Sou rei.
Fui rei.
Sou rei de circo.
A coroa é papelão
E o dourado é vão e falso.
Sou um rei descalço.
E tudo acontece dentro do meu sangue
E da minha memória...
Onde havia um estrado
e uma cortina que,
no momento em que se fechasse definitivamente,
acabaria o espetáculo:
aquele sonho glorioso e grotesco,
cheio de rosnados e clarins,
de farrapos e mantos de ouro,
sujo e embandeirado.