Gosto tanto da noite que acabo me perdendo nesses curiosos delírios que ela me provoca. Hoje percebi quanto tempo eu dedico a tentar essa curiosa pergunta, o mais curioso, a quantidade de respostas que formulei. Ou as que encontrei por ai. Não consegui elaborar o fundamento dessa existência questionadora, mas aprecio minha natureza de investigação.

 

O auto-conhecimento é um caminho perigoso. Saber o que você é a partir do que você foi te mostra o que pode vir a ser. Na maioria das vezes isso assusta.

 

Ultimamente venho testado de forma empírica as teorias das virtudes cardeais e os pecados capitais. A conclusão fatal é que a sabedoria é a única virtude valida e a ignorância é o único vício condenável.

 

A busca pela verdade é o único caminho, a verdade é o único fim. Quanto mais próximos chegamos dela, mais medo temos de não nos sobrar nada mais. Nós realmente vivemos ou inventamos tudo isso para nos distrair? É como o truque dos ilusionistas, você sempre sabe que é falso, e até procura entender como aquilo foi feito, mas o ápice do espetáculo é sempre quando somos enganados.

 

Eu nasci e cresci em um tempo que o amor se mostrou inútil. Vou envelhecer e morrer em uma época em que ele é uma lenda.

 

Paciência, que diga-se, eu a tenho, eu gosto do estrago. Mesmo estando sozinho com a luz apagada, na janela ainda existem as gotas da última chuva.

 

Meu sopro não é mais suspiro, é asma. Já não sei sofrer pelo mundo, é mais uma sensação de pena. Aprendo algumas coisas nos livros e discos, mas a hipocrisia dos fracos em espírito é o principal professor da patética (in)capacidade de existir.

 

Não sei mais com que me importo, que venha a velhice, estou pronto para ela. Meus ídolos são imagens que sustento com alguma dedicação, imagino-os da forma perfeita do momento em que me agradaram, é um costume de se apegar ao passado de uma forma que já tantas vezes critiquei nesses que me abominam.

 

Tentei sustentar o mundo nos ombros, mesmo não sustentando meu próprio peso.

 

O mundo pesa tanto quando o toque de uma criança.

 

Guerra, fome, discussões em enormes edifícios, o espetáculo barbado da estupidez humana só mostram que a vida perdura.

 

Os delicados preferem morrer.

 

A vida é uma ordem que acatamos sem entender. Não é um fardo tão pesado, mas exige um nível de indiferença que o instinto, adjetivo raro hoje em dia, não permite ser automático.

 

Não adianta mais morrer. A justiça não se aplica aos heróis.

 

Restou-nos apenas a vida, sem mistificação.

 

Patética, como haveria de ser.

 

Eu vou brincar de sofisticá-la.

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