Minha produção está baseada no fazer técnico e necessita ainda evoluir no sentido conceitual. Não me sinto totalmente livre, nesta fase, para associar sentimentos ou emoções ao trabalho, pois não o considero amadurecido. Tenho consciência de que se um trabalho é fundamentado em apenas um aspecto, por exemplo, a técnica, ele corre grande risco de se tornar ingênuo. Minha maior frustração se instaura no instante que ao propor objetivos, acabo de alguma forma não os atingindo. Momentos de crescimentos obtidos a partir de acasos acontecem e percebo que a estes estou mais atento, sabendo incorporá-los ao trabalho. Minha obra ainda não está totalmente formada por não conseguir identificar ali um tema específico: social, político, pessoal, educacional, etc. Considero a produção regular um quesito obrigatório para poder chamar algo de “obra”, e este é um ponto em que meu trabalho deve ainda se desenvolver.
Em uma permanente procura dos verdadeiros motivos que me levaram àquela tarefa do fazer artístico e na tentativa de reflexão constante, me expresso através do desenho, da pintura e fotografia. Geralmente através de tentativas, procuro me permitir no ato gestual, mantendo uma conexão dos sentidos, dos desejos e dos objetivos. Reter na repetição do movimento a técnica é também um mecanismo que acredito. Geralmente as idéias visuais são incompletas necessitando sempre de adaptações que permitam ao artista desenvolver o seu trabalho. Verifico maiores sucessos em idéias que provêem de meu inconsciente, que partam de sonhos. Se tiver esta imagem resolvida como um todo, posso-me ver mais livre para dar início ao trabalho. Neste exercício a imaginação será a força motriz, as sensações indicaram o caminho a ser percorrido. Isto tudo será intercalado por incertezas e experiências já obtidas. Aliar domínio técnico, liberdade de expressão e questionamento da obra.
Dentro do meu processo prático o que posso chamar de erros? Sei identificá-los? É relevante diferenciar estímulos internos de externos, atribuindo mais importância a qualquer um destes lados?
Para me apropriar dos erros, preciso antes de qualquer coisa me distanciar do trabalho e realizar uma auto-avaliação, mas isto é algo complexo. Envolve esclarecimento, discernimento, conhecimento, sabedoria, lucidez, liberdade, autoconfiança, desprendimento. A estrada é longa.
Em vez de ficar me perguntando por que usar o computador na tarefa da pintura, me perguntei: _ Porque não usar? Além do mais, ele está presente em minha vida, doze horas por dia, durante os últimos dezoito anos. Acredito que a pintura digital vem reforçar ainda mais a idéia de que a pintura seja mental. Na virtualidade ela, a pintura, reafirma sua potencialidade, é duplamente inerente ao campo das idéias.
Sou um ativo estudante da pintura “convencional e clássica” com pincel e tinta de verdade, sentindo até mais prazer nesta à digital. Mas a idéia de sobrepor ferramentas, recursos e meios me desperta grande interesse. Unir coisas tecnológicas e tradicionais me faz pensar em um trabalho que seja a imagem do presente.
Intenção do gesto, toque e pressão do pincel, tipos de tinta, superfície, características que ressaltam pontos em comum no trabalho que venho desenvolvendo, e a pintura em si.
Escolhi pintar figuras humanas realistas. O realismo, é ao meu ver, algo presente em cada nova época. Suas interpretações se renovam de acordo com as constantes modificações de pensamentos, informações e acontecimentos. Vivemos tempos onde a qualidade imitativa já não possui importância considerável que agregará grandes valores pictóricos à qualquer obra. E para me desvencilhar desse peso e responsabilidade, recorro à computação gráfica. Ali encontro recursos que me poupam de tarefas difíceis, que para meu trabalho não trarão diferenças significativas. Vejo meu trabalho como sendo algo que produza imagens através da simples combinação de linhas, formas, cores e sentimentos.
