getolina
CONVERSAS NO BOSQUE
Passeamos por bosques que nos excedem
como por dentro de uma catedral,
uma gruta marinha de claridade incerta:
à deriva, caminhos como correntes
levam-nos onde querem
e damos voltas e mais voltas
sem saber onde vamos,
perdidos em nós mesmos,
mas envolvidos na penumbra,
cantos esvoaçantes e cheiros intensos:
todo o património destes grandes bosques.
As nossas conversas de súbito florescem
como esses cantos que sentíamos
embriagados de si mesmos,
e uma certa felicidade, intrusa,
infiltra-se em nós,
mas tudo o que floresce é logo espúrio,
e pouco a pouco sentimos por dentro,
como os seus frutos pesam
e caem, depois, rachados,
nesta terra sempre sombria
que nos mostra claramente
como tudo começa e acaba.
Àlex Susanna, numa tradução colectiva em Mateus
CONVERSAS NO BOSQUE
Passeamos por bosques que nos excedem
como por dentro de uma catedral,
uma gruta marinha de claridade incerta:
à deriva, caminhos como correntes
levam-nos onde querem
e damos voltas e mais voltas
sem saber onde vamos,
perdidos em nós mesmos,
mas envolvidos na penumbra,
cantos esvoaçantes e cheiros intensos:
todo o património destes grandes bosques.
As nossas conversas de súbito florescem
como esses cantos que sentíamos
embriagados de si mesmos,
e uma certa felicidade, intrusa,
infiltra-se em nós,
mas tudo o que floresce é logo espúrio,
e pouco a pouco sentimos por dentro,
como os seus frutos pesam
e caem, depois, rachados,
nesta terra sempre sombria
que nos mostra claramente
como tudo começa e acaba.
Àlex Susanna, numa tradução colectiva em Mateus