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DETALHES DO TETO DO CASTELINHO DA PRAIA DO FLAMENGO – RIO DE JANEIRO / BRASIL

DETALHES DO INTERIOR DO CASTELINHO DA PRAIA DO FLAMENGO - RIO DE JANEIRO / BRASIL. ............... Breve histórico da arquitetura e do estilo da casa.

 

Edificação eclética, de tendência italiana, mescla elementos de diversos estilos e épocas diferenciadas, tais como o art-nouveau, o barroco, o renascentista e o neo-gótico francês, formando o popular "estilo castelinho".

Construída a partir do afastamento dos limites do terreno, em posição privilegiada de esquina, apresenta quatro fachadas valorizadas pelo apuro formal e de acabamento em cantaria, estuque, barrado de azulejaria, telhado de ardósia e rica serralheria. A alternância das formas geométricas em plantas gera dinamismo no seu espaço interno quanto a imponência da volumetria.

 

Possui três pavimentos, acrescidos de terraço coberto e um torreão com dois estágios de mirante, uma espécie de "torre de ménage" à francesa. Um prédio anexo comporta a garagem no térreo e dependências no sobrado.

O pavimento térreo, originalmente chamado de "rés-do-chão", possui quatro entradas: uma nobre, uma mais íntima e duas de serviço. A entrada principal caracteriza-se pela forma de rotunda, sob o torreão, e é precedida de lances circulares de três degraus em cantaria. Compõem o ambiente colunas ecléticas, dispostas em duplas, e dois nichos semicirculares com peanhas à espera de algum elemento escultório.

Pelo desenho do projeto original, pode-se observar a intenção de colocar ânforas nesses nichos.

O portão de entrada (ao lado), ricamente trabalhado em motivos art-nouveau em forma de borboleta, leva a um pequeno hall de distribuição, disposto diagonalmente, que se liga, à esquerda, a uma sala; à frente, ao vestíbulo, e à direita, ao escritório.

Chama a atenção o alto nível dos materiais de acabamento nesses espaços: cristais bisotados, "boissérie", forros e ornatos em estuque.

O vestíbulo é o grande espaço de distribuição entre os pavimentos. Possui uma escada em forma de "U", de madeira; o arranque é um pitoresco ornato de estuque com formas sinuosas e rosto de mulher. Um vitral, de gosto romântico, faz pano de fundo à escadaria.

Há que notar a locação dos lavabos nos patamares da escada, aproveitando o desvão dos pisos. Estes ainda possuem suas paredes revestidas com cerâmica vitrificada.

Embora quase todo o piso desse primeiro pavimento tenha sido retirado - apenas restou o do vestíbulo, em cerâmica hidráulica - , é de se supor que alguns compartimentos fossem também revestidos com pisos frios, e outros em tabuado de madeira, conforme os vestígios encontrados no cimento.

 

O segundo pavimento, o andar nobre, tem um tratamento apurado. Aqui estão as salas de visitas ladeadas por varandas, conhecidas como "miradores": duas retangulares e, sob o torreão, uma poligonal.

Uma saleta, ligada também ao vestíbulo, funciona como espera do visitante, uma vez que está localizada na chegada da imponente escada externa, de alvenaria, que circunda o alpendre desse pavimento e que pode ser vizualizada à direita.

Nesta saleta encontramos uma portada, de ligação ao vestíbulo, com um trabalho de fino gosto contendo estátuas art-nouveau; à sua frente, ligando a um balcão sacado, encontramos uma ampla esquadria côncava de madeira com cristais bisotados, conferindo ao ambiente um efeito de movimentação. Na restauração da casa optou-se por manter a esquadria original, apesar das rachaduras, como testemunho do gosto dos primeiros moradores.

As paredes e os tetos são ornamentados com estuque, em motivos diversos. Os pisos, tabuados, desapareceram, mas encontram-se ainda os barrotes de sustentação.

Ao centro do pavimento, dispõe-se a sala de jantar, ligada à copa, à cozinha e à área de serviços. Um terraço avarandado e circular, contíguo ao hoje Auditório Lumière, confere ao andar um aspecto bucólico.

 

O terceiro andar, onde atualmente funciona a Administração, é a parte mais íntima da edificação, originalmente com quatro quartos, um "toucador" sob o torreão, além de um hall de passagem e um amplo banheiro.

O decorativismo aí já se torna mais sóbrio, centralizado nas esquadrias de madeiras, com venezianas, caixilharia de cristais bisotados e alguns poucos estuques.

Uma estreita e sinuosa escada, locada em área interna próxima ao banheiro desse andar, dá acesso a um amplo terraço coberto, de efeito repousante, contendo elementos da escola italiana de Veneza, com uma magnífica vista para o Aterro. O piso é em mosaico formando frisos decorativos e o forro é à maneira paulista, que acompanha a inclinação do telhado. Todo este espaço está circundado por jardineiras.

Caminhando para o torreão, encontra-se uma escada helicoidal, de alvenaria, que dá acesso a um mirante intermediário, circundado por balaustrada. Em seguida, chega-se a um pequeno espaço fechado, sob o "chapéu da torre", com quatro janelas em cruz.

A cobertura do prédio é de telhas francesas com beirais de telhas canal. A torre tem cobertura de ardósia.

 

Alguns elementos que merecem destaque na edificação:

- O gradil do jardim, com um decorativismo art-nouveau e o exuberante portão em forma de borboleta;

- As mísulas de sustentação da varanda da entrada de serviço, voltada para a Praia do Flamengo, que apresenta bela decoração antropomórfica;

- Rostos femininos na fachada;

- Cabeças felinas nos cantos da fachada;

- Os gradís do andar nobre, estilizando abelhas;

- Estuques com figuras humanas, representando festas dionisíacas e motivos pagãos;

- Um único azulejo, com paisagem holandesa, locado nas paredes que circundam o torreão;

- Os azulejos que formam um barrado localizado nas fachadas, uma voltada para a Rua Dois de Dezembro e a outra posterior;

- O revestimento externo, em placas de pó-de-pedra com coloração amarelada.

 

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Uploaded on June 9, 2009
Taken on May 30, 2009