O fato de já trabalhar com computação gráfica acabou facilitando bastante o meu projeto. Mas confesso que não ter um objeto físico, no início me incomodou um pouco. Outra dificuldade foi encontrar uma empresa competente que reproduzisse com fieldade minhas pinturas. O lado bom é que este trabalho, diferente de tudo que já fiz, tem uma carga muito forte de realidade e estranheza. Os cortes ou closes que resolvi incorporar é um elemento importante. Ao meu ver eles funcionam como uma lente de aumento para o detalhe e a marca que o pincel produz nesta “tinta” pixelada e virtual.
Já somos acostumados a apreciar uma obra através da reprodução de livros e revistas (impressão off-set). É aceitável e óbvia a pesquisa iconográfica pelos livros. É claro que isto não é nem de longe, ver uma pintura original, mas podemos dizer que nos mantém ligados àquela obra de alguma maneira. Quando alguém vê uma reprodução de uma pintura é tão evidente que aquilo ali é uma fotografia da pintura, que isto nem é questionado. E este é um ponto importante na pintura digital. Para materializá-la é preciso que seja impressa. Isto pode se tornar bastante estranho para os acostumados à apreciar imagens reproduzidas por fotografia. Na pintura digital não existe a etapa da execução material e sim apenas sua reprodução realizada por uma impressora. A impressão digital é a “gravura” do mundo atual. Esta instantaneidade reprodutiva é bem vinda.
Assim como na gravura considerei importante estabelecer uma tiragem limitada, uma única reprodução de cada obra , faço aqui uma referência às tradicionais regras onde é pré-estabelecido o número de cópias numa produção artística. Novamente tento criar um vínculo entre novos e tradicionais conceitos.
O fazer e desfazer aqui é ilimitado, oferece uma possibilidade inesgotável de opções. Vejo isto como um fator bastante positivo no trabalho digital. Quem poderá dizer que a intuição é conduzida de forma diferente num ambiente imaterial? E quem disse que tais possibilidades e recursos, não sejam pontos importantes numa época onde justamente o valor do trabalho artístico pode ser as idéias que a ele circundam?
O trabalho foi realizado com um pensamento fixo no primeiro gesto. As pinceladas se originam na medida em que vão acontecendo. Elas passam a existir não diante a um objetivo, mas sim diante a um desafio. O desafio do primeiro gesto. Uma relação que proporcionou novas experiências. Na associação do imprevisível às infinitas possibilidades da imaginação o trabalho se realizou. Permissão desprendimento, expressão. Generosidade do artista misturado com a imponderabilidade dos recursos. Domínio versus imprevisível.
Baseado em meus conhecimentos na operação dos softwares Corel Painter X e Photoshop CS3, desenvolvo meu trabalho na produção destas pinturas digitais, que são baseadas em imagens gratuitas, obtidas na internet. Neste sítio infinito que é a internet busco o material utilizado para as pinturas. Hoje é difícil estabelecer fronteiras sobre o domínio de uma determinada informação. Acredito que as interferências que realizei nas imagens que apropriei transformam estas imagens em outra coisa em relação aquilo que era. Já não são fotografias, pois ao realizar a pintura transformo uma informação em outra.
Meu desejo é me expressar através da arte explorando ferramentas inerentes à época contemporânea (ex. imagens fotográficas, vídeos, pinturas e desenhos digitais). Com isso acredito estar contribuindo na valorização de ferramentas tecnológicas que no meio artístico considero ainda pouco utilizadas. Percebo que ainda existe muita resistência no campo da arte quanto à mídias tecnológicas, tanto do artista como do expectador.
Me aproprio aqui das palavras de Wucius Wong para complementar minhas idéias pois, elas (as palavras de Wong) me servem muito bem:
"Traços ou formatos podem ocorrer espontâneamente, à medida que exploramos instrumentos, meios ou substâncias para obter efeitos pictóricos, escultóricos ou de textura e, neste processo, decidimos o que é bonito ou interessante, sem saber conscientemente como e por que. Podemos verter sentimentos e emoções durante o processo, resultando em um tipo de expressão artística que reflita nossa personalidade na forma de nossos gostos e inclinações da criação visual."¹
- JoinedAugust 2005
- OccupationIlustrador
- HometownDivinópolis
- Current cityBelo Horizonte
- CountryBrasil
Most popular photos
Testimonials
Nothing to show.