistaram fama muito cedo. José Saramago mesmo começou a ser reconhecido depois dos cinqüenta anos.
- O que você tem a dizer para os colegas que ainda não incorporaram a leitura em suas vidas?
- Repensem essa postura. Lembrem-se que o que nos diferencia dos animais é o pensamento e a cultura. Não esqueçam que tudo o que somos, em termos técnicos e de civilização, é fruto da reflexão e do esforço de uma minoria que leu e estudou muito. Observem que as ideias movem o mundo e que devemos obter mais conhecimento para não sermos ludibriados por ‘falsos profetas’ e picaretas de todos os tipos.