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Abandoned Hotel | Explore

 

Construído em 1973, o Torre Palace Hotel, fruto do trabalho do libanês Jibran El-Hadj, foi o primeiro Hotel de grande porte a ser contruído no Setor Hoteleiro Norte. Sua localização é uma das mais privilegiadas do país. No centro do eixo monumental, os 140 apartamentos integram o complexo que tem vista para a Torre de TV e a Esplanada dos Ministérios, um dos metros quadrados mais caros do Brasil.

 

 

No entanto, o hotel de 40 anos tomou um rumo inesperado. No final de maio de 2013, o estabelecimento recebeu seus últimos hóspedes. Do dia pra noite, ninguém mais poderia fazer check-in. Era o fim de um dos hoteis mais conhecidos da capital. De acordo com a Prefeitura do Setor Comercial Norte, que também administra o Setor Hoteleiro, após a morte de Jibran, em 2000, o hotel passou a ser administrado por 7 herdeiros que teriam entrado em desacordo sobre os rumos do patrimônio.

 

Completamente desativado, hoje, o antigo Torre Palace Hotel é habitado por moradores de ruas e usuários de drogas. Desde agosto de 2014, o hotel foi sendo depedrado pouco a pouco por quem entrava no local. Tudo o que poderia ser reaproveitado foi arrancado por invasores: portas, portais, janelas, vidraças, pedras de mármore e granito, pias e até mesmo vasos sanitários. Não restou absolutamente nada, além do esqueleto da obra e de seus novos habitantes, que causam medo e geram insegurança aos hóspedes de hotéis vizinhos.

 

Rômulo Araújo é gerente de um hotel que fica ao lado do Torre Palace. Ele conta que os hóspedes se sentem inseguros com o vizinho e os instrui a não andarem sozinhos pela redondeza durante a noite. Rômulo ainda diz que "a procura pelo hotel diminuiu bastante nos últimos meses. Boa parte dos clientes são moradores fixos, e muitos deles estão se mudando por conta da insegurança".

 

O acesso ao local é livre. Sem portas, janelas ou barreiras, é possível adentrar o local sem nenhuma dificuldade. Já logo na entrada o cheiro é completamente insuportável. Por todos os cantos é possível encontrar fezes, entulho e muito lixo. O cenário é de completa destruição. A cena remete à algo como a passagem de um tornado ou de um terremoto. Em uma primeira vista, um morador de rua dormia envolto em uma fina coberta verde rasgada, sob a proteção de apenas uma bíblia aberta ao seu lado.

 

Ao subir os primeiros degraus a cena não é diferente. Destruição, roupas, sapatos, preservativos: tudo ali denunciava a presença de pessoas que passaram recentemente pelo local. Ao subir no primeiro andar, foi possível ver um quarto com um varal e algumas peças de roupas estentidas. Enquanto as gotas pingavam no chão cheio de poeira, panelas com comida fria ambientavam o cheiro do local. Não havia nenhuma pessoa no quarto.

 

No segundo andar, ao entrar em um dos quartos para registrar as imagens, encontramos um morador de rua deitado em um colchão. Morador do local há 2 semanas, Antônio Pereira, comunicativo e aparentemente alterado, aceitou ser fotografado dos joelhos pra baixo. Segundo Antônio, "de dia é tranquilo, fica pouca gente aqui dentro. É de noite que o bixo pega. Rola droga, rola crack, rola briga [...]". Ao ser questionado sobre sua estadia, Antônio é enfático quando diz "já fumei muito crack, hoje fumo só maconha. Só tô aqui mesmo pra ter um lugar pra passar as noite [sic]. Enquanto ninguém embassa eu vou ficando".

 

O lugar não é apenas o "paraíso" dos desabrigados. As paredes do antigo hotel abandonado dão lugar à manifestações de arte urbana onde pichachões e grafites dão um pouco de vida ao local. Pichadores e grafiteiros fazem a festa todos os dias. É muito comum encontrar latas de tinta spray jogadas pelos cômodos do hotel abanadonado.

