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Res: Carta aos Brasileiros!

Moura

 

Deixa de neura; se eu não te conhecesse te chamaria de burro, mesmo sabendo

da intelig^^encia que vc tem.

 

Como é que eu vou votar em um candidato que no atlas geográfico dele a

região sudeste é o Brasil e a capital é São Paulo.

 

Isso é que é retrocesso; vamos voltar à política do CAFË com LEITE; tudo pro

sul e sudeste e nordeste nada.

 

Dia 31 vote 13. DILMÃO neles.

 

Abraço amigo.

 

Galvão.

 

-------Mensagem original-------

 

De: Moura

Data: 23/10/2010 08:19:32

Para: Executiva@secrel.com.br; executivo@secrel.com.br; Fabiana Furtado;

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mffadvocacia@gmail.com

Assunto: Carta aos Brasileiros!

 

Sem medo do passado – Carta aberta de Fernando Henrique Cardoso a Lula

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Fernando Henrique Cardoso

 

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar

inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce

o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere

que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o

personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de

tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou

eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

 

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos.

Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu

passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então,

baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

 

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal,

o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o

inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o

inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele

herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais

consciente e benéfica para todos? No ralo.

 

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois

alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área

social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta

é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um

governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade

da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da

modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do

monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade,

chegou à descoberta do pré-sal.

 

Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de

R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e

recuperados para a execução de políticas de Estado.

 

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos

alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de

obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do

sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do

acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga

mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a

empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o

salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos

brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

 

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e

dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo

temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir

socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de

reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor

que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os

juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à

custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

 

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto

“neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o

que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente

da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010.

 

“Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior

(monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras

produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez

anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a

realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz

dela”.

(José Eduardo Dutra)

 

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem

só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a

população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou

caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito

acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário

mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de

49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação,

não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando

saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do

nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

 

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família),

vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em

um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados

(Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola

atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou

outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa

os programas anteriores.

 

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas

olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o

programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos

genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família,

pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa

“Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das

crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em

prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e

deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

 

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe

abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem

mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

 

Fonte: Manifesto em Defesa da Democracia - Fernando Henrique Cardoso

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Taken on October 25, 2010