Três décadas de talento nas costas

Rian Santos*

Um fotógrafo parido pela necessidade. Produtor cultural há três décadas, Marcelinho Hora teve de arregaçar as mangas e colocar a mão na câmera para registrar alguns dos capítulos fundamentais da nascente cena musical sergipana. Não havia grana. Não havia quem fizesse o trabalho. O jeito foi experimentar o feeling que transbordava dos amplificadores e sentar o dedo no disparador.

“Ao trabalhar com bandas/artistas autorais acabei me deparando com a necessidade de ter boas fotos promocionais, para divulgação, e acabei assumindo esse papel. A música me levou à fotografia. Sem a música, a fotografia não existiria em minha vida”.

Cenário difícil de imaginar em meio à enxurrada de informação que soterra o discernimento nas redes sociais. Sinal dos tempos. Quando Marcelinho se meteu atrás das lentes, no entanto, o imperativo da imagem ainda era governo de poucos. Intuição, tato e muita pesquisa moldariam o seu olhar até que ele finalmente se assumisse como profissional.

Das primeiras sessões, com a banda Mosaico, até a cobertura da turnê Grão (leia-se Maria Scombona), foi um pulo. A banda liderada por Henrique Teles encerraria o giro pelo nordeste com o lançamento do clipe 20 meninas e apresentação na Rua da Cultura. Ao revelar a pilha de negativos gastos no Festival de Inverno de Garanhuns; Projeto Julho, em Salvador; e Feira da Música de Fortaleza, Marcelinho se deu conta da narrativa que tinha em mãos. A exposição O 7 da Maria, abrigada pela Casa Laranja, um dos poucos palcos dedicado à música autoral naqueles idos, foi um sucesso.

“Acho que foi o meu batismo. Ali eu vi que havia de fato algo especial no meu trabalho. Foi o despertar para a continuidade de registro da música sergipana, até os dias de hoje”.

A demanda cresceu tanto que, estabelecido como um dos profissionais mais requisitados do lugar, Marcelinho Hora expandiu o seu campo natural de atuação e hoje se dedica a todo o tipo de registros. “Acho que o que aproxima a fotografia de música da fotografia social é o feeling, o time que você precisa pra não registrar apenas o óbvio. A fotografia de música me dá régua e compasso pra sair do ordinário e criar um registro diferenciado”.

Explicação desnecessária. Os disparos de Marcelinho Hora ao longo de tanto tempo respondem por si.

*Jornalista

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  • JoinedJuly 2005
  • OccupationProdutor Cultural
  • HometownAracaju
  • Current cityAracaju
  • CountryBrasil
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Olá! Meu anjo. Como sempre as suas fotos incríveis! Luã mais parecido com você do que nunca. Muito bacana esse sua logo nas fotografias, quem a fez? Tem uma frase numa fotografia que você fez de um mural que está escrito assim - "Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória. É preciso vivê-lo ao som de uma músic… Read more

Olá! Meu anjo. Como sempre as suas fotos incríveis! Luã mais parecido com você do que nunca. Muito bacana esse sua logo nas fotografias, quem a fez? Tem uma frase numa fotografia que você fez de um mural que está escrito assim - "Se quiser guardar um tempo infinitamente na memória. É preciso vivê-lo ao som de uma música". MARAVILHOSA essa frase, a pessoa que á escreveu , a sensibilidade está explicita em cada palavra. Um abraço GIGANTE, saudade! Beijocas e se cuida! Grazi

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April 15, 2008