 

No décimo quarto (e último) andar do edifício, foi possível identificar algo que seria uma espécie de escritório ou biblioteca do hotel. Entre centenas livros, fotos, impressoras, documentos e carcaças de monitores antigos, eu senti a sensação de estar sendo observado por algo ou alguém e isso foi assustador.

 

No final da reportagem, fomos surpreendidos por 4 viaturas da Polícia Militar. Alegaram ter recebido denúncia de que 2 pessoas teriam entrado no edifício há cerca de 2h e não teriam retornado até então. Ao explicar a situação, tomamos depoimento dos oficiais. De acordo com o Sargento Ferreira, "os PM's fazem patrulhamento, mas alegam que só podem entrar no edifício em casos de flagrante, uma vez que é propriedade particular."

 

 

Built over 1973, the Tower Palace Hotel, fruit of labor of the lebanese Jibran El-Hadj, was the first large sized hotel to be build at the Hotel Sector North of Brasília, capital of Brazil. Its location is one of the most privileged in the biggest country of south america. In the center of the capital, the 140 apartments are part of the complex that overlooks the TV Tower, National Congress and the Esplanade of the Ministries, brazilian postcards and one of the most expensive square meters of the country.

 

 

However, the 40-year hotel took an unexpected turn. In late May 2013, the property received their last guests. From day to night, no one could check in. It was the end of one of the most known hotels of the capital. According to the City Hall, after the death of Jibran in 2000, the hotel is now managed by seven heirs who reportedly at odds over the direction of the patrimony.

 

Completely deactivated today, the old Tower Palace Hotel is inhabited by homeless people and drug addicts. Since August 2014, the hotel has been plundered and vandalized bit by bit by them. All that could be reused was removed by invaders: doors, gates, windows, glasses, marble stones, granite stones, sinks and even yet toilet boil. There is nothing left beyond the skeleton of the building and its newer dwellers, that scares and causes insecurity for the guests at nearby hotels.

 

Rômulo Araújo is manager of a hotel next to Tower Palace. He says the guests feel insecure with the neighbour hotel and instructs them not to walk around there at night. "The demand for the hotel has decreased since last year. Most of the guests are permanent dwellers and many of them are moving due to the insecurity."

 

With no doors, windows or barriers, it's possible enter the place with no difficulties. At the entrance the smell is completely unbearable. Everywhere you go you can see feces, trash and urine. The scene is utter destruction. Everything over there seems something like after a tornado or an earthquake. In a first glance, one homeless slept wrapped in a torn blanket, under the protection of just an open bible at his side.

 

Going up the stairs the scene wasn't different. At the first floor, it was possible to see a room with clothes on the line. While the drops dripped on the floor full of dust, pipes of crack and rotten food made the smell of the place unbearable. Destruction, clothes, shoes, condoms and pans: every thing over there revealed the presence of people who have recently passed through the abandoned hotel. There was no one in the room.

 

On the second floor, when entering a room to take the pictures, I found a homeless on a mattress. Local resident for 2 weeks, Antonio Pereira, communicative and apparently high, has agreed to be photographed from the knees down. According to Antonio, "during the day is quiet, there is few people here. Overnight that the going gets tough. Many people use drugs. People do fight, people stab each other. It's horrible. [...]. When asked about his stay, Antonio says "during a long time I've smoked crack, today I just smoke weed. I'm just right here to have a place to spend the night [sic]"

 

The abandoned hotel is not only the "paradise" of the addicts and homeless. The walls of the old hotel give way to demonstrations of urban art where graffiti gives a little of life for the building. Taggers and graffiti artists has fun over there everyday. It's common to find spray paint cans over the rooms of the hotel.

 

On fourteenth (and last) floor of the hotel it was possible to identify something like an office or a library. Among thousands of books, pictures, printers and documents, I've felt the sensation of being watched by something or someone. It was scary.

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Uploaded on May 30, 2015
Taken on May 16, 2015