A energia é algo sugado de um outro lugar. Ela não pode ser criada, mas apenas transformada, tirada de um corpo, transmitida para outro, produzindo assim um trabalho, um fenômeno transformador.

 

Modificar a natureza, o estado bruto das coisas, para que as coisas nos sejam úteis, é a tarefa primeira dos homens de engenho. E as coisas de hoje, do mundo pós-moderno, podem ser cada vez mais de qualquer matéria: palpáveis ou não, de estruturas do pensamento a devaneios etéreos... tudo hoje calcifica, uma hora ou outra, em um valor. Tudo hoje, mesmo a rocha mais dura, mesmo a ideia mais rasa, pode transubstanciar-se em um ente com aura, com identidade valiosa, com ares de raridade, em um formato que sugira ser imprescindível.

 

Construir, comunicar e pensar. Ou pensar, construir e comunicar. Ou todos as combinações advindas do engenho humano e do aleatório universal. Podemos sugerir um novo conceito. Todos podem. Podemos interferir nele, esculpir e transmitir o conceito recheado com todas as bagagens intelectuais das vivências, com o empirismo pobre das vilas ou com o creme das academias.

 

O que importa mesmo, no final de tudo, é a energia deslocada, aquilo que o senso comum grafou no suor. É só isso o que será valorado, tomado por uma métrica misteriosa, que sempre é justaposta ao resultado.

 

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Gustavo Domingues

Designer

gugulooper@gmail.com

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