"Mais de uma vez, eu a vi admirar seu corpo no espelho, segurar os seios com as mãos, como nas estatuetas sírias, e passar os olhos pela sua pele numa lenta carícia. Nunca consegui resistir ao desejo de pedir que se aproximasse, sentindo-a curvar-se um pouco sobre mim, desdobrar-se outra vez, depois de ter estado por um momento tão só e tão apaixonada diante da eternidade de seu corpo."
(...)
...deixando-se levar pelos signos da noite, adotando itinerários sugeridos por uma frase de clochard, por uma água-furtada iluminada no fundo de uma rua escura, detendo-se nas pracinhas muito íntimas para se beijarem nos bancos, ou para olharem o jogo da amarelinha, os rituais infantis da pedrinha e o salto sobre um pé para entrar no céu."
Julio Cortázar - O Jogo da Amarelinha (Rayuela)
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