Lisboa | Lisbon | Lisbonne | Lisbona | Lissabon | Лиссабон
Poeta, detalhe | Poet, detail
Túmulo do poeta Gomes Leal | Tomb of the poet Gomes Leal
Cemitério do Alto de São João | Alto de São João Cemetery
Escultor | Sculptor: Francisco dos Santos
CARTA AO MAR
Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter contigo,
– Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, – vasto e húmido jazigo!
Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguém te vence ou te venceu no mundo!...
Mas também, quem te pôde consolar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! –
E, contudo, ouve-o aqui, em confidência;
– A Música é mais triste inda que o Mar!
GOMES LEAL
[1848 – 1921]
‘in' CLARIDADES DO SUL
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Poeta, detalhe | Poet, detail
Túmulo do poeta Gomes Leal | Tomb of the poet Gomes Leal
Cemitério do Alto de São João | Alto de São João Cemetery
Escultor | Sculptor: Francisco dos Santos
CARTA AO MAR
Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lírico, choroso,
E terno visionário, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vai ter contigo,
– Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, – vasto e húmido jazigo!
Nada é mais triste, trágico e profundo!
Ninguém te vence ou te venceu no mundo!...
Mas também, quem te pôde consolar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excelência! –
E, contudo, ouve-o aqui, em confidência;
– A Música é mais triste inda que o Mar!
GOMES LEAL
[1848 – 1921]
‘in' CLARIDADES DO SUL