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Puxar de cortina

Não sei quanto a despedida vair doer-me

e nem procuro pensar no peso das lágrimas

prefiro aguardar pela saudade como quem a espera com a luz apagada

E quando ela adentrar no meu quarto escuro e apagar todos os hálitos quentes

que ainda me restarem

estarei eu calado

consciente

para ser violado

mais do que corpo

em alma

E quando pesar demais,

hei de encontrar na doce memória

que vive e sobrevive

a tua face querida

dos dias ensolarados que tagarelavam com nossa felicidade

felicidade incontida e livre

e solta

e linda

e jovem

como as crianças devem o ser.

Hei de ter dias cheios de prantos ímpios

infiéis à vida

e fiéis a ti e tua cálida memória vivente

de nuvens de sonho e de maçãs que hão de ser todas proibidas

e doces como as delícias

Hei de ver na margem do rio solitário fluente das águas do tempo e da memória

filhos de Narciso que fluem e flutuam

dizendo que a leveza não é utopia

mostrando-me quaisquer

coisas ou nada

epifanias

e realidades verdades sonhadas

jorradas de livros não escritos

que o amor

não se mede com tempo

nem com saudade

O amor é ser indivisível

e contraditório

preguiçoso nos egoísmos

benevolente na paixão e pouco ou muito amigo na distância-solidão

Solidão que prova que pouco se sabe de ser só

Pouco se quer

e pouco se pode

mesmo se estando

na maior parte da vida que cai para todos

ou sobe

para os filhos Hórus

Que seja e nada tema

no mundo incestuoso que é o nosso

Sentir é o que glorifica

Tudo

que vale é pouco

e do pouco tira-se muito

embora desconheça-se

E dito e findo

aqui

Sinto no peito

já a dor

Fecho a janela

ouço o dedilhar da melancolia no piano

Adeus, adeus....

 

 

Charles Atlantis

 

Obrigada pelas visitas =D

 

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Uploaded on January 27, 2014
Taken on May 5, 2010